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Feira informal explode na Argentina: famílias vendem o que têm para fechar o mês

Em Villa Fiorito, feira cresce com manteros e vendas informais, reflexo da crise econômica argentina e do aumento das dívidas das famílias.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
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Em Villa Fiorito, bairro periférico de Buenos Aires onde Diego Maradona nasceu, a feira local se tornou um verdadeiro reflexo da crise econômica argentina. Cada vez mais moradores recorrem à venda de objetos próprios ou achados nas ruas para sobreviver, em meio à inflação alta, ao desemprego crescente e à proximidade das eleições legislativas.

Entre barracas de verduras, ferramentas e os chamados “manteros”, que estendem mantas no chão para comercializar produtos de segunda mão ou adquiridos com empréstimos, é possível sentir a criatividade e a resiliência de uma comunidade pressionada pela necessidade de cada dia.

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A vida nas ruas de Fiorito

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imagem: Alexandre Rotenberg/shutterstock

Em uma manhã ensolarada, dezenas de vendedores ocupam mais de 20 quarteirões oferecendo desde verduras e ferramentas até roupas e perfumes. Muitos atuam como “manteros”, pessoas que estendem mantas no chão para vender objetos trazidos de casa, achados no lixo ou mercadorias compradas com empréstimos.

O dia a dia dos manteros

Gladys Gutiérrez, de 46 anos, explica sua rotina: “Nos fins de semana, como não rendemos muito em casa, viemos aqui para ‘estender um pouco a manta’”. Durante a semana, ela vende artigos de limpeza, mas diante da queda do poder de compra dos vizinhos, precisou fazer empréstimos para oferecer frios e bebidas.

O marido de Gladys, pedreiro desempregado, confirma a pressão que muitas famílias enfrentam: “As pessoas estão cansadas, estão irritadas”.

Impactos da política econômica de Milei

Nos quase dois anos do governo de Javier Milei, a inflação caiu drasticamente, mas a redução veio à custa da suspensão de obras públicas e retração no comércio e na indústria, setores que mais geram empregos na Argentina. Com a informalidade atingindo quase 40% da população economicamente ativa, muitos acumulam trabalhos, e três em cada quatro afirmam ser mais difícil fechar o mês do que em 2023, segundo a consultoria Aresco.

A classe média baixa e o fim do mês

O economista Guillermo Oliveto aponta que “70%, composto pela classe média baixa, trabalhadora, chega ao fim do mês no dia 15”. Para muitos, isso significa que as despesas básicas, dívidas e gastos fixos esgotam o dinheiro rapidamente.

O cenário das feiras populares

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Imagem: Fernando Frazão/Agencia Brasil

O aroma de assados se mistura com o cheiro azedo de lixo em algumas calçadas, enquanto os manteros vendem de tudo, de formas de gelo antigas a eletrodomésticos desmontados. Juana Sena, feirante de 71 anos, compara a situação atual à crise de 2001, que resultou em uma explosão social.

As eleições e a política local

Os moradores de Fiorito votarão nas legislativas no domingo (26). Tradicionalmente peronista, o bairro apresentou queda na adesão a Milei: 27% no segundo turno de 2023 e apenas 16% nas legislativas provinciais de setembro.

O fenômeno do pluriemprego

O cientista político Matías Mora, natural do bairro, afirma que a venda informal e o acúmulo de empregos não começaram com Milei, mas a gestão atual aprofundou o problema. Segundo ele, muitas pessoas se endividam para comer ou abrir pequenos negócios, enfrentando juros entre 40% e 50% ao mês cobrados por agiotas informais.

Endividamento crescente das famílias

O centro de análise econômica IETSE revelou que nove em cada dez famílias argentinas estão endividadas, e 88% dessas dívidas foram contraídas entre 2024 e 2025. Mais da metade dos débitos com cartão de crédito serviram para comprar alimentos.

Manteros digitais: o novo mercado informal

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Mora cunhou o termo “manteros digitais” para definir aqueles que, paralelamente às feiras físicas, vendem produtos pelas redes sociais. Nesse ecossistema, grupos de WhatsApp e plataformas digitais se tornam ferramentas essenciais para quem busca alternativas ao emprego formal.

A criatividade como meio de sobrevivência

Para Mora, o uso das redes é uma forma de sobrevivência, mais ligada à necessidade do que a vocação empreendedora: “As pessoas se viram e usam a criatividade para chegar ao fim do mês, mas à custa da saúde mental e física, ficando muito desgastadas”.

Desafios e perspectivas futuras

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Imagem: Odua Images/shutterstock.com

O crescimento das feiras e das vendas informais revela um problema estrutural da economia argentina: a informalidade, o endividamento e a redução do consumo comprometem o futuro de muitas famílias. A pressão política e econômica continua, enquanto moradores de Villa Fiorito buscam alternativas para sobreviver.

Educação e apoio local

Além da sobrevivência econômica, há uma necessidade crescente de políticas públicas que fortaleçam a educação, o emprego formal e a proteção social, garantindo que bairros como Villa Fiorito não dependam apenas da economia informal.

Saúde e bem-estar

O desgaste físico e mental das pessoas envolvidas no comércio informal é um desafio adicional. Programas de apoio psicológico, assistência social e redução de juros abusivos podem ser caminhos para aliviar a pressão sobre os moradores.

Conclusão

Villa Fiorito é um exemplo do impacto da crise econômica argentina nos bairros periféricos. As feiras populares, a prática dos manteros e a criatividade dos manteros digitais refletem uma realidade marcada pela necessidade de sobreviver e enfrentar os desafios diários, em meio a um cenário político e econômico incerto.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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