O setor de construção civil que atua com imóveis de até R$ 500 mil encerrou o segundo trimestre de 2025 com resultados expressivos, impulsionado pela criação da faixa 4 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Os balanços operacionais das maiores construtoras listadas na Bolsa mostram crescimento tanto em lançamentos quanto em vendas, confirmando o aquecimento do mercado de habitação popular e de classe média.
Nova faixa do Minha Casa, Minha Vida impulsiona lançamentos e vendas das construtoras
Lançamentos e vendas de imóveis de até R$ 500 mil crescem com a nova faixa 4 do MCMV. Veja números, impactos e mais!
A nova faixa, lançada pelo governo federal em maio de 2025, ampliou o público elegível ao programa e abriu espaço para que projetos antes fora da cobertura do MCMV fossem reenquadrados, com acesso a crédito subsidiado e juros mais baixos. Como resultado, empresas como MRV, Cury, Direcional, Plano & Plano, Tenda e Emccamp aceleraram seus lançamentos e elevaram o ticket médio dos imóveis vendidos, em resposta à nova demanda.
Leia mais:
Casa própria: entenda a nova fase do Minha Casa Minha Vida

Crescimento de dois dígitos em lançamentos e vendas
No segundo trimestre de 2025, as cinco principais construtoras listadas na B3 lançaram empreendimentos avaliados em R$ 9 bilhões, valor 28,3% maior em relação ao mesmo período de 2024. As vendas líquidas atingiram R$ 8,2 bilhões, com crescimento de 12,3% na mesma base de comparação.
Esse desempenho revela uma recuperação consistente da liquidez no segmento de imóveis populares e econômicos, além de destacar o efeito imediato da faixa 4, que ampliou o acesso ao crédito habitacional para famílias com renda entre R$ 8.600 e R$ 12.000 por mês.
Faixa 4: promessa de campanha que virou motor do setor
A criação da faixa 4 do Minha Casa Minha Vida foi uma das promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e seu impacto começou a ser sentido rapidamente. A medida reintroduziu ao mercado um público que havia sido excluído nos últimos anos pela alta dos juros, que chegaram a 13% ao ano em financiamentos fora do programa habitacional.
Com o subsídio da faixa 4, as taxas foram reduzidas para cerca de 10,5% ao ano, tornando a compra do imóvel viável para milhares de famílias. Os recursos para essa nova etapa do programa foram garantidos com verbas do fundo de exploração do pré-sal, o que permitiu manter a sustentabilidade fiscal da iniciativa sem comprometer o orçamento direto da União.
MRV: faixa 4 já responde por 20% dos lançamentos
Segundo o diretor financeiro da MRV, Ricardo Paixão, o efeito da faixa 4 já se reflete nos números da companhia. “A demanda está bastante forte no Minha Casa Minha Vida, com aquecimento visível nas vendas”, afirmou. “Estamos sendo mais agressivos em lançamentos porque há uma expectativa clara de crescimento de receita trimestre após trimestre.”
Atualmente, 20% dos lançamentos da MRV estão enquadrados na faixa 4, sem a necessidade de desenvolver projetos exclusivos para esse público. A empresa passou a incluir empreendimentos que já estavam em andamento, aproveitando o novo teto de R$ 500 mil para ampliar a elegibilidade.
Além disso, a MRV aproveitou o momento de aquecimento para reduzir o parcelamento da entrada, conhecido como “pro soluto”, e também para reajustar os preços dos imóveis vendidos, com foco na melhora da margem. O preço médio dos imóveis da empresa atingiu R$ 270 mil no segundo trimestre, representando um crescimento de 7,6%.
Cury: 94% dos projetos agora estão no MCMV

Na Cury Construtora, o impacto foi ainda mais expressivo. Com a reformulação do programa, 94% dos projetos da empresa passaram a se enquadrar nas novas regras do MCMV, contra 70% antes da criação da faixa 4.
“Parte significativa das nossas unidades era vendida para clientes com renda acima de R$ 8.600 ou com imóveis acima de R$ 350 mil. Agora, com o novo limite e o acesso ao crédito subsidiado, a cobertura aumentou”, explicou Ronaldo Cury, diretor de Relações Institucionais e com Investidores da empresa.
A companhia registrou um preço médio de R$ 337,8 mil para os novos apartamentos vendidos, com aumento de 8,8% em relação ao segundo trimestre de 2024. A variação foi puxada por um mix com mais produtos de maior valor agregado e por reajustes estratégicos para capturar ganhos reais de margem.
Direcional: otimismo com demanda reprimida
O presidente da Direcional Engenharia, Ricardo Gontijo, também demonstrou entusiasmo com os efeitos da nova faixa. Segundo ele, 90% dos empreendimentos da empresa já estão aptos ao MCMV. “A faixa 4 trouxe de volta muitas famílias que estavam fora do mercado. É uma demanda reprimida que agora volta a ter poder de compra”, afirmou.
A expectativa da Direcional é de elevação das vendas ao longo do segundo semestre de 2025, com forte interesse por imóveis na faixa até R$ 500 mil.
Emccamp: meta de dobrar os lançamentos até 2027
Fora da Bolsa, mas com presença expressiva em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, a Emccamp está se preparando para dobrar o volume anual de lançamentos até 2027, com meta de atingir R$ 2 bilhões em empreendimentos.
Segundo o diretor financeiro e de RI, André Avelar, a empresa foi beneficiada diretamente pela reformulação do MCMV. “Com a faixa 4, todos os nossos projetos passaram a ser elegíveis ao programa, o que gerou um ganho imediato de liquidez”, afirmou. “Antes, os imóveis acima de R$ 350 mil estavam fora do escopo. Agora conseguimos vender com juros mais baixos, e isso muda completamente a capacidade de absorção pelo mercado.”
Por que o mercado de imóveis populares está aquecido?

Vários fatores explicam a expansão do setor em 2025:
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
1. Nova faixa 4 do MCMV
- Ampliou a faixa de renda dos beneficiários;
- Aumentou o teto do valor dos imóveis;
- Trouxe taxas de juros mais acessíveis.
2. Redução gradual da taxa Selic
- A queda da taxa básica de juros começou a influenciar o crédito imobiliário;
- Financiamentos ficaram menos onerosos para quem compra fora do programa.
3. Demanda reprimida
- Muitos consumidores ficaram fora do mercado nos últimos anos por causa dos juros altos;
- Com melhores condições, a classe média volta a comprar imóveis próprios.
4. Estabilidade na política habitacional
- O governo tem mantido os repasses e investimentos no setor;
- O uso do fundo do pré-sal garante previsibilidade fiscal.
O que esperar para o segundo semestre de 2025?
Com o mercado respondendo positivamente, as construtoras devem seguir com uma agenda forte de lançamentos, focando principalmente nas capitais e regiões metropolitanas, onde o déficit habitacional ainda é elevado.
A faixa 4 do MCMV deve consolidar-se como vetor central da expansão, não apenas pelo volume de vendas, mas pela qualidade dos empreendimentos, que agora podem oferecer melhor padrão construtivo com preços acessíveis.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
