Todo valor que tem sua procedência, direta ou indiretamente, em algum tipo de infração penal costuma passar por operações para ocultar sua origem. Esse conjunto de movimentações – que podem ser comerciais ou financeiras – recebe o nome de lavagem de dinheiro.
Ex-ministro é condenado por lavagem de dinheiro: entenda o caso!
Ex-ministro, também acusado de tráfico de drogas, realizou lavagem de dinheiro proveniente de propina. Saiba mais informações sobre o caso.
A prática, realizada por criminosos para garantir o uso seguro de seus proventos, é descrita como de difícil comprovação por muitos especialistas do Direito. A maioria deles aponta que a conduta não produz provas substanciais – no máximo, um conjunto de evidências.
Entretanto, a lavagem de dinheiro pode ser revelada por delação de um envolvido, ou até mesmo admissão de culpa. Foi o que aconteceu com o ex-ministro boliviano Arturo Murillo. Após declarar-se culpado em outubro de 2022, ele foi condenado na última quarta-feira (4).
Condenação por lavagem de dinheiro
Segundo informações da agência de notícias France-Press (AFP), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos comunicou que Murillo foi sentenciado a 70 meses de prisão. O político participou da lavagem de dinheiro oriunda de propina paga por uma empresa americana.
A companhia, sediada na Flórida, promoveu o suborno para conseguir a licitação de um contrato de US$ 5,6 milhões – aproximadamente R$ 30 milhões – com a Defesa boliviana. O acordo era para aquisição de gás lacrimogêneo e equipamento não letal.

Documentos narram que Murillo recebeu ao menos US$ 532 mil – cerca de R$ 3 milhões. Ainda segundo a AFP, ele, e um grupo de cúmplices, o processo de lavagem de dinheiro usou contas bancárias em Miami. Na ocasião, o ex-ministro teria recebido US$ 130 mil em dinheiro – pouco mais de R$ 700 mil.
Ministro não foi o único preso
Os comparsas de Murillo na lavagem de dinheiro, Sergio Rodrigues Méndez, Philip Lichtenfeld, Luis e Bryan Berkman, foram condenados no último mês de junho. Segundo reportagem da Folha de São Paulo de outubro de 2022, o quarteto cumpre penas que variam entre 26 e 42 meses de detenção.
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Também de acordo com o periódico, o governo boliviano chegou a requisitar a extradição do ex-ministro ao governo norte-americano. No país, ele é acusado por tráfico de drogas. Murillo comandou o ministério do Interior do país andino durante a gestão de Janine Áñez.
Ele fugiu da Bolívia após a eleição do atual presidente Luis Arce. A Justiça boliviana constatou que Áñez assumiu a presidência de maneira inconstitucional. Por isso, em junho do ano passado, ela foi condenada a 10 anos de prisão por ter dado um golpe no ex-presidente Evo Morales em 2019.
Imagem: SynthEx / shutterstock.com
