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Vídeos falsos sobre PIX são removidos do Facebook após ação da AGU

Facebook retira deepfakes sobre Pix após pressão da AGU por violação de leis e risco à política pública. Entenda o caso!

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Facebook

O Facebook foi pressionado a agir com rapidez após receber uma notificação extrajudicial da Advocacia-Geral da União (AGU) na terça-feira, 22 de julho. A ação solicitava a remoção imediata de vídeos fraudulentos que utilizavam inteligência artificial (IA) para enganar usuários sobre supostos benefícios vinculados ao sistema de pagamentos instantâneos Pix.

Os vídeos, com aparência de pronunciamentos oficiais, simulavam declarações do presidente e do diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti, com o objetivo de induzir usuários a clicarem em links maliciosos. A medida foi coordenada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), que apontou o risco de dano à política pública e à integridade institucional.

Leia mais: Vazamento expõe 11 milhões de chaves Pix no Judiciário

Golpe digital se disfarçava de conteúdo oficial

Pix
Imagem: rafapress/shutterstock.com

As postagens criminosas utilizavam IA para recriar discursos e expressões dos dirigentes do BC, sugerindo que haveria uma suposta “compensação financeira” disponível a usuários do Pix. As vítimas eram redirecionadas para um site fraudulento onde seus dados pessoais podiam ser roubados. Um dos vídeos falsos chegou a ultrapassar 3.100 curtidas e era publicado por uma conta falsa que imitava o visual do portal G1.

A estrutura profissional dos vídeos, aliada à linguagem de autoridade e ao uso de perfis aparentemente legítimos, conferia credibilidade à fraude. O risco, segundo a AGU, estava não apenas na indução ao erro, mas na tentativa de desestabilizar uma política pública sólida como o Pix, ferramenta usada diariamente por milhões de brasileiros.

Notificação cita decisão do STF e marco legal

Ao justificar a remoção, a AGU destacou que as postagens violavam diretamente os termos de uso das plataformas e também a legislação vigente. A PNDD mencionou especificamente decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), que reforçam a responsabilidade de redes sociais quanto a conteúdos fraudulentos publicados por terceiros, especialmente diante de omissão após notificação formal.

Com base no Marco Civil da Internet, a AGU enfatizou que plataformas como Facebook e Instagram podem ser legalmente responsabilizadas quando não atuam para remover rapidamente conteúdos ilícitos, mesmo se originados por perfis de usuários.

Banco Central aciona AGU para proteger o Pix

A iniciativa da AGU partiu de um pedido direto do Banco Central. Preocupado com o uso indevido de imagem de seus dirigentes e com a disseminação de informações falsas sobre o Pix, o BC acionou a PNDD. Além da retirada das publicações no Facebook, a solicitação também abrangeu conteúdos similares no Instagram, reforçando a urgência de conter a propagação dos vídeos manipulados.

O alerta sobre o uso indevido de deepfakes e o potencial de dano institucional também chamou a atenção para um problema crescente nas redes sociais: o uso de IA para disseminação de fake news.

Perfil falso simulava portal de notícias para dar credibilidade

Um dos perfis utilizados no golpe digital imitava visualmente o portal de notícias G1, da Globo. Essa prática, conhecida como spoofing, visa ludibriar o público, que confia em veículos jornalísticos de grande alcance. Além dos vídeos falsos, o conteúdo promovia links externos suspeitos, aumentando o risco de golpes financeiros e roubo de dados.

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O perfil foi removido após a intervenção da AGU, que considera esse tipo de prática um ataque direto à confiança do público e às instituições democráticas.

Inteligência artificial no centro de nova onda de fraudes

Perigos do AI washing quando a inteligência artificial é só fachada
Imagem: Freeoik

O caso envolvendo o Pix é mais um exemplo do uso de tecnologias como deepfake para fins ilícitos. A inteligência artificial, quando usada de forma criminosa, consegue replicar com precisão vozes, expressões e padrões de fala, enganando até mesmo usuários mais atentos.

Especialistas em cibersegurança alertam que golpes digitais baseados em IA tendem a crescer, especialmente em períodos sensíveis, como eleições ou campanhas públicas. A remoção rápida e coordenada das fraudes é essencial para conter danos maiores.

O papel das plataformas na luta contra a desinformação

O episódio reforça o debate sobre a responsabilidade das redes sociais frente à disseminação de conteúdos enganosos. Embora o Facebook tenha removido os vídeos horas após o aviso da AGU, a existência e popularidade dos conteúdos por dias indicam falhas nos mecanismos de moderação preventiva.

Para a PNDD, não basta remover publicações após denúncia: é necessário implementar filtros automáticos, políticas mais rígidas e sistemas de detecção de deepfakes que impeçam a propagação de conteúdos manipulados.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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