O processo de tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pode passar por uma das maiores mudanças desde a criação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em 1997. Um projeto do Ministério dos Transportes, que já recebeu sinal verde da Presidência da República, prevê o fim da obrigatoriedade das aulas teóricas e práticas em autoescolas, flexibilizando a forma de formação dos futuros condutores.
Fim das autoescolas? Projeto avança; saiba mais!
Projeto do governo prevê flexibilizar o processo para obter a CNH e pode acabar com a obrigatoriedade de aulas em autoescolas. Entenda!
A proposta deve ser submetida à consulta pública pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) ainda neste ano. Caso seja aprovada, permitirá que o candidato à habilitação escolha se deseja ter aulas em um centro de formação de condutores, contratar instrutores autônomos ou simplesmente se preparar por conta própria para a prova teórica e o exame prático.
Nova lei e seus impactos no Código de Trânsito Brasileiro

Alterações na Lei 9.503/1997
O projeto altera a Lei 9.503, que institui o Código de Trânsito Brasileiro. Hoje, essa legislação obriga o candidato a cumprir pelo menos 40 horas de aulas teóricas e 20 horas de aulas práticas antes de realizar os exames finais. Com a mudança, esses requisitos deixam de ser obrigatórios, abrindo espaço para maior autonomia do candidato.
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O que permanece obrigatório
Apesar da flexibilização, alguns pontos não sofrem alteração:
- Exames médicos e psicológicos continuam sendo exigidos;
- Exame teórico e prova prática seguem como etapas finais;
- Permissão para Dirigir (PPD), concedida por um ano antes da CNH definitiva, não será modificada.
Fim da obrigatoriedade não significa fim das autoescolas
Como ficam as autoescolas?
Mesmo sem a obrigatoriedade, as autoescolas continuarão existindo e oferecendo serviços de preparação. O que muda é que o candidato não será mais obrigado a passar por um pacote completo de aulas. Ele poderá optar por contratar apenas algumas horas de prática, se considerar necessário.
Instrutores autônomos credenciados
Outro ponto importante é a abertura do mercado para instrutores independentes. Eles poderão ministrar aulas práticas e teóricas de forma presencial ou online, desde que registrados e credenciados oficialmente pela Senatran. A identificação será feita pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito, garantindo segurança e fiscalização.
Redução de custos: impacto direto no bolso
Um dos principais objetivos do projeto é reduzir os custos para quem deseja obter a CNH. Atualmente, o processo pode custar em média R$ 3 mil. Com a flexibilização, esse valor pode cair para cerca de R$ 600, já que o candidato pagará apenas as taxas de exames obrigatórios e de emissão da habilitação.
Essa mudança deve beneficiar, sobretudo, motoristas de baixa renda que hoje acabam dirigindo sem habilitação devido ao alto custo. O governo espera que a medida incentive a regularização de milhares de condutores.
Críticas e preocupações sobre a proposta
Segurança no trânsito em debate
Especialistas em segurança viária levantam preocupações. Para eles, a redução do tempo de formação pode impactar diretamente a qualidade dos novos condutores, aumentando o risco de acidentes.
Competição entre autoescolas e instrutores autônomos
Há também receio de que a abertura do mercado crie uma competição desigual. Autoescolas investem em infraestrutura, veículos adaptados e simuladores, enquanto instrutores independentes podem oferecer serviços mais baratos.
Possível desvalorização da profissão de instrutor
A flexibilização pode levar à precarização da profissão de instrutor de trânsito, já que a demanda pelas aulas tradicionais pode diminuir consideravelmente.
Como será o processo para tirar a CNH se a lei for aprovada
Etapas obrigatórias que permanecem
- Exame médico e psicológico para avaliar as condições do candidato;
- Prova teórica, aplicada digitalmente em centros de aplicação do Detran;
- Prova prática de direção, em veículos do candidato, de instrutores credenciados ou de autoescolas.
O que será opcional
- Aulas teóricas em sala de aula;
- Simulador de direção;
- Aulas práticas com instrutores de autoescola.
O que pode acontecer?
Beneficiados
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- População de baixa renda, que terá acesso mais barato à CNH;
- Instrutores autônomos, que ganham espaço de atuação;
- Motoristas informais, que poderão se regularizar.
Possíveis prejudicados
- Autoescolas, que devem perder alunos;
- Instrutores contratados exclusivamente por centros de formação;
- Setor de fiscalização, que terá mais desafios para controlar a qualidade da formação.
Implementação: decreto ou lei?

Segundo especialistas, a mudança pode ser implementada por meio de decreto presidencial ou resolução da Senatran, sem necessidade de aprovação pelo Congresso Nacional, já que o artigo 141 do Código de Trânsito dá essa prerrogativa ao Executivo. Isso acelera o processo e pode fazer com que a nova regra entre em vigor ainda em 2026.
FAQ – Perguntas frequentes
1. As autoescolas vão acabar?
Não. Elas continuarão funcionando, mas as aulas deixam de ser obrigatórias.
2. Quanto vai custar tirar a CNH com a nova lei?
O valor pode cair de cerca de R$ 3 mil para aproximadamente R$ 600, considerando apenas exames e taxas.
3. A prova prática vai acabar?
Não. A prova prática continua obrigatória, mesmo sem aulas mínimas.
4. Vou poder aprender a dirigir sozinho e fazer a prova direto?
Sim. O candidato poderá se preparar de forma independente e pagar apenas pelas provas.
5. Instrutores autônomos podem dar aula legalmente?
Sim, desde que credenciados pela Senatran e identificados via Carteira Digital de Trânsito.
6. A PPD vai mudar?
Não. A Permissão para Dirigir continuará valendo por um ano antes da CNH definitiva.
Considerações finais
As autoescolas não deixarão de existir, mas terão de se adaptar a um novo cenário de concorrência com instrutores autônomos e um mercado mais livre. Para os brasileiros, a novidade pode significar maior autonomia e liberdade de escolha, mas também exigirá responsabilidade e preparo individual para garantir que novos condutores estejam realmente aptos a dirigir.
Ainda em fase de consulta pública, o projeto não está em vigor, mas, se aprovado, pode entrar em prática em breve e alterar de forma profunda a relação dos brasileiros com a obtenção da CNH.
