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EUA entram no outono com gasolina ainda cara e impacto no custo de vida

A gasolina nos Estados Unidos atingiu um nível recorde para o feriado de Labor Day, pressionando o orçamento das famílias e obrigando consumidores a rever viagens, deslocamentos e até planos de pagamento de dívidas. Em 7 de setembro, a média nacional chegou a US$ 4,15 por galão, segundo a AAA, superando com folga o recorde […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 11 min de leitura
Gasolina

A gasolina nos Estados Unidos atingiu um nível recorde para o feriado de Labor Day, pressionando o orçamento das famílias e obrigando consumidores a rever viagens, deslocamentos e até planos de pagamento de dívidas. Em 7 de setembro, a média nacional chegou a US$ 4,15 por galão, segundo a AAA, superando com folga o recorde anterior para o feriado, de US$ 3,82, registrado em 2012.

O aumento não está restrito aos motoristas. Combustíveis mais caros encarecem o transporte de mercadorias, pressionam outros preços e reduzem o dinheiro disponível para lazer, viagens e objetivos financeiros. Para algumas famílias, a alta já significa cortar despesas ou adiar planos.

A situação está relacionada principalmente à combinação entre a guerra envolvendo Estados Unidos e Irã, as dificuldades no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz e outras interrupções no mercado internacional de energia. A guerra entre Rússia e Ucrânia também continua afetando a oferta de combustíveis e a infraestrutura de refino.

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Quanto a gasolina subiu nos Estados Unidos?

Gasolina
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O preço médio nacional da gasolina comum chegou a US$ 4,1505 por galão em 7 de setembro, de acordo com a AAA. O valor representa uma diferença significativa em relação ao mesmo período de 2025, quando a média estava pouco acima de US$ 3,15.

A escalada também marcou o mês de agosto. Pela primeira vez, a média nacional permaneceu acima de US$ 4 por galão durante todo o mês, que se encaminhou para se tornar o agosto mais caro já registrado nos Estados Unidos.

A alta chegou depois de uma breve melhora. Em maio, a média nacional havia alcançado US$ 4,56 por galão, mas caiu durante algumas semanas antes de voltar a subir diante da valorização do petróleo e das incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz.

Por que o preço voltou a subir?

O principal fator é o petróleo bruto. Quando o custo da matéria-prima aumenta, as refinarias e os distribuidores enfrentam despesas maiores, que acabam chegando ao consumidor.

A instabilidade no Oriente Médio agravou o problema. O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas utilizadas para o transporte mundial de petróleo e derivados, e a redução do fluxo pela região aumentou a preocupação com a oferta global.

Em 3 de setembro, a AAA informou que o petróleo estava na faixa de US$ 90 por barril, enquanto a volatilidade na região permanecia elevada.

A situação se agravou novamente em 8 de setembro. Ataques contra instalações de energia na Arábia Saudita elevaram o Brent para perto de US$ 100 por barril e o WTI para quase US$ 95, aumentando a preocupação com uma nova pressão sobre os preços dos combustíveis.

O que a guerra tem a ver com o preço no posto?

A relação acontece principalmente por meio da oferta mundial de petróleo.

Mesmo que um motorista americano não compre petróleo diretamente do Oriente Médio, o combustível vendido nos Estados Unidos faz parte de um mercado internacional. Quando uma importante rota de transporte fica comprometida, compradores e vendedores passam a considerar um risco maior de falta de petróleo.

Esse risco pode elevar o preço do barril antes mesmo de ocorrer uma interrupção completa do abastecimento.

O mercado também enfrenta outros problemas. Ataques ucranianos contra refinarias russas reduziram a disponibilidade de derivados, enquanto restrições à produção e ao transporte em diferentes regiões aumentaram a pressão sobre diesel e gasolina.

Gasolina cara está mudando os planos das famílias

O impacto aparece de forma particularmente clara nas viagens.

Linda French, de 78 anos, pretendia dirigir de Jonesborough, no Tennessee, até Nova York para visitar o irmão, que se recupera de uma cirurgia no quadril, além das sobrinhas-netas e sobrinhos-netos.

