Dados alarmantes enviados pela Dataprev à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS revelam que mais de 5,7 milhões de brasileiros foram vítimas de descontos ilegais em seus benefícios previdenciários. O escândalo, que vinha sendo investigado desde o primeiro semestre de 2025, se consolida como uma das maiores fraudes já registradas no sistema previdenciário brasileiro.
Superfraude: 5,7 milhões são vítimas de irregularidades no INSS
CPMI do INSS revela que mais de 5,7 milhões de brasileiros denunciaram fraudes e descontos ilegais em benefícios previdenciários.
A maior parte dos atingidos afirma nunca ter autorizado qualquer desconto e desconhecer a origem das cobranças indevidas. Muitos dos que assinaram algum tipo de autorização dizem ter sido enganados por golpistas, com documentos falsificados ou promessas fraudulentas de vantagens e benefícios.
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Denúncias crescem e revelam esquema massivo
Os dados foram fornecidos ao Congresso Nacional pela Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev), braço tecnológico do governo federal, a pedido da CPMI. Segundo o relatório, mais de 5,7 milhões de denúncias foram registradas até setembro de 2025.
Os números surpreendem pela dimensão e mostram que o problema não está restrito a uma localidade, mas espalhado por todo o Brasil, afetando aposentados, pensionistas e outros segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Descontos sem autorização e falsificações documentais
Apesar do número exorbitante de vítimas, apenas 125.671 beneficiários confirmaram ter autorizado os descontos. No entanto, muitos alegam que foram levados a erro, com promessas de planos de saúde, seguros ou até mesmo facilidades para conseguir outros benefícios, quando na verdade estavam assinando adesões a associações e sindicatos desconhecidos.
Esse padrão de fraude tem sido reiterado em diversos depoimentos colhidos pela CPMI, e investigações apontam o envolvimento de intermediários, como despachantes, entidades de fachada e até funcionários públicos, que facilitavam o acesso aos dados dos segurados.
Ação da Polícia Federal desmontou parte do esquema

Em maio de 2025, uma operação da Polícia Federal desarticulou parte do esquema criminoso, revelando a existência de redes estruturadas para aplicar golpes em massa contra beneficiários do INSS.
Logo após a operação, o número de denúncias disparou: 2,5 milhões de pessoas reportaram descontos ilegais somente naquele mês.
No entanto, mesmo com o avanço das investigações e a visibilidade do caso na imprensa, os relatos não cessaram. Confira os números dos meses seguintes:
- Junho: 1,2 milhão de denúncias
- Julho: 1,3 milhão de denúncias
- Agosto: 514.827 denúncias
- Setembro: 267.827 novas denúncias
Esses dados mostram que o problema ainda não foi completamente sanado, apesar das medidas emergenciais anunciadas pelo governo.
Entidades suspeitas e a falta de regulação
A maior parte dos descontos está relacionada a entidades associativas, como sindicatos, cooperativas ou associações de aposentados, que oferecem supostos benefícios aos segurados, mas nunca prestam os serviços prometidos.
Essas entidades utilizavam brechas legais para inserir cobranças diretamente no benefício previdenciário, por meio da consignação autorizada no sistema do INSS.
Diversas delas sequer têm sede física ou canais de atendimento. Algumas funcionavam como “empresas fantasmas”, criadas apenas para desviar recursos dos aposentados.
Governo Lula sob pressão e resposta política
Com o avanço das investigações da CPMI do INSS, o governo Lula passou a enfrentar forte pressão política, tanto da oposição quanto da sociedade civil. O escândalo fere a credibilidade de um dos principais braços do Estado social brasileiro e atinge diretamente a base de apoio do governo: os aposentados e pensionistas.
O ministro da Previdência, Carlos Lupi, e a presidente do INSS, Alessandra Santiago, já foram convocados pela comissão para prestar esclarecimentos. O governo também foi obrigado a apresentar um plano de rastreamento de irregularidades e novas medidas de segurança digital.
Tentativas de solução e canais de denúncia
Em resposta ao escândalo, o governo federal criou um canal direto para contestação de descontos não reconhecidos, disponível no portal Meu INSS e no telefone 135.
Além disso, foi anunciada uma suspensão preventiva de novas consignações associativas até que se crie um novo marco regulatório com regras mais rígidas e sistema de autenticação dupla.
Como denunciar:
- Acesse: meu.inss.gov.br
- Ou ligue: 135 (Central de Atendimento INSS)
- Vá até a aba “Extrato de Pagamento” e verifique se há descontos desconhecidos.
- Caso haja, clique em “Não reconheço este desconto” e siga as instruções.
O papel da Dataprev e a vulnerabilidade dos dados
Um dos pontos mais sensíveis da investigação diz respeito à vulnerabilidade dos dados dos segurados, armazenados e operados pela Dataprev. A empresa, responsável por toda a tecnologia da Previdência, admitiu falhas na verificação de consentimento e na integração com os sistemas das associações.
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A CPMI estuda agora se houve vazamento de dados ou conivência interna. Há suspeitas de que funcionários terceirizados tenham vendido informações sensíveis a redes criminosas.
Projeto de lei quer endurecer regras de descontos
Diante do escândalo, tramita no Congresso o Projeto de Lei nº 3482/2025, que visa:
- Proibir consignações automáticas a entidades sem autorização expressa digital;
- Exigir biometria facial ou digital para novos descontos;
- Limitar o percentual de desconto a no máximo 5% do valor do benefício;
- Exigir prestação de contas periódica das entidades associativas.
A proposta tem apoio da Frente Parlamentar da Previdência Social e pode ser votada ainda em 2025.
Impacto social e psicológico nas vítimas
Muitos beneficiários relatam que os descontos indevidos, apesar de parecerem pequenos — entre R$ 20 e R$ 60 por mês —, comprometem o orçamento de quem vive com um salário mínimo. A sensação de impotência, a demora no estorno e o desgaste para denunciar aumentam o impacto psicológico.
Depoimentos colhidos pela imprensa:
“Quando vi que estavam descontando R$ 58 por mês, pensei que fosse algum seguro. Quando tentei cancelar, descobri que nunca tinha autorizado nada. Me senti lesada e humilhada.” — Maria Aparecida, aposentada de Minas Gerais.
“Tive que parar de comprar remédio por dois meses porque estava esperando resolver o desconto. O INSS dizia que não podia fazer nada.” — José da Silva, beneficiário do BPC.
Próximos passos da CPMI do INSS

A CPMI segue ouvindo depoimentos de vítimas, dirigentes de entidades suspeitas e técnicos do governo. Um relatório final está previsto para novembro de 2025, com recomendações de:
- Indiciamento de suspeitos por estelionato e fraude;
- Propostas de mudanças legislativas;
- Sugestões de novas práticas de compliance dentro do INSS.
O presidente da CPMI, senador Jorge Kajuru (PSB-GO), afirmou que “o Estado brasileiro tem que se desculpar com os aposentados e criar mecanismos de defesa eficientes e dignos”.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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