A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1 e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, deve voltar ao centro dos debates no Senado Federal após o recesso parlamentar.
Escala 6×1 permanece em debate no Congresso; veja o que pode mudar
PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada para 40 horas semanais pode avançar no Senado em agosto. Entenda o que está em discussão.
A expectativa de parte dos senadores é de que a proposta avance durante os esforços concentrados previstos para agosto, período em que deputados e senadores se reunirão para votar matérias consideradas prioritárias, mesmo durante o calendário eleitoral.
Apesar da expectativa, o texto ainda precisa passar pelas etapas de tramitação no Senado antes de uma eventual promulgação.
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O que prevê a PEC da escala 6×1

A proposta altera a Constituição Federal para modificar a jornada máxima de trabalho dos empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Entre as principais mudanças estão:
- fim da tradicional escala de seis dias de trabalho para um dia de descanso (6×1);
- redução da jornada semanal de 44 para 40 horas;
- manutenção dos salários, sem redução da remuneração dos trabalhadores.
O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados.
Quando a PEC pode ser votada?
Ainda não há uma data oficial para a votação.
No entanto, parlamentares defendem que a análise ocorra durante os esforços concentrados previstos para:
- 10 a 14 de agosto;
- 31 de agosto a 3 de setembro.
Nesses períodos, Senado e Câmara deverão manter atividades legislativas mesmo durante a campanha eleitoral.
Governo defende votação ainda em agosto
O líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou recentemente que a proposta é uma das prioridades do Executivo.
Segundo o parlamentar, o objetivo é buscar consenso para que a votação aconteça o mais breve possível.
Mesmo com o calendário eleitoral, o Senado continuará funcionando em sessões presenciais e remotas durante os esforços concentrados.
Presidente do Senado busca diálogo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, vem promovendo reuniões com representantes de diferentes setores envolvidos no debate.
Entre os encontros realizados estão reuniões com:
- centrais sindicais, que defendem a rápida aprovação da proposta;
- representantes do setor empresarial, que pedem uma discussão mais ampla antes da votação.
O objetivo é reunir contribuições antes da definição do calendário definitivo de apreciação da PEC.
Parlamentares defendem aprovação da proposta
Entre os principais defensores da medida está o senador Paulo Paim (PT-RS).
Segundo ele, a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e contribuir para ganhos de produtividade, citando experiências observadas em outros países.
O senador Cleitinho (Republicanos-MG) também manifestou apoio ao avanço da proposta e defendeu que o tema seja tratado como prioridade pelo Congresso.
Há senadores que pedem mais debate
Apesar do apoio de parte dos parlamentares, outros defendem que a discussão seja aprofundada antes da votação.
O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), argumenta que mudanças dessa dimensão exigem análise técnica mais ampla e avaliação dos impactos econômicos.
Na mesma linha, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que pretende ouvir todos os setores envolvidos antes da votação definitiva.
Segundo ele, a discussão envolve questões relacionadas tanto aos direitos dos trabalhadores quanto à competitividade das empresas.
Quais argumentos são apresentados no debate?
O tema divide opiniões entre trabalhadores, empresários e especialistas.
Entre os argumentos apresentados por quem apoia a proposta estão:
- maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal;
- possibilidade de melhoria da saúde física e mental dos trabalhadores;
- aumento da produtividade;
- geração de novos postos de trabalho em alguns setores.
Já entre os principais pontos levantados pelos críticos da proposta estão:
- possível aumento dos custos para empresas;
- necessidade de contratação de mais funcionários em alguns segmentos;
- impactos sobre pequenos negócios;
- ausência de estudos considerados suficientes sobre os efeitos econômicos da mudança.
Esses argumentos continuam sendo debatidos durante a tramitação da PEC.
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Outras propostas também estão em análise

Além da PEC 221/2019, existem outros projetos relacionados à jornada de trabalho.
PEC 12/2026
Apresentada pelo senador Rogério Marinho, a proposta cria um modelo opcional de jornada flexível.
Nesse formato, trabalhador e empregador poderiam negociar diretamente a carga horária.
Benefícios como:
- FGTS;
- férias;
- décimo terceiro salário;
seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Projeto de Lei 1.838/2026
Encaminhado pelo Poder Executivo, o projeto estabelece:
- jornada máxima de 40 horas semanais;
- dois descansos semanais remunerados de 24 horas consecutivas.
Após a aprovação da PEC 221 na Câmara, o governo retirou o pedido de urgência desse projeto, que continua em análise pelos deputados.
O que acontece se a PEC for aprovada?
Como se trata de uma Proposta de Emenda à Constituição, a matéria precisa cumprir todas as etapas previstas no processo legislativo.
Caso seja aprovada pelo Senado nos mesmos termos em que saiu da Câmara, a PEC poderá ser promulgada pelo Congresso Nacional.
Se houver alterações no texto, a proposta retorna à Câmara dos Deputados para nova análise.
Até que todo esse processo seja concluído, as regras atuais da CLT permanecem em vigor, incluindo a jornada máxima de 44 horas semanais e a possibilidade de adoção da escala 6×1 conforme a legislação vigente.
O que trabalhadores e empresas devem acompanhar
A discussão sobre o fim da escala 6×1 deve permanecer entre os principais temas do Congresso nas próximas semanas.
Embora exista expectativa de avanço em agosto, ainda não há confirmação sobre a votação definitiva da proposta. Trabalhadores e empregadores devem acompanhar a tramitação oficial da PEC no Senado, já que qualquer mudança na legislação dependerá da aprovação final do Congresso Nacional e da promulgação da emenda constitucional.
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