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Flamengo, Corinthians e Palmeiras podem perder quase R$ 700 milhões sem as bets

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
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A proibição das casas de apostas no Brasil ameaça uma das principais fontes de receita comercial dos grandes clubes do futebol nacional. Flamengo, Corinthians e Palmeiras aparecem entre os mais afetados por uma mudança que pode retirar centenas de milhões de reais de seus orçamentos, segundo levantamento do economista Cesar Grafietti, elaborado a pedido do UOL e baseado no Relatório Convocados.

O estudo considera a retirada de receitas provenientes de patrocínios de empresas de apostas e de publicidade em placas nos estádios. Na simulação, o Flamengo registra a maior redução proporcional, seguido por Corinthians e Palmeiras. O impacto pode atingir o planejamento financeiro, a capacidade de investimento e as negociações comerciais dos clubes.

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Quanto Flamengo, Corinthians e Palmeiras podem perder com o veto às bets?

Flamengo
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Os três clubes concentram algumas das maiores receitas recorrentes do futebol brasileiro e mantinham relações comerciais relevantes com empresas de apostas. Com a retirada desses valores, o levantamento estima reduções expressivas no faturamento considerado.

Veja os números apresentados no estudo:

ClubeReceita considerada antesReceita ajustadaRedução estimada
FlamengoR$ 1,3 bilhãoR$ 967,2 milhões26%
CorinthiansR$ 879,4 milhõesR$ 681,4 milhões23%
PalmeirasR$ 733 milhõesR$ 570 milhões22%

O Flamengo teria a maior perda absoluta, estimada em R$ 334,5 milhões. No Corinthians, a redução seria de aproximadamente R$ 198 milhões, enquanto o Palmeiras deixaria de contar com cerca de R$ 163 milhões.

Os números representam uma simulação do impacto da retirada das receitas associadas às apostas, e não necessariamente uma perda já contabilizada nos balanços dos clubes. A diferença é relevante porque o resultado financeiro efetivo depende da duração da proibição, dos contratos envolvidos e da capacidade de encontrar novas fontes de financiamento.

Por que o veto às casas de apostas afeta tanto o futebol brasileiro?

As empresas de apostas ampliaram sua presença no futebol brasileiro nos últimos anos, investindo em patrocínios de camisas, publicidade nos estádios e outras formas de exposição de marca. A entrada desses recursos ajudou a elevar os valores dos contratos comerciais e se tornou parte do planejamento financeiro de diversas equipes.

Segundo levantamento citado em reportagem da Reuters publicada em setembro de 2026, os clubes da Série A receberam aproximadamente R$ 1 bilhão em receitas diretas de publicidade de casas de apostas em 2025. O montante representava quase 10% da receita recorrente total dos clubes, sem considerar outros investimentos publicitários ligados ao setor.

A dependência não se limita aos três times com maiores perdas. Quando um segmento inteiro deixa de patrocinar o esporte, vários clubes passam a disputar simultaneamente os recursos de outros anunciantes. Isso pode reduzir o poder de negociação das equipes e dificultar a reposição dos contratos encerrados.

O que mudou com a proibição das bets no Brasil?

A Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no território nacional. A medida também alcança a publicidade e os patrocínios relacionados a essa atividade.

Antes da proibição, o mercado já funcionava sob regras específicas de autorização e fiscalização. A Lei nº 13.756/2018 estabeleceu bases para as apostas de quota fixa, enquanto a Lei nº 14.790/2023 ampliou a estrutura legal aplicável às apostas esportivas e aos jogos on-line.

A mudança de setembro alterou esse cenário ao determinar a interrupção da atividade e das ações comerciais abrangidas pela medida provisória. Com isso, os clubes passaram a enfrentar incertezas sobre contratos, receitas previstas e alternativas para manter suas operações.

A situação jurídica e o futuro da medida dependem da tramitação no Congresso Nacional. Por isso, a duração da proibição é uma variável decisiva para calcular o impacto financeiro definitivo sobre o futebol.

Como a perda de patrocínios pode afetar os clubes?

A redução das receitas comerciais pode ter consequências que vão além da publicidade nas camisas. Os patrocínios ajudam a financiar despesas recorrentes, como salários, contratações, manutenção de estruturas esportivas e investimentos nas categorias de base.

Quando uma fonte relevante de recursos desaparece de forma abrupta, a diretoria precisa rever prioridades e avaliar quais compromissos podem ser mantidos sem comprometer o equilíbrio financeiro.

Menos dinheiro para contratações e salários

Uma das possíveis consequências é a revisão dos investimentos no elenco. Clubes com menor disponibilidade de caixa podem reduzir propostas por jogadores, adiar contratações ou negociar condições diferentes em renovações contratuais.

