Fintech de Curitiba ajuda a Colômbia a criar seu próprio Pix
Inspirada na revolução que o Pix trouxe ao Brasil, a Colômbia acaba de dar um passo importante para modernizar seu sistema financeiro. O país lançou o Bre-B, primeiro sistema de pagamentos instantâneos colombiano, desenvolvido com apoio técnico da fintech brasileira Ebanx. O projeto é visto como um marco para a inclusão financeira e a digitalização da economia local.
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Fintech do Brasil colabora com o Banco Central da Colômbia no Bre-B, novo sistema de pagamentos instantâneos. Saiba como funciona.
Continue lendo para entender como essa parceria nasceu, como o novo sistema funciona e por que ele pode transformar o mercado colombiano.
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A parceria entre Brasil e Colômbia no Bre-B
O Banco Central da Colômbia (Banco de la República) iniciou o projeto Bre-B em outubro, após dois anos de planejamento e testes. Desde o lançamento, mais de 30 milhões de colombianos — o equivalente a 76% da população adulta — já estão cadastrados no sistema.
A fintech curitibana Ebanx foi convidada a integrar o comitê responsável por definir as diretrizes do Bre-B, ao lado de gigantes como o Nubank. A escolha não foi por acaso: fundada em 2012, a Ebanx se destacou internacionalmente por conectar empresas globais a consumidores de mercados emergentes por meio de soluções de pagamento digitais.
Com operações em mais de 20 países e cerca de 3,5 milhões de transações processadas diariamente, a fintech brasileira compartilhou com os colombianos lições valiosas aprendidas com o Pix, especialmente no campo da interoperabilidade e da prevenção a fraudes.
Como o Bre-B se diferencia do Pix
Embora o Bre-B tenha sido inspirado no Pix, ele não é uma cópia direta do modelo brasileiro.
A Colômbia optou por um modelo baseado em interoperabilidade, conectando sistemas de pagamento já existentes, como o Transfiya e o EntreCuentas. Assim, em vez de substituir métodos antigos, o Bre-B atua como uma camada que une diferentes plataformas financeiras — uma abordagem que reflete o perfil diversificado do mercado colombiano.
O papel da Fintech Ebanx no desenvolvimento
A Ebanx, uma das fintechs mais proeminentes da América Latina, teve papel decisivo na construção técnica do Bre-B. A empresa liderou grupos de trabalho dedicados a padronização, liquidação e mensageria do sistema.
Segundo Eduardo de Abreu, o foco foi aplicar os aprendizados obtidos no Brasil para ajudar a Colômbia a evitar obstáculos enfrentados na implementação do Pix:
“Fomos chamados a compartilhar a experiência que tivemos no Brasil com o Pix, especialmente os aprendizados sobre interoperabilidade e prevenção a fraudes. A Colômbia quis evitar os mesmos obstáculos e chegar mais rápido à fase de adoção em massa.”
Baseado em Curitiba, Abreu coordena equipes na América Latina, África e Ásia — e acompanhou o projeto colombiano desde seu início, em 2022.
Funcionamento do Bre-B e novos recursos
O Bre-B funciona como uma infraestrutura de integração nacional. Todos os bancos que aderirem ao sistema devem disponibilizar uma interface obrigatória chamada Zona Bre-B, que permite aos clientes:
- Gerenciar chaves de pagamento;
- Migrar contas entre instituições;
- Habilitar ou desabilitar endereços de pagamento;
- Acompanhar movimentações em tempo real.
Mais de 80 milhões de chaves já foram criadas — uma média de quase três por pessoa. O Banco Central colombiano também prevê novas funcionalidades até 2026, como o pagamento de impostos e contas públicas via Bre-B.
Por que o sistema é importante para a Colômbia
A chegada do Bre-B é um avanço crucial para a inclusão financeira no país. De acordo com o Banco Central, apenas 18% dos colombianos possuem cartão de crédito, e 42% recebem benefícios sociais por meio das chamadas Cajas de Compensación Familiar.
Agora, com o novo sistema, milhões de pessoas poderão realizar pagamentos instantâneos, comprar online e movimentar recursos com segurança.
A fintech Ebanx vê o Bre-B como uma oportunidade de ampliar sua atuação internacional e apoiar a digitalização de economias emergentes. Em 2024, mais da metade do volume processado pela empresa veio de fora do Brasil, e a Colômbia se destacou como um dos mercados de maior crescimento.
A revolução das Fintechs latino-americanas
O sucesso da Ebanx e a expansão do Bre-B refletem um fenômeno mais amplo: a consolidação das fintechs como protagonistas da inovação financeira na América Latina.
Essas empresas vêm democratizando o acesso a serviços bancários, reduzindo custos e estimulando a concorrência com grandes instituições tradicionais.
Entre as tendências que mais impulsionam o setor estão:
- Pagamentos instantâneos e digitais;
- Expansão de carteiras eletrônicas;
- Maior interoperabilidade entre bancos e fintechs;
- Avanços na segurança e prevenção a fraudes;
- Adoção de inteligência artificial para crédito e análise de dados.
A trajetória da Ebanx mostra como uma fintech brasileira pode se tornar referência global, ajudando países vizinhos a modernizarem suas infraestruturas financeiras.
Um futuro conectado pela tecnologia
O Bre-B marca o início de uma nova era para a Colômbia, em que pagamentos rápidos e acessíveis passam a fazer parte da rotina da população. Para a Ebanx e outras fintechs da região, o sucesso do sistema reforça a importância da cooperação entre inovação e regulação.
Como destacou Eduardo de Abreu:
“Os reguladores da região estão ansiosos para modernizar seus sistemas e se aproximar do avanço tecnológico que o Pix trouxe. A instantaneidade é um caminho sem volta.”
O avanço colombiano mostra que a transformação financeira na América Latina está apenas começando — e as fintechs serão as grandes protagonistas desse movimento.
Com informações de: Exame
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