O Ministério da Fazenda sinalizou na quarta-feira (28) que poderá rever ou ajustar os efeitos do recente aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), após ouvir reivindicações do setor financeiro. Em entrevista à imprensa, o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, afirmou que o governo está “sensível” aos impactos relatados pelos bancos e que uma análise técnica está em andamento para avaliar possíveis alternativas que mantenham o equilíbrio fiscal sem comprometer o funcionamento do mercado de crédito.
Governo abre possibilidade de revisar aumento do IOF após diálogo com bancos
Dario Durigan, secretário da Fazenda, afirmou que o governo avalia alternativas ao aumento do IOF após reunião com bancos.
A declaração ocorre no momento em que o aumento do IOF é alvo de críticas e pressões políticas, com movimentações no Congresso Nacional para derrubar o decreto que estabeleceu a medida.
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O que disse Dario Durigan?
Declaração oficial após encontro com bancos
Em entrevista coletiva após reunião com dirigentes das maiores instituições financeiras do país e representantes da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Durigan destacou a disposição do governo em reavaliar pontos da medida que elevou o IOF, principalmente nas operações de crédito, onde o impacto foi mais criticado.
“Eles trouxeram como isso impacta as operações do mercado de crédito brasileiro de maneira legítima. A gente está sensível, aberto a esse diálogo. Nós vamos nos debruçar sobre as alternativas”, afirmou Durigan.
Ele também reforçou que a análise será feita com urgência:
“Pedi à equipe do ministério para que a gente faça uma avaliação cuidadosa e célere do que é melhor para o país neste momento.”
Entenda o aumento do IOF
Quais operações foram impactadas?
O decreto que aumentou o IOF foi publicado pelo governo como forma de incrementar a arrecadação e compensar perdas fiscais em meio ao desafio de zerar o déficit primário em 2025. As mudanças atingem diversas modalidades de crédito, incluindo:
- Empréstimos pessoais e consignados;
- Financiamentos;
- Cartões de crédito rotativo;
- Operações de câmbio com finalidade de investimento;
- Capital de giro para empresas.
A alíquota adicional incide principalmente sobre pessoas físicas e jurídicas que contratam operações de crédito com prazos superiores a 365 dias.
Justificativa da Fazenda
A equipe econômica justificou a medida como parte da estratégia fiscal do novo arcabouço, ressaltando que seria uma forma de preservar a meta de equilíbrio das contas públicas sem comprometer programas sociais.
Reação do mercado financeiro
Pressão da Febraban e dos bancos
A medida provocou forte reação por parte do setor financeiro, que vê o aumento do IOF como um obstáculo à expansão do crédito, especialmente para consumidores e empresas de menor porte.
A Febraban alertou que a elevação do imposto:
- Eleva o custo final do crédito ao consumidor;
- Reduz a margem de concessão de novos financiamentos;
- Compromete o acesso de pequenos negócios ao sistema bancário;
- Desestimula o consumo em um momento de recuperação econômica ainda frágil.
A entidade também ressaltou que a medida pode ter efeito contrário ao desejado, com menor circulação de crédito formal e aumento do endividamento com recursos mais caros, como cheque especial e rotativo do cartão.
Impacto no crédito e na economia

Crédito mais caro e menor demanda
Economistas consultados por instituições como FGV e CNI apontam que o aumento do IOF encarece o custo do dinheiro e pode levar a uma queda na procura por crédito nos próximos meses, especialmente por famílias de baixa renda.
Além disso, setores dependentes de financiamento, como imobiliário, veículos e bens duráveis, podem ser diretamente afetados, prejudicando a atividade econômica e desacelerando o consumo.
Riscos para o cumprimento das metas fiscais
Apesar das críticas, revogar integralmente o aumento do IOF também pode gerar impactos fiscais relevantes. O imposto é uma fonte importante de receita no curto prazo, e sua redução forçaria o governo a compensar a arrecadação de outras formas — o que também preocupa o mercado.
Articulação política no Congresso
Movimentação para derrubar o decreto
Com a insatisfação crescente no setor bancário e pressão de parlamentares, o Congresso Nacional articula uma possível derrubada do decreto via projeto de decreto legislativo (PDL). Parlamentares da base e da oposição alegam que a medida foi tomada sem diálogo prévio e atinge diretamente a classe média e o setor produtivo.
A oposição argumenta que o aumento do IOF pode ser classificado como uma elevação indireta de tributos, o que exigiria maior debate legislativo. A base governista tenta evitar o desgaste político de um eventual recuo total.
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Reunião com o presidente do Senado
Na noite desta quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reuniu-se com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com líderes partidários para tentar viabilizar uma solução consensual. A expectativa é de que uma versão ajustada do decreto seja apresentada nos próximos dias, contendo exceções ou alívios parciais para segmentos mais afetados.
Alternativas em análise pelo governo
Revisão segmentada do IOF
Uma das alternativas em estudo seria modular o aumento do IOF, aplicando a alíquota majorada apenas em operações com maior valor agregado, ou limitando os efeitos em linhas de crédito com forte impacto social.
Outras sugestões incluem:
- Isenção para microcrédito e crédito rural;
- Redução gradual da nova alíquota ao longo de 2025;
- Compensações fiscais em outras áreas, como desonerações em setores estratégicos.
Dialogar sem perder arrecadação
A fala de Dario Durigan indica que o governo está tentando equilibrar a sensibilidade social e econômica com a necessidade de arrecadação. A ideia é preservar a credibilidade fiscal, evitando medidas que comprometam a meta de déficit zero, ao mesmo tempo que minimizam impactos negativos no crédito.
O que esperar dos próximos passos

Expectativa de anúncio nos próximos dias
Fontes ligadas ao Ministério da Fazenda indicam que uma nova proposta pode ser apresentada já na próxima semana, após as rodadas de negociações com parlamentares e bancos. A tendência é de que haja algum recuo parcial ou redirecionamento do aumento do IOF, para evitar maiores desgastes.
Monitoramento do mercado financeiro
Investidores e analistas estão atentos às decisões do governo sobre o tema, pois a condução da política fiscal em 2025 é um dos principais pilares de confiança no cenário macroeconômico.
Uma sinalização clara de responsabilidade, aliada à escuta de setores estratégicos, pode evitar fuga de capitais, pressão sobre o dólar e deterioração do ambiente de negócios.
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com
