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Possível fim da escala 6×1 alcançaria 2,6 milhões de trabalhadores no RJ, diz Sebrae

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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A possível mudança nas regras da escala de trabalho pode afetar diretamente o mercado de trabalho do Rio de Janeiro. Um levantamento do Sebrae-RJ, elaborado com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2025, aponta que mais de 2,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada no estado têm jornadas superiores a 40 horas semanais.

O grupo corresponde a 72,7% dos aproximadamente 3,6 milhões de vínculos formais considerados no estudo. Entre os profissionais potencialmente alcançados pelas alterações, cerca de 1,3 milhão trabalham em micro e pequenas empresas, segmento que pode enfrentar desafios específicos para reorganizar horários e manter o funcionamento dos negócios.

A proposta de redução da jornada máxima semanal para 40 horas e de encerramento da escala 6×1 reacende o debate sobre qualidade de vida, produtividade, custos empresariais e geração de empregos. Entretanto, é importante distinguir a proposta legislativa de uma regra já em vigor: os efeitos concretos dependem do texto aprovado, das regras de transição e da regulamentação aplicável.

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Como funcionaria o fim da escala 6×1?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A escala 6×1 é um modelo de organização do trabalho no qual o empregado trabalha durante seis dias e tem um dia de descanso. Esse formato é encontrado em atividades que exigem atendimento contínuo, como supermercados, lojas, hotéis, restaurantes e serviços de limpeza.

A proposta mencionada prevê uma redução gradual da jornada máxima semanal. Pelo cronograma descrito, o limite cairia inicialmente para 42 horas, dois meses após a publicação da norma, e chegaria a 40 horas depois de um ano.

Caso esse calendário seja mantido no texto definitivo, as empresas precisariam ajustar escalas, distribuir tarefas e avaliar a necessidade de contratar funcionários ou ampliar turnos. A implementação efetiva, contudo, depende da conclusão do processo legislativo.

O que muda para o trabalhador?

A redução da jornada pode proporcionar mais tempo para descanso, convivência familiar, estudo e atividades pessoais. Para quem trabalha seis dias por semana, a reorganização dos horários também pode representar uma mudança importante na rotina.

O impacto sobre a remuneração dependerá das regras definitivas. Uma redução da jornada não significa, por si só, que todos os trabalhadores receberão aumento salarial. É necessário observar as disposições legais, os contratos e as convenções coletivas aplicáveis.

Jovens e trabalhadores com menor escolaridade estão entre os mais afetados

Os dados do Sebrae-RJ indicam diferenças relevantes conforme a escolaridade e a faixa etária. Entre os trabalhadores com ensino fundamental incompleto, 85,6% têm jornadas superiores a 40 horas semanais. No grupo com ensino superior, o percentual é de 47,4%.

A diferença sugere que os profissionais com menor escolaridade estão proporcionalmente mais expostos às jornadas longas. Esse cenário pode estar relacionado à distribuição das ocupações entre os setores econômicos, embora os números, isoladamente, não expliquem todas as causas.

Os jovens também aparecem entre os grupos com maior participação nesse tipo de jornada. Na faixa dos 18 aos 24 anos, 81,8% trabalham mais de 40 horas semanais, o equivalente a aproximadamente 307 mil pessoas.

A composição racial apresenta outra diferença: 76,6% dos trabalhadores pardos e 75,7% dos pretos têm contratos acima de 40 horas. Entre os brancos, o índice é de 67,5%. Pretos e pardos representam, juntos, 59% dos trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas no levantamento.

Os homens correspondem a 62,1% desse contingente, ou cerca de 1,64 milhão de pessoas. Entre as mulheres com carteira assinada, 66,8% trabalham mais de 40 horas semanais, aproximadamente 1 milhão de profissionais.

Jornada maior não significa salário maior

Outro dado que chama a atenção é a diferença de remuneração média. Segundo o levantamento, trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas recebem, em média, R$ 3.158 por mês. Entre aqueles com contratos de 40 horas semanais, a média chega a R$ 8.098.

Esses números não demonstram que trabalhar menos horas provoque um salário maior. A remuneração também depende de fatores como ocupação, qualificação, setor econômico e nível de responsabilidade.

Além disso, 66,7% dos trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas recebem até dois salários mínimos. O tempo médio de permanência no emprego é de 51 meses, abaixo dos 64 meses registrados entre profissionais com jornada de 40 horas.

Comércio, hotéis e construção civil concentram jornadas longas

A distribuição por atividade econômica mostra que a mudança pode ter consequências importantes para setores que dependem de equipes presenciais e horários de atendimento extensos.

Segundo os dados apresentados pelo Sebrae-RJ, as maiores proporções de vínculos com jornadas superiores a 40 horas estão em hotéis, com 92,4%; comércio, com 92,2%; e construção civil, com 91,2%.

Entre as ocupações com maior número de trabalhadores nessa situação estão faxineiros, com 146,9 mil profissionais; vendedores do varejo, com 127,5 mil; e operadores de caixa, com 90,5 mil.

A categoria de atendentes de lojas e mercados também se destaca: 94,1% dos vínculos analisados apresentam jornadas acima de 40 horas semanais.

Para esses segmentos, a reorganização pode exigir escalas alternativas, contratação de funcionários para cobrir folgas, automação de tarefas e mudanças no horário de funcionamento. Pequenos estabelecimentos terão de avaliar essas alternativas considerando o volume de vendas e os custos operacionais.

Pequenas empresas podem precisar rever custos e escalas

Nas micro e pequenas empresas, 80,1% dos vínculos de emprego ultrapassam 40 horas semanais. Nas médias e grandes empresas, o percentual é de 66,6%.

A diferença também aparece no tamanho dos estabelecimentos. Entre os negócios com até quatro funcionários, 80,8% dos vínculos superam 40 horas. Nas empresas com 100 empregados ou mais, a proporção é de 64,9%.

O Sebrae-RJ recomenda que os empreendedores utilizem o período de transição para planejar as mudanças. Uma das prioridades é calcular o impacto da nova jornada sobre o caixa, considerando despesas com pessoal, cobertura de folgas e eventuais contratações.

Também pode ser necessário revisar preços, selecionar os produtos mais rentáveis e ampliar os canais digitais de venda. No comércio, por exemplo, pedidos pela internet e sistemas de gestão de estoque podem ajudar a reduzir tarefas operacionais, desde que sejam adequados ao negócio.

Capital concentra o maior número de trabalhadores afetados

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Imagem: rafapress / shutterstock.com

A cidade do Rio de Janeiro reúne aproximadamente 1,28 milhão de trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas semanais, o maior contingente entre os municípios fluminenses.

Proporcionalmente, porém, outras regiões apresentam índices mais elevados. O Centro-Sul lidera, com 88,1% dos celetistas nessa condição. Na sequência aparecem a Baixada Fluminense, com 84,7%; o Médio Paraíba, com 81,5%; a Costa Verde, com 81,4%; e a Região dos Lagos, com 80,5%.

Na capital, o percentual é de 67,1%.

Entre os municípios com pelo menos 5 mil trabalhadores com carteira assinada, Itatiaia registra a maior proporção, de 93,4%. Depois aparecem Paraíba do Sul, com 91%; Porto Real, com 89,2%; Magé, com 87,4%; e Barra do Piraí, com 87,3%.

Além da capital, Duque de Caxias concentra cerca de 131 mil trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas. Niterói aparece com 119 mil, seguida de São Gonçalo, com 78 mil.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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