A gestão dos programas sociais do Brasil tem passado por uma ampla reestruturação desde o início do terceiro mandato do presidente Lula. À frente do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o ministro Wellington Dias vem promovendo uma série de mudanças para tornar os critérios de acesso aos benefícios mais rigorosos e transparentes.
Wellington Dias diz que encontrou fraudes nos programas sociais: “Era uma esculhambação”
Wellington Dias denuncia fraudes no Auxílio Brasil durante o governo Bolsonaro e prevê economia de R$ 7,7 bilhões com revisão de cadastros.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou nesta quarta-feira (7) que a gestão anterior dos programas sociais foi marcada por descontrole e fraudes.
A fala ocorre em meio à intensificação das ações de fiscalização e revisão dos cadastros dos programas sociais, com objetivo de garantir que os recursos públicos cheguem a quem realmente precisa e combater irregularidades que comprometem o sistema de proteção social.
Entrevista a programa de TV
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, o titular da pasta criticou a forma como o Auxílio Brasil, nome dado ao Bolsa Família durante o governo Bolsonaro, foi conduzido.
“Quando assumi, encontramos fraudes no Auxílio Brasil. Era uma esculhambação. Gente com documento falso, gente que já tinha morrido recebendo benefício”, declarou o ministro.
Rede de fiscalização foi retomada

Logo no início do governo Lula, foi reativada a Rede Federal de Fiscalização, com a participação de órgãos como a Polícia Federal (PF), a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo Dias, essa estrutura tem sido essencial para detectar e cancelar cadastros irregulares no Cadastro Único (CadÚnico).
A nova fiscalização trouxe resultados rápidos: milhares de benefícios foram cancelados sem contestação, indicando que muitos dos registros realmente estavam fora das regras.
Suspensões atingiram famílias unipessoais
Desde o início do mandato, o governo suspendeu mais de 2,4 milhões de benefícios de famílias unipessoais, ou seja, compostas por apenas uma pessoa. Essa categoria é considerada de maior risco para fraudes, já que o cadastro individual permite, em alguns casos, o uso de dados falsos.
Atualmente, o Bolsa Família atende 20,5 milhões de famílias, das quais 3,5 milhões são unipessoais.
Entrevista domiciliar agora é obrigatória
Em março, um novo decreto passou a exigir entrevista domiciliar para famílias unipessoais interessadas no Bolsa Família. A medida visa comprovar a condição real de vulnerabilidade e evitar que registros falsos voltem a comprometer os recursos públicos.
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Previsão de economia bilionária

Com essas e outras medidas de revisão cadastral, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) projeta uma economia de R$ 7,7 bilhões em 2025. Os recursos poupados poderão ser direcionados a famílias que realmente atendem aos critérios de renda e vulnerabilidade.
“Trabalhamos com o dinheiro do povo, e é nosso dever garantir que ele vá para quem realmente precisa”, ressaltou Wellington Dias.
Entenda o que mudou no Bolsa Família

Com a volta do Bolsa Família em 2023, diversas alterações foram feitas para reforçar os critérios de concessão do benefício:
- Entrevistas presenciais e visitas domiciliares;
- Maior cruzamento de dados com outros sistemas do governo;
- Exigência de atualização constante do CadÚnico;
- Restrição ao cadastro de múltiplas famílias no mesmo endereço.
Essas mudanças têm o objetivo de melhorar a focalização dos recursos públicos e garantir que o programa continue a atender quem mais precisa.
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