Horas depois da operação da Polícia Federal que atingiu seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gerou polêmica ao usar suas redes sociais para sugerir que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspenda o tarifaço de 50% sobre importações brasileiras.
A postagem durou pouco: após intensa repercussão negativa, Flávio apagou o conteúdo e justificou a decisão afirmando que o tema “não está sob nosso controle”.
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O episódio escancara a tensão crescente entre o núcleo bolsonarista e o governo norte-americano após a imposição de barreiras comerciais pelos EUA ao Brasil.
Ao envolver-se diretamente na política externa americana, Flávio expôs, ainda que brevemente, a tentativa do clã Bolsonaro de vincular as recentes ações da Justiça brasileira a interesses internacionais.
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A operação contra Jair Bolsonaro e seus desdobramentos

Na manhã de sexta-feira (18/7), a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da operação que investiga irregularidades no entorno de Jair Bolsonaro.
O ex-presidente foi alvo de mandados de busca e apreensão e medidas restritivas, incluindo a determinação do uso de tornozeleira eletrônica. A ordem foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Investigação em curso
A operação se insere em um inquérito mais amplo, que apura a possível tentativa de obstrução da Justiça e ataques à democracia. Fontes da PF indicam que a movimentação ocorre em resposta a novas provas coletadas nos últimos meses, muitas delas resultantes de colaborações premiadas e interceptações legais.
Reação do núcleo bolsonarista
A ofensiva da PF gerou forte reação da base bolsonarista. Flávio, como senador e figura pública do grupo, tornou-se a voz mais ativa nas redes, ao menos nas primeiras horas após o anúncio das medidas.
Sua publicação direcionada a Donald Trump, no entanto, surpreendeu aliados e opositores pela tentativa de envolver diretamente o governo americano na disputa política brasileira.
O pedido de Flávio Bolsonaro a Trump
Em sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter), Flávio escreveu:
“O justo seria Donald Trump suspender a taxa de 50% sobre importações brasileiras e meter sanção individual em quem persegue cidadãos e empresas americanas, viola liberdades, usa o cargo público para violar direitos humanos e implodir a democracia de um país para satisfazer seu próprio ego”.
A mensagem foi publicada poucas horas após o fim da operação contra Jair Bolsonaro e rapidamente viralizou. A fala gerou críticas de especialistas em política externa, que consideraram o tom da postagem inadequado e perigoso para as relações bilaterais.
O que motivou o tarifaço de Trump?
Donald Trump, em seu novo mandato à frente da presidência dos Estados Unidos, decidiu aplicar tarifas de 50% sobre determinadas importações brasileiras, especialmente produtos do agronegócio e manufaturados de alto valor agregado.
A medida, segundo analistas, foi uma tentativa de proteger o setor industrial norte-americano, mas também carrega motivações políticas e geopolíticas.
Repercussão negativa e exclusão da postagem
A reação à publicação de Flávio Bolsonaro foi imediata. Em menos de duas horas, a mensagem acumulava milhares de interações negativas, incluindo críticas de parlamentares, analistas e até aliados do próprio senador.
O gesto foi interpretado como uma tentativa de internacionalizar a crise política e judicial do bolsonarismo, atribuindo a autoridades estrangeiras responsabilidade sobre decisões tomadas por instituições brasileiras.
A justificativa de Flávio
Após apagar a publicação, Flávio concedeu uma breve declaração à imprensa e confirmou que retirou o post por entender que a questão está fora da alçada do Congresso:
“É o tipo da coisa que não tá no nosso controle. O Trump faz o que tá na cabeça dele. Achei melhor tirar.”
Mesmo com a exclusão, a fala do senador foi amplamente repercutida, principalmente por ter sido vista como um sinal de desespero e tentativa de desviar o foco das investigações contra o pai.
A relação entre Trump e os Bolsonaro
Desde 2018, Jair Bolsonaro e Donald Trump mantiveram uma relação política de proximidade, marcada por encontros públicos, declarações de apoio mútuo e alinhamentos ideológicos. Essa conexão atravessou os respectivos mandatos e continuou mesmo após os períodos de afastamento político de ambos.
Um apoio em xeque
No entanto, com o retorno de Trump ao poder em 2025, o tom da relação mudou. A imposição do tarifaço, medida considerada agressiva por setores empresariais brasileiros, foi interpretada como um recado direto aos antigos aliados que agora enfrentam problemas judiciais em seus países de origem.
Apesar do discurso de solidariedade entre “governos conservadores”, Trump parece estar mais disposto a proteger interesses econômicos e geopolíticos dos EUA do que a manter fidelidade aos antigos parceiros.
Reações políticas no Brasil
O pedido de Flávio Bolsonaro foi alvo de reações dentro e fora do Congresso Nacional. Parlamentares da oposição e até da base governista ironizaram a publicação.
Parlamentares reagiram
- Senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP): “A política externa do Brasil agora é feita por postagens apagadas?”
- Deputado Orlando Silva (PCdoB-SP): “Flávio Bolsonaro tenta transformar crise familiar em questão diplomática. Inacreditável.”
- Senadora Soraya Thronicke (União-MS): “O desespero dos Bolsonaro beira a diplomacia de quinta categoria.”
Governo Lula mantém silêncio
Até o momento da publicação desta matéria, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não se pronunciaram oficialmente sobre o episódio. Internamente, membros do governo avaliam que responder ao senador poderia agravar ainda mais o nível de instabilidade política e diplomática.
Especialistas comentam os riscos do gesto
Analistas políticos e especialistas em relações internacionais alertam que a fala de Flávio Bolsonaro, ainda que apagada, pode trazer impactos negativos à imagem do Brasil no cenário externo.
Violações de conduta diplomática
Segundo a professora de Relações Internacionais da FGV, Carolina Pavese:
“Pedir publicamente que uma potência estrangeira interfira de maneira punitiva contra agentes internos de um Estado soberano representa uma afronta ao princípio da autodeterminação dos povos e fere o bom senso diplomático.”
Além disso, a tentativa de envolver os EUA em uma disputa judicial doméstica pode ser vista como desrespeito às instituições brasileiras.
Trump ignora pedido de Flávio Bolsonaro

Até o momento, o governo dos Estados Unidos não respondeu ao pedido do senador. Donald Trump, que vinha mantendo canais discretos com a diplomacia brasileira, ainda não se pronunciou publicamente sobre o assunto, nem sobre a operação que atingiu Jair Bolsonaro.
Fontes ligadas ao Departamento de Estado norte-americano indicam que a orientação é evitar qualquer tipo de envolvimento nas disputas internas do Brasil, especialmente diante da instabilidade política atual.
Conclusão
O pedido de Flávio Bolsonaro para que Donald Trump suspenda o tarifaço imposto ao Brasil, além de inoportuno, revelou o grau de tensão e desespero no núcleo familiar do ex-presidente após a operação da Polícia Federal.
Ao apagar a publicação, Flávio tenta estancar o desgaste político, mas o episódio já está registrado como mais um capítulo da crise enfrentada pelo bolsonarismo em 2025.
A politização das relações internacionais e a tentativa de desviar o foco das investigações com apelos públicos a líderes estrangeiros colocam em xeque a maturidade institucional do grupo.
A resposta americana — ou a ausência dela — também dirá muito sobre os novos rumos do relacionamento entre os dois países.