O custo da viagem, porém, tornou o deslocamento inviável. As passagens aéreas também ficaram mais caras: o voo que ela havia realizado em março custava mais que o dobro alguns meses depois.

A alternativa encontrada foi manter o contato por chamadas de vídeo. Para ela, entretanto, a tecnologia não substitui o encontro presencial.

French também desistiu de viagens familiares planejadas para Washington, no Dia de Ação de Graças, e Nova York, no Natal, diante da perspectiva de que os combustíveis continuem caros.

Combustível mais caro também atrapalha quem está pagando dívidas

O problema não se limita a quem planeja viajar.

Colton Comstock, de 28 anos, voltou a morar com a família depois da faculdade para economizar dinheiro, comprar um imóvel e acelerar o pagamento de cerca de US$ 60 mil em empréstimos estudantis.

O plano ficou mais difícil porque ele percorre aproximadamente 75 milhas por dia, entre ida e volta, para trabalhar.

Com a gasolina mais cara, Comstock passou a gastar mais no posto e precisou reduzir o dinheiro adicional que destinava à dívida. Ao mesmo tempo, tenta preservar cerca de US$ 500 mensais para formar a entrada de uma casa.

O aumento dos combustíveis, portanto, cria um efeito indireto: uma parcela maior da renda é direcionada para uma despesa que não gera patrimônio nem reduz dívidas.

Até o lazer está sendo cortado

A pressão também chegou às atividades consideradas não essenciais.

Comstock costumava visitar a casa de campo da família, em Wisconsin, localizada a cerca de 160 quilômetros de distância. Neste verão, fez apenas uma viagem, em vez de várias.

O mesmo ocorre com consumidores que passaram a trocar passeios de carro por atividades dentro de casa ou no próprio bairro.

Para quem possui orçamento apertado, a gasolina funciona quase como uma despesa fixa. Não é possível simplesmente deixar de abastecer quando o carro é necessário para trabalhar, estudar ou levar familiares a compromissos.

A economia, então, costuma acontecer em outras áreas.

Famílias de renda menor sentem a pressão primeiro

O aumento do combustível ocorre ao mesmo tempo em que outros gastos permanecem elevados, como alimentação, eletricidade e moradia.

Linda Cook, moradora de New Paris, Ohio, é outro exemplo. A alta da gasolina, combinada com contas de energia elétrica maiores e aumento dos custos relacionados ao Medicare, fez com que ela reduzisse os gastos no supermercado.

Até atividades pessoais simples foram cortadas.

Em vez de viajar cerca de uma hora até um lago para se refrescar durante o verão, Cook passou a utilizar uma pequena piscina inflável no quintal.

A mudança pode parecer pequena, mas revela como a inflação dos custos básicos altera decisões que, individualmente, parecem insignificantes.

O problema não termina na gasolina

O diesel é outro ponto de preocupação.

Em setembro, o preço médio nacional do diesel atingiu aproximadamente US$ 5,85 por galão, um recorde.

O diesel tem papel central no transporte rodoviário de cargas, na agricultura, na construção e em diversas atividades econômicas. Quando o combustível utilizado por caminhões fica mais caro, o impacto pode aparecer posteriormente no preço de produtos transportados.

Isso cria um efeito em cadeia:

  • petróleo mais caro aumenta o custo das refinarias;
  • gasolina e diesel ficam mais caros;
  • transporte de pessoas e mercadorias encarece;
  • empresas enfrentam custos maiores;
  • parte dessas despesas pode ser repassada aos consumidores;
  • famílias ficam com menos renda disponível.

Por isso, a alta dos combustíveis é acompanhada de perto por economistas e autoridades monetárias.

Os preços devem continuar altos no outono?

A resposta ainda é incerta.

A expectativa de redução depois do verão existe porque a demanda por gasolina normalmente diminui com o fim da temporada de viagens. O próprio mercado futuro aponta para alguma possibilidade de queda nos preços.

O problema é que essa tendência pode ser anulada por novos acontecimentos geopolíticos.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que os contratos futuros indicavam possibilidade de redução dos preços nos meses seguintes, mas reconheceu que esse tipo de indicador pode mudar rapidamente.

