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Indústria brasileira registra queda de 3,5% no faturamento em agosto, informa CNI

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
Faturamento

O faturamento da indústria de transformação recuou 3,5% em agosto, no segundo mês consecutivo de queda. O resultado foi divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nos Indicadores Industriais e veio acompanhado de redução das horas trabalhadas e da utilização da capacidade instalada.

A combinação dos indicadores aponta para uma perda de ritmo da atividade industrial no terceiro trimestre. Entre janeiro e agosto, o faturamento acumula queda de 0,2% em relação ao mesmo período de 2025.

O desempenho também ajuda a explicar por que o setor continua sob pressão, especialmente diante dos juros elevados, do custo de insumos e matérias-primas e da carga tributária apontados pela CNI como fatores que dificultam a atividade das empresas.

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O que aconteceu com a indústria em agosto?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O principal indicador de agosto foi o faturamento, que caiu 3,5% na comparação com julho. Em julho, a retração havia sido de 2,2%.

Com as duas quedas consecutivas, o resultado acumulado entre janeiro e agosto passou a registrar recuo de 0,2% frente aos oito primeiros meses de 2025.

A retração não ficou restrita às receitas das empresas. As horas trabalhadas na produção diminuíram 1% em agosto, enquanto a utilização da capacidade instalada também recuou.

Para a CNI, o conjunto dos dados confirma uma deterioração recente do ritmo da indústria de transformação. A pesquisa acompanha mensalmente faturamento, emprego, remuneração e utilização da capacidade instalada e é realizada em parceria com 12 Federações de Indústria, abrangendo estados que representam mais de 90% do produto industrial brasileiro.

Por que o faturamento caiu?

A CNI aponta uma combinação de fatores para explicar o desempenho negativo. Entre eles estão a carga tributária elevada, a falta ou o custo dos insumos e matérias-primas e os juros altos.

Esses elementos podem afetar a indústria por diferentes caminhos. Custos maiores pressionam as margens das empresas, enquanto o crédito mais caro dificulta investimentos e também pode reduzir a demanda por produtos industriais.

Segundo Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, a combinação desses problemas vem afetando o setor há algum tempo e o efeito prolongado de diferentes fatores tem agravado as dificuldades enfrentadas pelas empresas.

O ambiente de crédito também aparece em outros levantamentos recentes da entidade. Uma consulta empresarial da CNI divulgada em agosto mostrou que os juros elevados continuam pressionando a operação das empresas industriais, inclusive por meio do aumento da necessidade de financiamento e dos custos financeiros.

Fábricas estão utilizando menos a capacidade instalada

A utilização da capacidade instalada (UCI), indicador que mostra quanto do parque produtivo das empresas está efetivamente sendo utilizado, caiu 0,6 ponto percentual em agosto.

O índice passou de 77,5% em julho para 76,9% em agosto. Na prática, isso significa que uma parcela maior da capacidade produtiva das fábricas ficou ociosa no período.

Apesar da queda mensal, a média da UCI entre janeiro e agosto ficou 1,5% acima da registrada no mesmo período de 2025. Portanto, o resultado de agosto não significa que a indústria esteja operando abaixo do nível do ano passado em todos os indicadores, mas mostra uma perda de utilização no período mais recente.

As horas trabalhadas na produção tiveram comportamento semelhante. O indicador caiu 1% em agosto e acumula retração de 0,8% nos oito primeiros meses do ano em relação ao mesmo intervalo de 2025.

O emprego industrial caiu?

O emprego na indústria de transformação ficou estável em agosto. Isso significa que a piora dos indicadores de atividade ainda não se transformou em uma nova queda mensal do número de trabalhadores do setor.

No acumulado de janeiro a agosto, porém, o emprego industrial está 0,5% abaixo do registrado nos primeiros oito meses de 2025.

Ao mesmo tempo, os indicadores de remuneração apresentaram crescimento.

A massa salarial aumentou 0,5% em agosto e acumula alta de 0,9% no ano. O rendimento médio dos trabalhadores também subiu 0,5% no mês e 1,5% entre janeiro e agosto, na comparação com o mesmo período de 2025.

Isso mostra que a desaceleração da atividade não está ocorrendo de maneira uniforme em todos os indicadores do mercado de trabalho industrial.

Quais são os principais números de agosto?

