O mercado financeiro manteve a expectativa de inflação para 2026, mas voltou a reduzir a projeção para o crescimento da economia brasileira. Os dados aparecem no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 24 de agosto.
A mediana das projeções para o IPCA em 2026 permaneceu em 5,02%, enquanto a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto, o PIB, caiu de 1,98% para 1,95%. Para 2027, o mercado elevou levemente a previsão de inflação, de 4,24% para 4,25%.
O levantamento reúne semanalmente as expectativas de instituições financeiras e outros participantes do mercado. As projeções representam a visão dos analistas consultados e não uma previsão oficial do Banco Central.
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A previsão para o IPCA, principal indicador da inflação oficial do país, ficou em 5,02% para 2026 pela segunda semana consecutiva.
O número permanece acima do teto da meta contínua de inflação, cujo centro é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, uma inflação de 5,02% está acima do limite superior de 4,5%.
Para 2027, a projeção subiu de 4,24% para 4,25%. Já as expectativas para os anos seguintes continuaram em 3,80% para 2028 e 3,50% para 2029.
A estabilidade da projeção para este ano indica que o mercado ainda espera uma inflação elevada, embora a estimativa esteja abaixo dos 5,12% projetados quatro semanas antes.
Previsão para o PIB recua para 1,95%

A principal mudança da semana entre os indicadores acompanhados pelo Focus foi a revisão da expectativa para o crescimento da economia.
A projeção para o PIB de 2026 caiu de 1,98% para 1,95%. Para 2027, a previsão foi mantida em 1,50%. Já para 2028, houve alta na expectativa, de 1,89% para 1,98%, enquanto a estimativa para 2029 continuou em 2%.
A revisão para baixo sugere uma percepção de crescimento um pouco mais fraco neste ano. O cenário é acompanhado de perto pelo mercado porque juros elevados tendem a encarecer o crédito e podem reduzir o ritmo do consumo e dos investimentos.
Dados recentes do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, também apontaram desaceleração da atividade no segundo trimestre, com expansão de 0,2%, segundo informações divulgadas pelo Banco Central e citadas na cobertura do Focus.
Dólar segue projetado em R$ 5,20 para 2026
A expectativa do mercado para o câmbio no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20 por dólar, sem alteração pela décima semana seguida.
Para 2027, porém, a projeção avançou levemente de R$ 5,29 para R$ 5,30. As estimativas para 2028 e 2029 ficaram em R$ 5,30 e R$ 5,36, respectivamente.
É importante diferenciar essa projeção da cotação diária. O Focus apresenta uma expectativa para o encerramento de cada ano, e não informa quanto o dólar estará cotado em todos os dias de 2026 ou 2027.
Para consumidores, a trajetória do câmbio pode influenciar preços de produtos importados, combustíveis e diversos itens que utilizam componentes adquiridos no exterior.
Selic deve terminar 2026 em 13,75%
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A projeção para a taxa Selic no fim de 2026 foi mantida em 13,75% ao ano pela terceira semana consecutiva. Para 2027, a estimativa permaneceu em 12%.
Para os anos seguintes, o mercado continuou projetando Selic de 10,50% em 2028 e de 10% em 2029.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central na condução da política monetária. Taxas mais altas costumam encarecer empréstimos e financiamentos, mas também são utilizadas para conter a demanda e ajudar no controle da inflação.
Para quem investe, uma Selic elevada pode manter atrativos os investimentos de renda fixa atrelados aos juros, dependendo das condições de cada produto e da tributação. Já famílias e empresas com dívidas precisam considerar o custo do crédito, especialmente em contratos com taxas variáveis.
IGP-M tem projeções reduzidas

O Focus também registrou redução nas estimativas para o IGP-M. A previsão para 2026 caiu de 4,71% para 4,55%.
Para 2027, a estimativa passou de 4,10% para 4,09%. As previsões para 2028 e 2029 também recuaram, para 3,92% e 3,83%, respectivamente.
O IGP-M é um indicador diferente do IPCA e possui composição própria. Por isso, uma queda na expectativa para o IGP-M não significa necessariamente redução equivalente da inflação medida pelo IPCA.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



