Uma operação coordenada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) chocou o país nesta quarta-feira (8), ao encontrar 675 quilos de alimentos e bebidas impróprios para consumo, incluindo um frango congelado com validade vencida há oito anos. A apreensão ocorreu em Alecrim, na região noroeste do estado, e expôs práticas gravíssimas de armazenamento irregular e comércio ilegal de produtos alimentícios e farmacêuticos.
Ministério Público aprende frango vencido há 8 anos em armazém
Ministério Público do RS apreende frango vencido há 8 anos e 25 toneladas de alimentos e bebidas impróprios em Alecrim.
A ação faz parte de uma investigação mais ampla conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRS) e pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Porto Alegre, com apoio de diversos órgãos estaduais. O caso reacendeu o debate sobre a fragilidade dos mecanismos de controle sanitário e os riscos à saúde pública em regiões com menor fiscalização.
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Apreensão ocorreu em imóvel anexo a mercado
Estabelecimento sob suspeita
Segundo o MPRS, o alvo da operação foi um comerciante local, que armazenava os produtos de forma irregular em uma casa anexa ao mercado de sua propriedade. O local não apresentava condições adequadas de higiene, conservação ou temperatura.
Entre os itens apreendidos estavam:
- Vinho e cachaça sem origem conhecida;
- Leite, ovos e mel com suspeita de adulteração;
- Carne e queijo fora do prazo de validade;
- Feijão e banha armazenados sem qualquer controle sanitário;
- Unidades de álcool com venda proibida;
- Medicamentos vencidos e ilegais.
Frango vencido há 8 anos
O caso mais emblemático da operação foi o de um frango congelado com data de validade expirada em 2017, ou seja, há oito anos. O produto estava armazenado em freezer com acúmulo de gelo e sem etiqueta de refrigeração adequada. De acordo com os agentes da Patram (Patrulha Ambiental da Brigada Militar), o produto apresentava riscos extremos à saúde.
Operação continua ação iniciada um dia antes
Segunda fase de fiscalização
A ação de quarta-feira (8) deu continuidade à operação realizada na véspera (7), quando foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Alecrim. Na primeira etapa, os órgãos envolvidos já haviam recolhido aproximadamente 25 toneladas de produtos impróprios para consumo, o que inclui:
- 14 toneladas de bebidas com rótulos falsificados;
- Garrafas com validade vencida;
- Produtos sem registro nos órgãos de inspeção sanitária;
- Lotes com indícios de falsificação documental.
As equipes também encontraram depósitos clandestinos e documentos que podem comprovar a relação entre o comerciante e uma rede informal de distribuição de bebidas e alimentos adulterados.
Órgãos envolvidos na operação
A fiscalização foi realizada de forma conjunta por diversos entes do poder público, entre eles:
- Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS);
- Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Porto Alegre;
- Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRS);
- Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi);
- Secretaria Estadual da Saúde;
- Patram – Patrulha Ambiental da Brigada Militar.
A operação teve como foco o combate ao comércio de produtos alimentícios e farmacêuticos irregulares, e deve ter novas fases nos próximos dias, segundo o MPRS.
Riscos à saúde pública e penalidades previstas

Impacto à saúde do consumidor
A comercialização de alimentos vencidos, sem origem ou armazenados de forma irregular representa uma grave ameaça à saúde da população. O consumo desses produtos pode provocar:
- Infecções alimentares (como salmonela e listeriose);
- Intoxicações graves, principalmente em crianças e idosos;
- Reações adversas a medicamentos vencidos ou falsificados.
De acordo com a Secretaria da Saúde, o material recolhido será descarregado de forma segura, e os dados serão cruzados com sistemas de vigilância sanitária para identificar possíveis distribuidores e fornecedores.
Crimes e punições
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O comerciante poderá responder por uma série de crimes previstos no Código Penal e em legislações sanitárias, como:
- Art. 272 – Falsificação de produto alimentício;
- Art. 273 – Venda de substância imprópria para consumo;
- Art. 278 – Infração de medida sanitária preventiva;
- Lei 8.078/90 – Código de Defesa do Consumidor, que prevê pena de até cinco anos de prisão em casos de risco à saúde pública.
Além disso, haverá interdição cautelar do estabelecimento, e o proprietário poderá ser alvo de ação civil pública com pedido de indenização por danos coletivos.
Fiscalizações devem se intensificar no RS
O Ministério Público informou que, após os resultados da operação em Alecrim, será ampliado o cronograma de fiscalizações em outros municípios gaúchos, especialmente em cidades com histórico de denúncias anônimas e registros de produtos vencidos no comércio local.
A população pode colaborar por meio de denúncias via:
- Ouvidoria do MPRS;
- Aplicativo MP RS Cidadão;
- Disque-denúncia estadual 181.
Como o consumidor pode se proteger?

Diante de situações como essa, é fundamental que os consumidores estejam atentos aos seguintes sinais:
Dicas de prevenção
- Verifique sempre a data de validade dos produtos;
- Desconfie de preços muito baixos, especialmente em bebidas alcoólicas;
- Exija nota fiscal e informações sobre procedência;
- Não compre medicamentos em mercados ou locais não autorizados;
- Observe o estado de conservação dos alimentos (cor, cheiro, embalagem).
Se houver dúvida, entre em contato com a Vigilância Sanitária local ou faça denúncia ao Procon do seu estado.
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