Os Indicadores Industriais da CNI mostram o seguinte quadro para agosto de 2026:

  • Faturamento: queda de 3,5% no mês;
  • Faturamento em julho: queda de 2,2%;
  • Faturamento de janeiro a agosto: queda de 0,2% ante o mesmo período de 2025;
  • Horas trabalhadas: queda de 1% em agosto;
  • Horas trabalhadas no ano: queda de 0,8%;
  • Utilização da capacidade instalada: de 77,5% para 76,9%;
  • UCI no acumulado do ano: alta de 1,5%;
  • Emprego: estabilidade em agosto;
  • Emprego no acumulado do ano: queda de 0,5%;
  • Massa salarial: alta de 0,5% em agosto e de 0,9% no ano;
  • Rendimento médio: alta de 0,5% em agosto e de 1,5% no ano.

O conjunto dos dados mostra uma indústria com menor faturamento e menos horas trabalhadas, mas ainda sem uma deterioração generalizada do mercado de trabalho no mês.

O resultado de agosto confirma uma tendência de desaceleração?

Os números recentes apontam para uma perda de força, mas é preciso separar a tendência mensal do desempenho acumulado.

A queda de 3,5% em agosto veio depois de uma retração de 2,2% em julho. Isso significa que o faturamento diminuiu por dois meses seguidos, algo que merece atenção porque coincide com a redução das horas trabalhadas e da capacidade utilizada.

Outros indicadores da própria CNI também apontam para um ambiente menos favorável. Na Sondagem Industrial de agosto, o índice de evolução da produção recuou para abaixo da linha de 50 pontos, indicando queda da produção, enquanto a utilização da capacidade instalada também diminuiu. A entidade classificou o resultado como atípico para o período.

A confiança dos empresários também permanece baixa. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) estava abaixo de 50 pontos em agosto, nível que indica falta de confiança, completando 20 meses consecutivos nessa condição.

O que a queda do faturamento significa para a economia?

A indústria de transformação tem papel relevante na atividade econômica porque movimenta cadeias de fornecedores, transportes, comércio, serviços e mercado de trabalho.

Quando as empresas industriais vendem menos, podem reduzir a produção, adiar investimentos ou diminuir a contratação de insumos e serviços. Se a desaceleração persistir, seus efeitos podem se espalhar para outros segmentos da economia.

Por outro lado, os números de agosto ainda não indicam uma retração generalizada do emprego ou da remuneração. A estabilidade do emprego no mês e o crescimento da massa salarial e do rendimento médio mostram que os efeitos sobre os trabalhadores estão ocorrendo de maneira diferente conforme o indicador analisado.

Por isso, o resultado deve ser interpretado como um sinal de enfraquecimento da atividade industrial, e não como evidência isolada de uma crise generalizada no setor.

O que pode acontecer nos próximos meses?

Os próximos resultados dos Indicadores Industriais serão importantes para verificar se as quedas de julho e agosto representam apenas uma sequência pontual ou o início de uma desaceleração mais prolongada.

A evolução dos juros, dos custos de produção, da demanda interna e das condições de crédito tende a ser especialmente relevante para as decisões das empresas.

Também será necessário acompanhar as horas trabalhadas, a utilização da capacidade instalada e o emprego. Uma deterioração simultânea desses indicadores poderia indicar uma perda de ritmo mais disseminada.

A CNI mantém a divulgação mensal dos Indicadores Industriais, que permite acompanhar a evolução do faturamento, emprego, remuneração e utilização da capacidade produtiva.

O que os dados mostram até agora?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O retrato de agosto é de uma indústria de transformação que perdeu ritmo pelo segundo mês consecutivo.

O faturamento caiu 3,5%, depois de recuar 2,2% em julho. As horas trabalhadas também diminuíram, e a utilização da capacidade instalada caiu de 77,5% para 76,9%.

No acumulado do ano, o faturamento registra queda de 0,2%, enquanto o emprego recua 0,5%. Em contrapartida, massa salarial e rendimento médio continuam apresentando crescimento.

Para os próximos meses, o principal ponto de atenção será saber se a sequência de quedas continuará ou se a indústria conseguirá recuperar parte do ritmo perdido. Até lá, os dados disponíveis indicam desaceleração da atividade, mas não uma deterioração uniforme de todos os indicadores industriais.

Conclusão

A indústria de transformação encerrou agosto com sinais de perda de ritmo. O faturamento caiu pelo segundo mês consecutivo, enquanto as horas trabalhadas e a utilização da capacidade instalada também recuaram.

Apesar disso, o mercado de trabalho industrial ainda não apresentou uma deterioração generalizada. O emprego ficou estável no mês, enquanto a massa salarial e o rendimento médio registraram alta.

O desempenho dos próximos meses será decisivo para mostrar se a retração observada em julho e agosto é pontual ou representa uma desaceleração mais persistente. Para as empresas, a evolução dos juros, dos custos de produção e da demanda continuará entre os principais fatores a acompanhar.

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