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Ministério Público aprende frango vencido há 8 anos em armazém

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
Imagem da fachada do Ministério Público Federal

Uma operação coordenada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) chocou o país nesta quarta-feira (8), ao encontrar 675 quilos de alimentos e bebidas impróprios para consumo, incluindo um frango congelado com validade vencida há oito anos. A apreensão ocorreu em Alecrim, na região noroeste do estado, e expôs práticas gravíssimas de armazenamento irregular e comércio ilegal de produtos alimentícios e farmacêuticos.

A ação faz parte de uma investigação mais ampla conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRS) e pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Porto Alegre, com apoio de diversos órgãos estaduais. O caso reacendeu o debate sobre a fragilidade dos mecanismos de controle sanitário e os riscos à saúde pública em regiões com menor fiscalização.

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Imagem: David Tadevosian / Shutterstock.com

Apreensão ocorreu em imóvel anexo a mercado

Estabelecimento sob suspeita

Segundo o MPRS, o alvo da operação foi um comerciante local, que armazenava os produtos de forma irregular em uma casa anexa ao mercado de sua propriedade. O local não apresentava condições adequadas de higiene, conservação ou temperatura.

Entre os itens apreendidos estavam:

  • Vinho e cachaça sem origem conhecida;
  • Leite, ovos e mel com suspeita de adulteração;
  • Carne e queijo fora do prazo de validade;
  • Feijão e banha armazenados sem qualquer controle sanitário;
  • Unidades de álcool com venda proibida;
  • Medicamentos vencidos e ilegais.

Frango vencido há 8 anos

O caso mais emblemático da operação foi o de um frango congelado com data de validade expirada em 2017, ou seja, há oito anos. O produto estava armazenado em freezer com acúmulo de gelo e sem etiqueta de refrigeração adequada. De acordo com os agentes da Patram (Patrulha Ambiental da Brigada Militar), o produto apresentava riscos extremos à saúde.

Operação continua ação iniciada um dia antes

Segunda fase de fiscalização

A ação de quarta-feira (8) deu continuidade à operação realizada na véspera (7), quando foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Alecrim. Na primeira etapa, os órgãos envolvidos já haviam recolhido aproximadamente 25 toneladas de produtos impróprios para consumo, o que inclui:

  • 14 toneladas de bebidas com rótulos falsificados;
  • Garrafas com validade vencida;
  • Produtos sem registro nos órgãos de inspeção sanitária;
  • Lotes com indícios de falsificação documental.

As equipes também encontraram depósitos clandestinos e documentos que podem comprovar a relação entre o comerciante e uma rede informal de distribuição de bebidas e alimentos adulterados.

Órgãos envolvidos na operação

A fiscalização foi realizada de forma conjunta por diversos entes do poder público, entre eles:

  • Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS);
  • Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Porto Alegre;
  • Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRS);
  • Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi);
  • Secretaria Estadual da Saúde;
  • Patram – Patrulha Ambiental da Brigada Militar.

A operação teve como foco o combate ao comércio de produtos alimentícios e farmacêuticos irregulares, e deve ter novas fases nos próximos dias, segundo o MPRS.

Riscos à saúde pública e penalidades previstas

Funcionário com roupas de proteção trabalhando na empresa de frango
Imagem: Anton Mislawsky / Shutterstock

Impacto à saúde do consumidor

A comercialização de alimentos vencidos, sem origem ou armazenados de forma irregular representa uma grave ameaça à saúde da população. O consumo desses produtos pode provocar:

  • Infecções alimentares (como salmonela e listeriose);
  • Intoxicações graves, principalmente em crianças e idosos;
  • Reações adversas a medicamentos vencidos ou falsificados.

De acordo com a Secretaria da Saúde, o material recolhido será descarregado de forma segura, e os dados serão cruzados com sistemas de vigilância sanitária para identificar possíveis distribuidores e fornecedores.

Crimes e punições

O comerciante poderá responder por uma série de crimes previstos no Código Penal e em legislações sanitárias, como:

  • Art. 272 – Falsificação de produto alimentício;
  • Art. 273 – Venda de substância imprópria para consumo;
  • Art. 278 – Infração de medida sanitária preventiva;
  • Lei 8.078/90 – Código de Defesa do Consumidor, que prevê pena de até cinco anos de prisão em casos de risco à saúde pública.

Além disso, haverá interdição cautelar do estabelecimento, e o proprietário poderá ser alvo de ação civil pública com pedido de indenização por danos coletivos.

Fiscalizações devem se intensificar no RS

O Ministério Público informou que, após os resultados da operação em Alecrim, será ampliado o cronograma de fiscalizações em outros municípios gaúchos, especialmente em cidades com histórico de denúncias anônimas e registros de produtos vencidos no comércio local.

A população pode colaborar por meio de denúncias via:

  • Ouvidoria do MPRS;
  • Aplicativo MP RS Cidadão;
  • Disque-denúncia estadual 181.

Como o consumidor pode se proteger?

Pessoas trabalhando em uma fábrica de abate de frango.
Imagem: chinahbzyg / Shutterstock.com

Diante de situações como essa, é fundamental que os consumidores estejam atentos aos seguintes sinais:

Dicas de prevenção

  • Verifique sempre a data de validade dos produtos;
  • Desconfie de preços muito baixos, especialmente em bebidas alcoólicas;
  • Exija nota fiscal e informações sobre procedência;
  • Não compre medicamentos em mercados ou locais não autorizados;
  • Observe o estado de conservação dos alimentos (cor, cheiro, embalagem).

Se houver dúvida, entre em contato com a Vigilância Sanitária local ou faça denúncia ao Procon do seu estado.

Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

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