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Site histórico que distribuía 5 Bitcoins de graça será relançado por investidor veterano

Charlie Shrem anuncia relançamento do lendário faucet criado por Gavin Andresen que dava 5 Bitcoins por visitante. Relembre a história e veja o que esperar do retorno em 2025.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Baleia do Bitcoin

Na era atual dos ETFs de Bitcoin, de grandes corporações adotando o ativo e de valorização superior a US$ 80 mil por unidade, imaginar que alguém já recebeu 5 Bitcoins gratuitamente pode soar como delírio.

Mas foi exatamente isso que o primeiro faucet de Bitcoin proporcionou a seus visitantes em 2010. Agora, em 2025, essa iniciativa lendária será ressuscitada por ninguém menos que Charlie Shrem, um dos primeiros investidores do setor.

A proposta é simples, nostálgica e ousada: relançar o primeiro site que distribuiu Bitcoins gratuitamente, criado por Gavin Andresen, principal desenvolvedor do protocolo Bitcoin após a saída de Satoshi Nakamoto.

A nova versão do site já tem nome: 21million.com, e promete reacender o espírito de experimentação e adoção do Bitcoin em uma nova geração.

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O que foi o primeiro faucet de Bitcoin?

Em 2010, o Bitcoin ainda era um projeto embrionário, conhecido apenas por entusiastas de tecnologia e criptografia. Comprar ou vender a moeda era extremamente difícil, e a mineração podia ser feita com computadores comuns. Foi nesse cenário que Gavin Andresen teve uma ideia:

“Para meu primeiro projeto de programação com Bitcoin, decidi fazer algo que parece realmente bobo: criei um site que distribui bitcoins de graça.”

O site funcionava como uma “torneira digital”, ou faucet, pingando 5 BTC por visita, desde que o usuário resolvesse um CAPTCHA simples. Na cotação da época, o Bitcoin valia cerca de US$ 0,05, ou seja, o prêmio era de US$ 0,25 (aproximadamente R$ 0,44).

Andresen começou com 1.100 bitcoins, que eram distribuídos conforme a ordem de chegada dos visitantes. Com o tempo, outros faucets surgiram, e o modelo se consolidou como um dos principais mecanismos para promover o conhecimento e a adoção do Bitcoin.

Por que o faucet foi importante para o ecossistema?

Modelo de distribuição simples que acelerou a adoção

1. Incentivo à experimentação

Na ausência de exchanges, muitos usuários simplesmente não sabiam como obter Bitcoins. O faucet eliminava essa barreira: bastava visitar o site, provar que era humano e receber a recompensa. Isso motivou milhares de pessoas a experimentar e explorar o novo dinheiro digital.

2. Democratização do acesso

Os faucets permitiram o acesso gratuito à moeda, sem exigir poder computacional ou conhecimento técnico para minerar. Isso atraiu perfis variados, de estudantes a programadores curiosos.

3. Fomento ao desenvolvimento da comunidade

Receber uma pequena quantidade de BTC levava os usuários a pesquisar, experimentar carteiras, interagir em fóruns como o BitcoinTalk e até iniciar projetos — o embrião do ecossistema atual.

Charlie Shrem: o investidor por trás do relançamento

Charlie Shrem é um nome conhecido no mundo cripto. Cofundador da BitInstant — uma das primeiras plataformas de compra de Bitcoin — e da Bitcoin Foundation, Shrem teve uma trajetória meteórica e controversa.

Preso em 2014 por ajudar a intermediar transações ligadas ao mercado negro (Silk Road), Shrem cumpriu pena, se afastou dos holofotes, mas retornou como investidor e defensor da transparência e adoção em massa do Bitcoin.

Agora, com o relançamento do faucet original, Shrem parece querer unir o passado e o futuro:

“Trabalhando para fazer o faucet de bitcoin voltar a funcionar em 21million.com.”

