Rede D’Or e Fleury negam acordo formal, mas não descartam futura parceria
Possível fusão entre Rede D’Or e Fleury movimenta o mercado, apesar de negativas formais. Bradesco e BTG Pactual avaliam implicações.
Por Luiza Niewinski
A Rede D’Or (RDOR3) e o Fleury (FLRY3) negaram oficialmente a existência de tratativas formais de fusão, conforme informado em comunicados enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta segunda-feira, 21 de julho de 2025. A movimentação veio após a publicação de uma reportagem do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que indicava negociações entre os dois grupos com intermediação do Bradesco, maior acionista individual do Fleury.
Apesar da negativa, ambos os comunicados não excluem completamente a possibilidade de uma futura combinação de negócios. A Rede D’Or declarou que “está permanentemente avaliando oportunidades de expansão”, e o Fleury afirmou que “monitora constantemente o mercado”, indicando uma postura receptiva diante de eventuais propostas.
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Repercussão no mercado e impacto no setor de saúde
Os rumores de uma fusão entre os dois gigantes do setor de saúde geraram intensa movimentação no mercado financeiro. Especialistas enxergam uma forte complementaridade entre as operações da Rede D’Or, com foco em hospitais, e do Fleury, referência em diagnósticos médicos.
A possibilidade de criação de uma plataforma verticalizada — unindo serviços de diagnóstico e atendimento hospitalar — agrada analistas e investidores, que avaliam o potencial dessa combinação para aumentar a eficiência operacional e melhorar o atendimento ao paciente.
Análise do BTG Pactual reforça viabilidade estratégica
Em relatório divulgado no mesmo dia, o BTG Pactual afirmou que uma eventual fusão entre as empresas faria sentido estratégico, mesmo que o impacto no valor de mercado da Rede D’Or fosse limitado. O banco destacou que o movimento seria coerente com a estratégia da empresa de construir um ecossistema completo de saúde, com atuação mais expressiva no segmento de diagnósticos.
Segundo os analistas do BTG, os diagnósticos representam cerca de 20% dos custos no setor privado de saúde e ainda são pouco explorados pela Rede D’Or. O relatório também lembrou que a empresa já tentou entrar nesse segmento em 2021, por meio de uma proposta de aquisição da Alliar, que acabou não se concretizando.
Parceria com Bradesco pode facilitar aproximação
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
Outro fator relevante é o relacionamento atual entre a Rede D’Or e o Bradesco. Desde a fusão da Rede D’Or com a SulAmérica, o Bradesco tornou-se parceiro estratégico do grupo hospitalar, o que pode facilitar negociações com o Fleury, do qual também é o principal acionista.
A conexão por meio do Bradesco pode representar uma ponte decisiva para uma nova rodada de conversas entre os grupos, mesmo que, no momento, não existam documentos assinados ou compromissos formais em curso.
Potenciais sinergias e limites financeiros da operação
Embora as sinergias operacionais sejam promissoras — como a integração de sistemas, redução de custos administrativos e maior capacidade de captação de pacientes —, o BTG Pactual avalia que o impacto financeiro seria moderado.
A Rede D’Or possui um valor de mercado estimado em R$ 75 bilhões, enquanto o Fleury é avaliado em cerca de R$ 7 bilhões. Isso significa que, mesmo com uma aquisição bem-sucedida, os efeitos sobre o valuation da Rede D’Or seriam limitados, embora positivos no longo prazo, especialmente em termos de ganho de escala e diversificação de receitas.
Histórico de expansão da Rede D’Or sinaliza apetite por aquisições
A Rede D’Or tem se mostrado ativa em movimentos de expansão nos últimos anos. Além da tentativa frustrada de adquirir a Alliar, a companhia tem investido em novas unidades hospitalares, na digitalização de serviços e em aquisições regionais para fortalecer sua presença nacional.
Com uma sólida base de investidores e acesso facilitado ao crédito, a empresa tem condições de absorver uma operação como a do Fleury sem comprometer significativamente sua estrutura financeira.
Resposta cautelosa sinaliza movimentação estratégica no setor
Apesar das negativas formais emitidas pelas companhias, a resposta cuidadosa aos rumores e a postura aberta a oportunidades indicam que o mercado de saúde privado brasileiro pode estar prestes a passar por uma nova rodada de consolidação.
Especialistas destacam que fusões e aquisições se tornaram instrumentos importantes de competitividade, especialmente em um setor como o da saúde, marcado por altos custos operacionais e pressão por qualidade de atendimento.
Cenário segue aberto para uma futura combinação de negócios
Imagem: Jo Galvao / shutterstock.com
Embora a fusão entre a Rede D’Or e o Fleury ainda não tenha saído do papel, os elementos revelados até agora indicam que uma eventual negociação seria benéfica para ambas as partes e para o setor como um todo.
O envolvimento do Bradesco, o alinhamento estratégico apontado por analistas e o histórico recente da Rede D’Or apontam para um cenário em que uma futura combinação de negócios não pode ser descartada.
A movimentação reforça o dinamismo do setor de saúde no Brasil e a tendência de integração vertical como estratégia de fortalecimento e ampliação do mercado.
Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.