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Campanha Nacional 2026 começa com financiários levando pautas prioritárias à mesa de negociação

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 10 min de leitura
Financiários

A primeira rodada da Campanha Nacional dos Financiários 2026 começou nesta quarta-feira (23), em São Paulo, com a apresentação das principais reivindicações da categoria à Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi). As propostas envolvem jornada de trabalho, teletrabalho, proteção contra demissões, uso de tecnologia, saúde, segurança e combate ao assédio.

A negociação ocorre no processo de renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos financiários. A pauta foi construída após consulta aos trabalhadores, discutida na Conferência Nacional dos Financiários e aprovada em assembleias realizadas em setembro. A nova data-base da categoria passa a ser 1º de outubro.

Entre os pontos que mais chamam atenção está a proposta de uma jornada de 20 horas semanais, distribuídas em quatro dias, sem redução salarial. Também estão em discussão regras específicas para o trabalho remoto, restrições ao monitoramento por imagem e áudio e a participação humana em decisões tomadas com auxílio de sistemas automatizados.

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O que está sendo negociado pelos financiários em 2026?

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A primeira reunião concentrou-se nos principais eixos da pauta apresentada pela representação dos trabalhadores. Pela manhã, foram discutidos assuntos como abrangência da CCT, contratação no ramo financeiro, redução da jornada, teletrabalho, homologações, proteção aos empregados desligados, tecnologia e terceirização.

A pauta não se limita às questões salariais. O documento também reúne reivindicações relacionadas à saúde, segurança, igualdade de oportunidades, prevenção ao assédio e condições de trabalho.

A pauta econômica aprovada anteriormente inclui pedido de reajuste salarial correspondente ao INPC acumulado entre 1º de outubro de 2025 e 30 de setembro de 2026, acrescido de 5% de aumento real. Para vale-alimentação e vale-refeição, a reivindicação é de INPC mais 7%, enquanto a proposta para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) prevê INPC mais 5%.

Jornada de 20 horas semanais está entre as principais reivindicações

Uma das propostas apresentadas pela categoria prevê a redução da jornada para cinco horas por dia, quatro dias por semana, totalizando 20 horas semanais.

A reivindicação estabelece que a mudança ocorra sem redução do salário ou da remuneração já recebida pelo trabalhador. A jornada poderia ser cumprida de segunda a sexta-feira, com intervalo de 20 minutos para refeição ou descanso incluído no período de trabalho.

É importante observar que essa proposta ainda não representa uma mudança aprovada para todos os financiários. Trata-se de uma reivindicação apresentada pelos trabalhadores e que depende do resultado das negociações com a representação patronal.

Como deve funcionar o teletrabalho?

Outro eixo da campanha trata das atividades realizadas fora das dependências das empresas. Os financiários reivindicam parâmetros mínimos para teletrabalho, trabalho em domicílio e trabalho remoto.

A proposta também prevê a formalização das condições desse tipo de prestação de serviço e a possibilidade de acordos específicos para definir o regime aplicável aos empregados que trabalham à distância.

A discussão ganha relevância porque o trabalho remoto envolve questões que vão além do local onde o empregado exerce suas funções, como controle de jornada, privacidade, fiscalização e responsabilidades da empresa.

Trabalhadores querem limites para o uso de tecnologia

A pauta também estabelece regras para o uso de tecnologias utilizadas pelas empresas na gestão e fiscalização do trabalho.

Entre as reivindicações está a adoção de princípios como finalidade, proporcionalidade, transparência, privacidade e proteção da intimidade, inclusive nas atividades realizadas remotamente. A proposta também relaciona essas regras à legislação vigente e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Os trabalhadores ainda reivindicam que empresas não façam captura de imagens ou áudios dos empregados como mecanismo de fiscalização da jornada durante o teletrabalho ou trabalho a distância.

Outro ponto prevê que decisões envolvendo avaliações, advertências e medidas disciplinares tenham avaliação humana, evitando que sejam determinadas exclusivamente por sistemas automatizados.

O que muda para quem for demitido?

A proteção no momento da rescisão também está entre os temas negociados.

A categoria reivindica que as rescisões contratuais sejam formalizadas no sindicato dos empregados, possibilitando a conferência dos direitos rescisórios. Também está prevista uma proposta de indenização especial para trabalhadores dispensados sem justa causa durante a vigência da CCT, conforme os critérios estabelecidos na pauta.

A proposta, portanto, busca criar mecanismos adicionais de acompanhamento da rescisão e de proteção ao trabalhador durante o período de vigência do novo instrumento coletivo.

Terceirização também entrou na pauta

A representação dos financiários apresentou reivindicações relacionadas à terceirização e à intermediação de mão de obra.

A proposta prevê a suspensão de projetos de terceirização, de determinadas contratações por empresas de intermediação e de transferências para empresas do mesmo grupo ou holding. Também há reivindicação para impedir a terceirização de atividades das financeiras e o enquadramento dos trabalhadores em categorias diferentes da dos financiários.

Saúde e segurança ganham espaço nas negociações

A segunda rodada, realizada na quinta-feira (24), avançou sobre temas relacionados à saúde, segurança, prevenção, assédio moral e sexual, discriminação e atuação sindical nos locais de trabalho. A próxima rodada está prevista para segunda-feira (28).