21million.com: o novo lar do faucet

Réplica fiel ao site de 2010

Ao acessar o novo site 21million.com, os visitantes encontram uma interface simples, em preto e branco, com os dizeres:

“O Bitcoin é um novo tipo de dinheiro. Não é controlado por governos ou bancos centrais. Eu quero que ele tenha sucesso, por isso estou te dando algumas moedas para começar. — Gavin Andresen (continuado por Charlie Shrem em 2025)”

No momento, o faucet ainda está inoperante, mostrando “0 BTC disponível”. No entanto, a expectativa da comunidade é alta. A grande questão agora é:

Quanto será distribuído por visitante?

Strategy
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Comparação entre 2010 e 2025

2010:

  • 5 BTC por visitante;
  • US$ 0,05 por BTC;
  • Valor total da recompensa: US$ 0,25.

2025:

  • BTC cotado a US$ 84.000 (média atual);
  • Recompensa equivalente em valor real seria de ~0,0000026 BTC ou 260 satoshis.

Embora a recompensa em satoshis pareça pequena — e seja insuficiente para enriquecer alguém —, a mensagem simbólica é poderosa: qualquer um pode começar no mundo do Bitcoin com uma fração de moeda e curiosidade.

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O retorno dos faucets é viável em 2025?

Desafios e oportunidades no cenário atual

1. Escalabilidade e taxas

Com as taxas de rede do Bitcoin ainda sendo relativamente altas em momentos de pico, enviar pequenas quantias pode não ser economicamente viável. Isso exige soluções como Lightning Network para micropagamentos.

2. Recompensas financiadas por publicidade

Nos primórdios, os donos dos faucets monetizavam o tráfego por meio de anúncios, o que permitia comprar mais BTC e manter o fluxo de distribuição. Em 2025, o mercado publicitário é mais competitivo, mas a nostalgia e a viralização podem atrair patrocinadores.

3. Educação como ativo estratégico

Além de distribuir satoshis, um faucet pode funcionar como plataforma educacional: ensinar sobre carteiras, segurança, histórico do Bitcoin e como usá-lo na prática.

Outros nomes que surfaram a onda dos faucets

Bruno Perini e os 9 BTC gratuitos

O educador financeiro Bruno Perini, criador do canal “Você Mais Rico”, já contou que acumulou 9 Bitcoins usando faucets durante o início da década de 2010. Na época, tratava-se de centavos de dólar. Hoje, essa quantia vale mais de R$ 4,5 milhões.

Casos como esse mostram que, mesmo pequenas quantidades podem se transformar em patrimônios, desde que sejam mantidas com visão de longo prazo.

A nostalgia que movimenta o mercado

Com o lançamento de ETFs, integração com bancos, uso institucional e discussões sobre regulamentação global, o Bitcoin parece ter amadurecido. Porém, muitos usuários sentem falta da era mais anárquica e experimental — dos fóruns, dos debates com Satoshi e dos faucets.

A tentativa de Charlie Shrem é, acima de tudo, um aceno ao passado e uma ponte simbólica com o presente. Enquanto os investidores procuram retornos, os veteranos querem preservar a essência do Bitcoin como uma revolução de base.

Conclusão: pequenas quantidades, grandes impactos

Grayscale
Imagem: svetlichniy_igor / Shutterstock.com

O relançamento do faucet de 5 BTC por Charlie Shrem em 2025 é mais do que uma simples curiosidade histórica. Trata-se de um gesto simbólico poderoso, que pode incentivar novos usuários, educar curiosos e relembrar o espírito visionário de Gavin Andresen e dos primórdios do Bitcoin.

Ainda que os valores distribuídos sejam mínimos em satoshis, o valor cultural, educacional e motivacional é incalculável. Em uma era onde a especulação tomou conta, lembrar que o Bitcoin nasceu para ser usado, não apenas guardado, pode ser o maior presente que essa iniciativa nos dá.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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