Além disso, os acontecimentos de 8 de setembro mostram como o cenário continua volátil. A escalada no Oriente Médio voltou a pressionar o petróleo, justamente quando os preços dos combustíveis já estavam em níveis historicamente elevados.

Por que o fim do verão não garante gasolina mais barata?

Normalmente, o preço da gasolina começa a perder força depois do verão americano porque diminui a quantidade de pessoas viajando de carro.

Em 2026, porém, o comportamento foi diferente.

A AAA observou que, apesar da redução sazonal da demanda, o petróleo caro continuou mantendo os preços elevados. A entidade apontou que a média nacional ultrapassou US$ 4 por galão durante todo o mês de agosto.

Isso significa que uma queda na demanda pode ajudar, mas não necessariamente será suficiente para compensar uma nova disparada do petróleo.

O que pode fazer a gasolina cair?

Três fatores seriam particularmente importantes.

Redução das tensões no Oriente Médio

Uma melhora significativa no conflito envolvendo Estados Unidos e Irã poderia reduzir o prêmio de risco incorporado ao petróleo e melhorar as condições de transporte pelo Estreito de Ormuz.

Maior oferta de petróleo

Mais produção mundial ou recuperação de instalações afetadas por conflitos ajudaria a aumentar a disponibilidade de petróleo e derivados.

Queda da demanda

Se os consumidores dirigirem menos, o consumo de gasolina diminui. Com menor demanda, as refinarias e distribuidoras podem enfrentar menos pressão para manter preços elevados.

O problema é que nenhum desses fatores está garantido neste momento.

O que o consumidor americano pode fazer?

Para quem precisa continuar dirigindo, algumas medidas podem reduzir parcialmente o impacto.

Pesquisar preços antes de abastecer é uma das alternativas mais simples. Também pode ajudar concentrar deslocamentos, evitar viagens desnecessárias e utilizar transporte coletivo quando houver uma opção economicamente vantajosa.

Para quem está planejando uma viagem de carro, comparar o custo total com passagens aéreas ou transporte ferroviário pode revelar que a alternativa mais barata mudou.

Também é recomendável considerar o gasto com combustível dentro do orçamento mensal, em vez de tratá-lo como uma despesa variável sem limite.

A alta da gasolina pode afetar a economia americana?

Sim.

O combustível ocupa uma posição estratégica na economia porque está ligado tanto ao consumo das famílias quanto à produção e ao transporte.

Quando os americanos gastam mais para abastecer o carro, sobra menos dinheiro para restaurantes, lazer, compras e outros serviços. Para empresas, combustíveis mais caros podem aumentar custos operacionais.

O impacto pode ser ainda maior quando a alta do petróleo ocorre simultaneamente ao aumento de outros gastos essenciais.

É justamente essa combinação que transforma um problema aparentemente restrito aos postos de combustível em uma questão mais ampla de poder de compra.

O que esperar nos próximos meses?

Gasolina
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O comportamento da gasolina dependerá principalmente da evolução dos conflitos e do mercado internacional de petróleo.

A situação em torno do Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de atenção. Ao mesmo tempo, os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre refinarias e exportações continuam contribuindo para a pressão sobre os combustíveis.

Por enquanto, os americanos entram no outono com um cenário incomum: a demanda sazonal tende a diminuir, mas os riscos de oferta continuam elevados.

Para consumidores como Linda French, isso significa adiar encontros familiares. Para outros, pode significar reduzir viagens, postergar a compra de uma casa ou diminuir o ritmo de pagamento de dívidas.

A gasolina cara, portanto, deixou de ser apenas uma questão sobre quanto custa encher o tanque. Ela passou a interferir diretamente nas escolhas financeiras e pessoais de milhões de americanos.

Conclusão

A alta da gasolina nos Estados Unidos já afeta mais do que o abastecimento dos carros: viagens são canceladas, dívidas avançam mais lentamente e famílias cortam gastos para equilibrar o orçamento.

Nos próximos meses, os preços dependerão principalmente dos conflitos no Oriente Médio e da oferta global de petróleo. Enquanto as tensões persistirem, o combustível caro deve continuar pressionando o bolso dos americanos.

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