Entre as reivindicações está a manutenção da remuneração durante afastamentos por doença, por meio de complementação pela empresa. A proposta considera a diferença entre o benefício recebido do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a remuneração que o empregado receberia caso estivesse trabalhando, incluindo parcelas como salários, comissões, gratificações, adicionais e PLR.

A pauta também inclui medidas relacionadas à assistência médica, vacinação e seguro de vida durante períodos de afastamento.

Plano de saúde pode ter limite de 5% do salário

Uma das propostas apresentadas estabelece um limite de 5% do salário básico para empregados que optarem por planos de saúde superiores.

A categoria também reivindica o custeio ou reembolso integral de vacinas contra gripe e epidemias para empregados e dependentes. Para trabalhadores afastados por auxílio-doença previdenciário, a proposta prevê que a empresa mantenha o custeio integral do prêmio do seguro de vida.

Esses pontos ainda dependem de negociação e eventual acordo entre as partes.

O que está previsto para vítimas de assaltos?

A pauta também apresenta medidas específicas para trabalhadores que estiverem presentes em locais atingidos por assaltos.

A reivindicação inclui reajuste de 5% acima da inflação no valor da indenização por morte ou incapacidade permanente, além de atendimento médico e psicológico imediato aos empregados que estiverem no local da ocorrência.

Combate ao assédio e proteção contra discriminação

O combate ao assédio moral e sexual e à discriminação também está entre os assuntos da campanha.

Na rodada de 24 de setembro, os representantes dos trabalhadores defenderam mecanismos para prevenir essas práticas e garantir apuração adequada das denúncias. Também foi discutida a necessidade de aplicar efetivamente as Normas Regulamentadoras NR-1 e NR-17, especialmente em relação aos riscos psicossociais, à organização do trabalho e à ergonomia.

A proposta busca transformar a prevenção ao adoecimento e ao assédio em medidas concretas dentro das empresas, e não apenas em regras formais.

Quais outros direitos estão na pauta?

As reivindicações incluem ainda uma série de medidas relacionadas ao ambiente de trabalho e à proteção social.

Entre elas estão:

  • fornecimento e higienização gratuitos de uniformes;
  • regras para evitar o uso de logomarcas consideradas constrangedoras;
  • ampliação para 90 dias do prazo de comunicação aos sindicatos sobre o fim dos mandatos da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPAA);
  • ampliação do período de permanência no plano de saúde após demissão sem justa causa;
  • garantia expressa de direitos para casais em união estável homoafetiva;
  • medidas de proteção para mulheres vítimas de violência doméstica;
  • prioridade para transferência de unidade em determinadas situações;
  • flexibilização do horário de trabalho como medida de proteção.

No caso do plano de saúde após a demissão, a proposta estabelece períodos que podem variar de 180 a 390 dias, de acordo com o tempo de serviço do trabalhador.

Quando a nova Convenção Coletiva dos financiários entra em vigor?

A campanha está voltada à renovação da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria para o período de 2026 a 2028. A pauta foi aprovada pelos trabalhadores antes de ser entregue à Fenacrefi em 16 de setembro.

A partir de 2026, a data-base dos financiários passa a ser 1º de outubro. Isso significa que essa é a referência anual para as negociações relacionadas às condições econômicas e demais cláusulas da categoria.

Ainda não há, porém, um novo acordo definitivo para todas as reivindicações apresentadas. Os itens da pauta precisam ser negociados entre a representação dos trabalhadores e a entidade patronal.

O que acontece agora?

As negociações continuam entre a Comissão Nacional dos Financiários e a Fenacrefi. A próxima rodada está prevista para 28 de setembro, dando continuidade às discussões iniciadas nos dias 23 e 24.

Até que haja um acordo, propostas como a jornada de 20 horas semanais, novas regras de teletrabalho, limites ao monitoramento tecnológico e alterações nos benefícios devem ser tratadas como reivindicações em negociação, e não como direitos já concedidos.

Para o trabalhador, acompanhar as comunicações do sindicato e os resultados oficiais das mesas de negociação é a forma mais segura de saber quais propostas avançaram, quais foram alteradas e quais eventualmente serão incorporadas à nova CCT.

O que os financiários devem acompanhar nas próximas semanas?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Os principais pontos a observar durante a campanha são:

  1. Reajuste salarial e aumento real;
  2. Valores de vale-alimentação e vale-refeição;
  3. PLR;
  4. Proposta de redução da jornada para 20 horas semanais;
  5. Regras para teletrabalho e trabalho remoto;
  6. Proteção em caso de demissão;
  7. Limites para fiscalização e uso de sistemas automatizados;
  8. Medidas contra assédio e discriminação;
  9. Plano de saúde e benefícios durante afastamentos;
  10. Regras relacionadas à terceirização.

A pauta representa a posição negociadora dos trabalhadores. O conteúdo final da nova Convenção Coletiva dependerá do processo de negociação com a Fenacrefi.

Conclusão

A Campanha Nacional dos Financiários 2026 avança com reivindicações que envolvem jornada, remuneração, teletrabalho, saúde e proteção ao emprego. Entre os principais pontos estão a proposta de jornada de 20 horas semanais e novas regras para o trabalho remoto e o uso de tecnologias.

As propostas ainda estão em negociação com a Fenacrefi e podem sofrer alterações. As próximas rodadas deverão definir quais reivindicações avançarão e quais poderão fazer parte da nova Convenção Coletiva de Trabalho da categoria.

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