As exportações brasileiras de suco de laranja enfrentam um cenário preocupante diante da possibilidade de aplicação de novas tarifas pelos Estados Unidos. Caso o aumento anunciado pelo ex-presidente Donald Trump se concretize, o setor pode arcar com até R$ 4,3 bilhões a mais em tributos por ano.
Exportadores de suco de laranja enfrentam impacto de R$ 4,3 bilhões com tarifaço, alerta associação
Setor de suco de laranja pode perder R$ 4,3 bi com tarifas dos EUA; CitrusBR alerta para risco imediato. Entenda.
A projeção é da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), que divulgou um alerta nesta terça-feira, 29.
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Impacto direto nas exportações brasileiras

A CitrusBR estima que o impacto direto do chamado “tarifaço” sobre os embarques para os EUA será de 792 milhões de dólares, o que equivale a aproximadamente R$ 4,3 bilhões com base na cotação atual. O valor representa uma elevação expressiva na carga tributária dos exportadores, levando em consideração a sobretaxa de 50% anunciada por Trump somada a uma alíquota mínima de 10% já divulgada em abril.
Na safra mais recente, encerrada em junho, o setor já havia desembolsado cerca de 142 milhões de dólares em impostos relacionados à exportação de suco para os Estados Unidos. Com a nova política tarifária, esse valor aumentaria 456%, elevando o total de tributos a patamares próximos à receita total gerada pelas vendas aos norte-americanos.
Custo global pode superar R$ 7 bilhões ao ano
O efeito do tarifaço não se limita às exportações para os EUA. Considerando todos os principais mercados compradores de suco de laranja brasileiro — incluindo União Europeia, Canadá, Japão, China, Reino Unido, Noruega, Suíça e Rússia —, os custos anuais com tributos podem saltar para 1,3 bilhão de dólares, aproximadamente R$ 7,25 bilhões.
Atualmente, o setor paga cerca de 393,6 milhões de dólares em impostos para exportar a esses países. A adoção das novas tarifas implicaria um aumento de 230% no total de tributos.
EUA lideram importação de suco brasileiro
Os Estados Unidos são, hoje, o principal destino do suco de laranja produzido no Brasil. Dados compilados pela CitrusBR mostram que, na safra mais recente, o país foi responsável por 41,7% das compras internacionais do produto. No período, foram exportadas mais de 307 mil toneladas, gerando uma receita de 1,31 bilhão de dólares, ou cerca de R$ 7,3 bilhões.
Diante disso, o eventual aumento na carga tributária significaria que quase toda a receita obtida com as exportações para os EUA teria que ser revertida para o pagamento de tributos.
Setor não vê alternativas imediatas

Para a CitrusBR, o risco ao setor é imediato e preocupante. Em nota, a entidade alertou:
“Não há, no curto prazo, mercados com capacidade de absorver esse volume adicional, o que pode colocar o setor em posição delicada.”
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Esse cenário traz insegurança para uma das cadeias produtivas mais importantes do agronegócio brasileiro, que emprega milhares de trabalhadores e movimenta bilhões anualmente em divisas.
Riscos para o Brasil e o agronegócio
A elevação dos custos pode tornar o suco brasileiro menos competitivo no exterior, abrindo espaço para que concorrentes internacionais ganhem mercado. O Brasil é atualmente o maior exportador mundial de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ), com forte presença nos Estados Unidos e na Europa.
Caso as tarifas sejam efetivadas, empresas do setor podem ser forçadas a rever suas estratégias de produção, exportação e até empregos. O alerta da CitrusBR coloca em evidência a necessidade de diálogo diplomático entre os governos brasileiro e norte-americano para evitar prejuízos econômicos bilionários.
Com informações de: VEJA
