Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Flávio diz que criará site para cadastrar fiscais de urnas eletrônicas em 2026

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
Deltran

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que pretende montar uma rede de pessoas para acompanhar a votação nas eleições de 2026. A proposta foi apresentada durante uma transmissão ao vivo realizada em 17 de setembro, quando o parlamentar afirmou que os interessados poderão se cadastrar em um site, passar por seleção, credenciamento e treinamento.

Segundo Flávio, a ideia é ter representantes espalhados pelo país para acompanhar principalmente os procedimentos realizados depois do encerramento da votação. Ele relacionou a iniciativa à necessidade, em sua avaliação, de evitar situações como um eleitor votar no lugar de outra pessoa.

A proposta ocorre a poucas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026, e coloca novamente em evidência a fiscalização do sistema eletrônico de votação. Mas existe uma diferença importante entre uma rede organizada por uma candidatura e os mecanismos oficiais de auditoria previstos pela Justiça Eleitoral.

Leia mais:

Bolsa Família não acabará, diz Flávio Bolsonaro

Como funciona a fiscalização das eleições

Eleições
Imagem: rafapress / shutterstock.com

A fiscalização das eleições brasileiras não depende exclusivamente da atuação de candidatos ou de seus apoiadores. O sistema possui procedimentos regulamentados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e permite a participação de partidos, federações, coligações e entidades fiscalizadoras em diferentes etapas.

O TSE mantém regras específicas para auditoria e fiscalização do sistema eletrônico de votação. Em 2026, a Resolução nº 23.758, aprovada em março, incorporou mudanças importantes, incluindo o Teste de Integridade com Biometria.

A própria Justiça Eleitoral também firmou, em junho, um acordo com partidos políticos envolvendo compromissos relacionados à integridade das eleições, à fiscalização, ao combate à desinformação e ao uso responsável de inteligência artificial.

Portanto, a fiscalização por representantes partidários já faz parte da estrutura eleitoral. A novidade anunciada por Flávio é a intenção de organizar uma rede própria de pessoas ligadas à sua campanha para acompanhar o processo.

O que acontece quando a urna é encerrada

Um dos momentos destacados pelo candidato é o encerramento da votação. Essa etapa possui procedimentos específicos e gera documentos que permitem conferir os resultados de cada seção.

Antes do início da votação, é emitida a zerésima, relatório que demonstra que não existem votos registrados na urna antes do começo dos trabalhos. Ao final, a urna imprime o Boletim de Urna (BU), documento que apresenta os votos registrados naquela seção.

O TSE informa que são impressas cinco vias obrigatórias do Boletim de Urna. Fiscais de partidos, federações e coligações podem acompanhar as etapas do encerramento e da remessa dos materiais à junta eleitoral.

O boletim é especialmente importante para a transparência porque permite conhecer o resultado daquela seção antes da totalização nacional. Os dados também são disponibilizados pelo TSE para consulta pública.

Biometria ajuda a identificar o eleitor

A biometria é outro mecanismo utilizado no processo eleitoral brasileiro. Ela permite confirmar a identidade do eleitor a partir de características biométricas previamente cadastradas.

É importante, porém, separar a função da biometria da apuração dos votos. A identificação biométrica serve para habilitar o eleitor a votar; ela não registra em quem a pessoa votou.

Além disso, a existência de biometria não elimina os demais procedimentos de conferência. O processo eleitoral possui diferentes camadas de verificação, desde a preparação da urna até a emissão do boletim ao término da votação.

Como funciona o Teste de integridade das urnas

O Teste de Integridade é uma das principais auditorias realizadas pela Justiça Eleitoral. O procedimento existe desde 2002 e compara votos previamente preenchidos em cédulas de papel com os resultados registrados pela urna submetida ao teste.

Em 2026, a regulamentação passou a prever duas modalidades: o teste tradicional, realizado em ambiente controlado, e o Teste de Integridade com Biometria, feito em locais próximos às seções eleitorais e com participação voluntária de eleitores.

Na modalidade com biometria, eleitores que concordarem em participar são habilitados na urna e podem acompanhar os procedimentos do teste. A norma determina que os trabalhos sejam documentados, com registros de horários, participantes, eventuais ocorrências e identificação dos materiais utilizados.

O TSE também informa que o teste é público e acompanhado por auditores, partidos políticos e entidades fiscalizadoras.

O que os fiscais podem fazer

A atuação de fiscais eleitorais não significa que essas pessoas possam interferir no funcionamento da urna ou modificar qualquer procedimento.

A legislação estabelece as condições de acompanhamento dos trabalhos eleitorais. Os fiscais podem observar etapas da votação e do encerramento, registrar ocorrências e acompanhar procedimentos previstos nas normas, mas não podem substituir mesários nem interferir na votação dos eleitores.

Nas áreas destinadas aos testes de integridade, por exemplo, a circulação é regulamentada e algumas atividades ficam restritas a pessoas previamente credenciadas.

Por isso, qualquer iniciativa privada de fiscalização precisa respeitar as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral e as atribuições legalmente previstas para cada participante.

O que muda com a proposta de Flávio Bolsonaro

flavio bolsonaro
Imagem: Reprodução

A declaração do candidato não cria, por si só, uma nova modalidade oficial de auditoria das urnas. O que foi anunciado é uma iniciativa de campanha para recrutar, selecionar e treinar pessoas interessadas em acompanhar a eleição.

Segundo Flávio, o grupo deverá atuar em diferentes regiões do país. Até o momento do anúncio, o site mencionado por ele ainda seria divulgado posteriormente.

A proposta também deve ser analisada à luz dos mecanismos que já existem. A Justiça Eleitoral possui procedimentos de auditoria, fiscalização partidária, testes de integridade, verificação dos sistemas, zerésima e boletim de urna.

Assim, o acompanhamento por representantes de uma candidatura pode funcionar como uma forma adicional de observação política do processo, mas não substitui as auditorias oficiais nem altera as regras de funcionamento das urnas eletrônicas.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Compartilhar