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Governo resgata R$ 1,4 bilhão de fundos para compensar recuo no aumento do IOF, entenda!

Governo retira R$ 1,4 bi de fundos públicos após recuar parcialmente de aumento no IOF. Entenda o cenário.

Em uma tentativa de equilibrar as contas públicas diante do recuo parcial na elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o governo federal anunciou o resgate de R$ 1,4 bilhão de dois fundos: o Fundo Garantidor de Operações (FGO) e o Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (FGEDUC).

A decisão foi divulgada pelo Ministério da Fazenda na última quarta-feira (28) e busca compensar a perda de arrecadação provocada pela revisão da medida anterior.

Leia mais: Elevado IOF pressiona empresas, com impacto maior nas pequenas companhias

Tesouro age para conter impacto fiscal

blocos com as letras IOF em cima de notas de 5, 100 e 20 reais
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

Segundo informações da equipe econômica, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, enviará ofícios ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal solicitando o resgate dos recursos dos fundos. A expectativa é de que um decreto com os detalhes da compensação seja publicado até sexta-feira (30), conforme antecipado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

A necessidade da ação surgiu após o governo recuar de parte da proposta de aumento do IOF, que inicialmente visava ampliar a arrecadação em até R$ 40 bilhões até 2026. A decisão de revisar a medida gerou a necessidade de alternativas para cobrir o rombo fiscal, estimado em bilhões.

Mudanças no IOF: o que foi mantido

Apesar do recuo, parte das novas regras do IOF permanece em vigor, especialmente no que se refere a operações de crédito e transações internacionais. Veja os principais pontos:

  • Crédito para empresas: alíquota máxima anual passou de 1,88% para 3,95%;
  • Crédito para empresas do Simples Nacional (até R$ 30 mil): aumentou de 0,88% para 1,95%;
  • Transações com cartões internacionais (crédito, débito, pré-pago): nova alíquota única de 3,5%;
  • Remessas pessoais ao exterior e compra de moeda em espécie: de 1,1% para 3,5%;
  • Empréstimos externos de curto prazo (até 364 dias): volta da alíquota de 3,5%;
  • Operações genéricas: entrada com IOF de 0,38% mantida; saídas tributadas agora a 3,5%.

Essas mudanças visam ainda garantir alguma elevação da receita, ainda que abaixo do esperado inicialmente.

O que foi cancelado ou ajustado

Com a pressão do mercado e receios de impactos econômicos, algumas medidas foram revogadas ou ajustadas:

  • Remessas para fundos de investimento no exterior: o aumento de 0% para 3,5% foi cancelado;
  • Envio de recursos ao exterior por pessoas físicas para investimentos: a alíquota de 1,1% foi mantida, sem alterações.

Essas mudanças foram bem recebidas por entidades financeiras e investidores, que apontaram preocupações com a competitividade e previsibilidade do ambiente econômico.

Avaliação da equipe econômica

O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo segue “avaliando alternativas” à elevação do IOF. A declaração foi dada após reunião com representantes de instituições bancárias. Apesar disso, ainda não há definição sobre quais medidas poderão substituir o impacto que seria gerado pela versão inicial do decreto.

Enquanto isso, especula-se que o Ministério da Fazenda tenha proposto um bloqueio de R$ 33 bilhões em despesas do orçamento — acima dos R$ 31,3 bilhões anunciados anteriormente — como forma de compensar as perdas provocadas pela renúncia de receita.

Fundos usados têm função social

Os dois fundos que terão recursos resgatados possuem papéis importantes. O FGO é utilizado como garantia para operações de crédito, principalmente aquelas voltadas a micro e pequenas empresas, como no programa Pronampe. Já o FGEDUC garante financiamento estudantil para estudantes de baixa renda, que contratam o FIES sem fiador.

O uso desses recursos preocupa especialistas em educação e em apoio ao empreendedorismo. Há o temor de que, ao utilizar os saldos desses fundos para cobrir déficits, o governo comprometa a sustentabilidade de políticas públicas essenciais no médio prazo.

Contexto político e econômico

IOF
Imagem: beeboys / Shutterstock.com

O episódio mostra os desafios enfrentados pela equipe econômica em conciliar responsabilidade fiscal com arrecadação e preservação de programas sociais. O recuo do aumento do IOF veio após forte reação do mercado, que alertou para os efeitos nocivos sobre o crédito, os investimentos e o consumo.

A intenção inicial de ampliar o IOF visava sustentar as metas fiscais e os programas em expansão previstos para 2025 e 2026, com aumento de arrecadação previsto em R$ 20 bilhões no primeiro ano e R$ 40 bilhões no segundo. No entanto, a reavaliação das medidas demonstra a fragilidade da estratégia diante da sensibilidade do mercado financeiro e da pressão política.

Com informações de: Reuters via InfoMoney