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França estuda nova economia digital: quase 64% dos interessados dispostos a pagar com criptomoedas

Pesquisa da Kraken com 2.600 franceses revela que 63,29% estão dispostos a pagar com criptomoedas e 63,98% planejam comprar em breve. Confira!

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Bitcoin criptomoedas

Uma pesquisa nacional da exchange Kraken, concluída em junho de 2025 com 2.600 participantes, revela que 63,29% dos franceses interessados em criptomoedas afirmam estar dispostos a utilizá-las como meio de pagamento em seu cotidiano, reflexo de uma mudança comportamental profunda. Além disso, 63,98% planejam adquirir criptomoedas em breve, consolidando a tendência de adoção.

Ainda mais marcante: regiões como Occitânia e Grand Est superam até mesmo Paris (Île‑de‑France) em propensão cripto, sinalizando que a revolução digital avança fora dos grandes centros.

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Desilusão com o sistema financeiro e busca por autonomia

Finanças tradicionais em crise

Enquanto o governo francês enfrenta dificuldades para gerir dívidas e estimular o crescimento econômico, aumenta a percepção de que os instrumentos tradicionais não bastam. Segundo especialistas, as criptomoedas surgem como resposta à desconfiança institucional e como alternativa de reserva de valor e pagamento.

Adoção além dos ambientes urbanos

O entusiasmo nas regiões centrais do país demonstra que a adoção cripto não se limita à capital. Occitânia e Grand Est, por exemplo, apresentam maior disposição ao investimento e ao uso de criptoativos em comparação a Paris, o que sugere uma descentralização da confiança financeira.

Perfil dos franceses criptoativos: quem são e como pensam

Bitcoin criptomoedas
Imagem: stockphoto-graf / shutterstock.com

À frente da curva: detentores e transacionadores

  • 31,1% já possuem criptomoedas;
  • 32% realizaram transações nos últimos meses;
  • Cerca de 4% não veem a possibilidade de usar cripto como meio de pagamento.

Esses dados indicam que a adoção deixou de ser teórica e ganhou substância cotidiana.

Informação que circula entre amigos e apps

Impressivamente, 23,2% dos entrevistados confiam mais nos amigos como fonte de informação sobre cripto, ultrapassando as instituições convencionais. Apps como WhatsApp e Telegram são canais de troca frequente de dados sobre o mercado.

Cenários hipotéticos: o que fariam com €1.000 inesperados?

Cripto vira destino preferido

Diante da possibilidade de ganhar €1.000 do nada, 35,1% optariam por investir em criptomoedas, superando 27,6% que escolheriam ativos tradicionais como ações ou imóveis. Isso revela uma mudança de perspectiva quanto ao investimento e confiança no potencial dos criptoativos.

Indicadores complementares

  • 34% querem incluir criptomoedas em planos de poupança ou aposentadoria;
  • 75,7% consideram as criptomoedas “familiares”;
  • 62,7% destinaram parte ou totalidade de uma quantia imprevista para cripto;
  • 18% usam mensagens como principal canal informativo.

Desafios e infraestrutura necessária para adoção

Educação e regulação ainda estão em curso

Apesar do interesse crescente, o Kraken enfatiza que educação financeira e regulação clara são essenciais para tornar os criptoativos confiáveis e acessíveis à população em geral. O ‘Kraken Tour’, em 21 cidades francesas, busca suprir essas lacunas.

Bancos e plataformas pressionados a se adaptar

Produtos tradicionais como o Livret d’Épargne Populaire, oferecendo rendimento de 2,7%, enfrentam concorrência interna e externa. A taxa do Livret A cairá para 1,7% em agosto de 2025, e ainda não se sabe se os bancos conseguirão resistir à atração cripto.

França em contexto europeu: adesão e barreiras

Comparativos regionais

Dados da associação ADAN (com Deloitte e Ipsos) mostram que 10% dos franceses possuem criptomoedas, e 33% pretendem comprá-las em 2025, um crescimento acelerado em relação a anos anteriores. Entretanto, França ainda fica atrás de países como Itália (37%) e Holanda (30%) em índices de adoção.

Impacto regulamentar do MiCA

Enquanto a França busca estruturar sua adoção interna, os regulamentos europeus, como o MiCA, têm encarecido a operação de startups cripto. Isso representa risco de retração no ecossistema local, ainda que o potencial de mercado permaneça elevado.

Incentivos institucionais e movimentos do setor

Ações de bancos e fintechs

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Instituições como o groupe BPCE, segundo maior banco da França, planejam oferecer serviços Bitcoin a 35 milhões de clientes via Hexarq, subsidiária cripto licenciada pela AMF até 2025.

Além disso, o banco público Bpifrance destinou €25 milhões para incubar projetos blockchain e DeFi, reforçando a ambição nacional em inovação digital.

Societe Générale abre caminho regulatório

O banco Societe Générale, por meio da divisão SG Forge, foi um dos primeiros grandes bancos franceses a receber licença da AMF para custodiar e operar com ativos digitais, dando exemplo de transição institucional.

Um olhar crítico: riscos e preocupações emergentes

Segurança pessoal crescente preocupação

O aumento de ataques criminosos contra figuras proeminentes do setor cripto, como tentativas de sequestro no entorno de ataques virtuais, expõe uma nova urgência em proteção ao investidor e segurança física de influenciadores e credores cripto.

O que esperar: tendências e próximos passos

Catalisadores de adoção em curso

  • Expansão de plataformas de pagamento com suporte a criptomoedas;
  • Regulamentações nacionais alinhadas ao MiCA e práticas de segurança;
  • Parcerias entre bancos, fintechs e exchanges para integrar cripto no sistema financeiro;
  • Adoção regional como pilotos (Ex.: Cannes avançando para 90% dos comerciantes aceitarem cripto até verão de 2025).

Cenários possíveis

  1. Adoção acelerada: com infraestrutura robusta e regulação, até 2026 a França pode superar 20% de penetração entre usuários adultos.
  2. Crescimento moderado: retenção em nichos urbanos e regiões como Occitânia/Grand Est, mas sem expansão financeira massiva.
  3. Reversão parcial: volatilidades ou regulamentação rígida podem conter o avanço, reduzindo motivação dos investidores.

Conclusão: França em ponto de inflexão na era cripto

Bitcoin
Imagem: Freepik

A pesquisa da Kraken mostra uma população pronta para incorporar criptomoedas ao uso diário — 64% dos interessados aceitam pagá-las, e mais de 63% planejam comprar em breve. A adoção já não é especulativa, mas cultural.

Regiões como Occitânia e Grand Est destacam-se, tornando-se faróis de uma nova economia descentralizada. A expansão depende, porém, de infraestrutura, educação financeira, regulação efetiva e integração institucional.

Se houver alinhamento entre governos, bancos e plataformas — além de iniciativas como o Kraken Tour e licenciamento da AMF — a França tem potencial para liderar Europa Ocidental na adoção cripto sustentável.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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