Também existe a possibilidade de aumentar a necessidade de vender atletas para gerar recursos. Essa decisão, porém, depende da situação financeira de cada equipe, da existência de propostas e das condições dos contratos.

Não é possível afirmar que os três clubes necessariamente farão cortes específicos. O que o levantamento evidencia é uma redução potencial importante na capacidade de financiamento, caso as receitas retiradas não sejam substituídas.

Pressão sobre o orçamento e o fluxo de caixa

O impacto também depende do momento em que os recursos deixariam de entrar. Um contrato previsto no orçamento anual pode ter parcelas distribuídas ao longo da temporada, e a interrupção desses pagamentos exige ajustes na programação financeira.

Clubes que já comprometeram receitas futuras com salários, direitos de imagem, premiações ou obrigações com fornecedores podem enfrentar dificuldades maiores para reorganizar as contas no curto prazo.

Por isso, o desafio não é apenas encontrar um novo patrocinador, mas substituir os recursos em tempo suficiente para evitar desequilíbrios operacionais.

Flamengo, Corinthians e Palmeiras podem substituir os patrocínios das bets?

A substituição é possível, mas não há garantia de que outros setores ofereçam contratos com valores equivalentes. O mercado de patrocínios depende do interesse das marcas, da audiência dos clubes, da exposição oferecida e das condições econômicas de cada empresa.

No caso de equipes com grande alcance nacional, setores como instituições financeiras, tecnologia, varejo, telecomunicações e empresas de consumo podem representar oportunidades comerciais. Entretanto, a negociação de um novo acordo exige tempo, análise de retorno e disponibilidade de orçamento dos anunciantes.

Outra alternativa é diversificar a carteira de patrocinadores, reduzindo a dependência de uma única categoria. Em vez de procurar apenas um contrato capaz de substituir integralmente os valores anteriores, os clubes podem combinar acordos menores, ações comerciais e novas propriedades de marketing.

Essa estratégia pode reduzir a exposição a mudanças regulatórias futuras, embora não elimine a dificuldade de repor rapidamente receitas de grande porte.

O que acontece se o veto durar apenas até dezembro de 2026?

O levantamento de Cesar Grafietti também considera um cenário em que a proibição permaneça em vigor somente até o fim de 2026. Nessa hipótese, as perdas são calculadas para o período de outubro a dezembro, e não para um ano inteiro.

Nesse cenário alternativo, Flamengo, Corinthians e Palmeiras teriam redução estimada de 6% nas receitas anuais de 2026. O resultado é inferior ao impacto projetado para uma retirada integral das receitas associadas às apostas, porque considera um período mais curto de interrupção.

A hipótese depende, contudo, de uma mudança no quadro jurídico, com a derrubada da medida provisória pelo Congresso. Não se trata de uma previsão confirmada de retorno dos patrocínios.

A diferença entre os dois cenários demonstra por que o desfecho político e jurídico é determinante para o planejamento dos clubes. Quanto maior o período sem esses recursos, maior tende a ser a necessidade de renegociar contratos, rever despesas e buscar novas receitas.

A proibição pode mudar o modelo de negócios do futebol brasileiro?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O impacto pode acelerar uma transformação que já vinha ocorrendo no mercado esportivo. A dependência de patrocinadores de um único setor deixa os clubes vulneráveis a mudanças regulatórias, oscilações econômicas e decisões empresariais.

A diversificação comercial passa a ter maior importância, assim como o desenvolvimento de receitas próprias. Programas de sócio-torcedor, venda de produtos oficiais, exploração de estádios, licenciamento de marcas e acordos com empresas de diferentes segmentos podem contribuir para reduzir essa concentração.

Essas alternativas, entretanto, têm limites. A receita obtida com produtos, ingressos ou mensalidades depende do tamanho da torcida, do engajamento dos consumidores, do desempenho esportivo e da capacidade de transformar audiência em faturamento.

Para Flamengo, Corinthians e Palmeiras, a dimensão de suas torcidas oferece oportunidades comerciais, mas não elimina a necessidade de planejamento. A prioridade será adaptar os orçamentos ao novo cenário sem comprometer a competitividade esportiva e a sustentabilidade financeira.

Conclusão

O veto às bets representa um desafio financeiro para Flamengo, Corinthians e Palmeiras, que estão entre os clubes mais expostos à perda de receitas com patrocínios e publicidade do setor. Segundo o levantamento de Cesar Grafietti, o impacto pode chegar a 26% da receita considerada do Flamengo, 23% do Corinthians e 22% do Palmeiras.

O tamanho das perdas dependerá da duração da medida e da capacidade das equipes de conquistar novos parceiros comerciais. Até que o cenário seja definido, os clubes precisarão rever seus planejamentos financeiros e buscar alternativas para preservar os investimentos no futebol. A mudança também reforça a importância de diversificar as fontes de receita e reduzir a dependência de um único segmento de patrocinadores.

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