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Gasolina com 35% de etanol acende alerta para motoristas; veja possíveis impactos

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
gasolina peso 1

O governo federal iniciou uma nova etapa de estudos para avaliar a chamada gasolina E35, combustível que terá 35% de etanol anidro e 65% de gasolina. A mistura, porém, ainda não foi liberada para venda nos postos.

Atualmente, a gasolina comum e a aditivada comercializadas no país utilizam temporariamente a E32, com 32% de etanol anidro. A proporção entrou em vigor em 1º de agosto de 2026 e tem duração prevista de 180 dias, com possibilidade de prorrogação.

A possibilidade de chegar à E35 está prevista na Lei do Combustível do Futuro, mas a elevação depende de comprovação de viabilidade técnica. O novo programa de testes deverá justamente investigar aspectos que exigem avaliação de longo prazo, incluindo consumo, emissões, desempenho e durabilidade de componentes.

Isso significa que o motorista não precisa procurar gasolina E35 atualmente. O combustível disponível nos postos continua sendo o E32.

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Reprodução/Canva.com

O aumento do percentual de etanol altera características do combustível utilizado pelo motor. Isso não significa, automaticamente, que a E35 provocará danos nos veículos.

Os testes oficiais realizados para a E32, por exemplo, avaliaram veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina e observaram partida, marcha lenta, aceleração, retomadas, dirigibilidade e adaptação dos sistemas eletrônicos. Segundo o Ministério de Minas e Energia, não foram identificados impactos relevantes no funcionamento dos veículos analisados.

Para a E35, entretanto, a avaliação precisa ser mais abrangente. O próprio governo estabeleceu estudos específicos para verificar a durabilidade dos componentes e os efeitos do uso prolongado de misturas superiores.

Carros antigos exigem mais atenção

Veículos antigos movidos exclusivamente a gasolina podem apresentar maior sensibilidade a mudanças na composição do combustível, principalmente quando utilizam tecnologias de alimentação e materiais desenvolvidos décadas atrás.

Nos modelos equipados com carburador, por exemplo, a regulagem da mistura entre ar e combustível é muito menos flexível do que nos sistemas modernos controlados eletronicamente. Uma alteração na composição pode exigir ajustes para manter o funcionamento adequado.

Também merecem atenção componentes do sistema de combustível, como mangueiras, vedações, bomba, tanque e peças metálicas. O risco efetivo, contudo, depende do projeto de cada veículo, do estado de conservação e dos materiais utilizados.

Por isso, não é correto afirmar que todo carro antigo será danificado pela E35. A própria necessidade de testes de durabilidade existe justamente porque os efeitos podem variar conforme o modelo e a tecnologia empregada.

E os carros mais novos?

Nos automóveis modernos, a injeção eletrônica e a unidade de controle do motor conseguem ajustar parâmetros de funcionamento a partir das informações fornecidas pelos sensores.

Isso oferece maior capacidade de adaptação à composição do combustível. Os veículos flex, em particular, foram projetados para trabalhar com diferentes proporções de gasolina e etanol e possuem gerenciamento eletrônico específico para essa característica.

Já um veículo desenvolvido exclusivamente para gasolina pode ter uma faixa de operação diferente. Dependendo do projeto, alterações na mistura podem influenciar consumo, desempenho ou funcionamento de determinados componentes.

Outro ponto importante é que maior quantidade de etanol não significa necessariamente menor autonomia em todos os veículos. O etanol possui menor densidade energética por volume do que a gasolina, mas o resultado final depende do motor, da calibração eletrônica, das condições de condução e da própria composição do combustível.

Quais peças estão sendo avaliadas?

Os testes de E35 têm importância justamente porque não basta verificar se o motor liga e funciona normalmente durante alguns quilômetros. A durabilidade ao longo do tempo também precisa ser considerada.

Entre os componentes que podem receber atenção estão o sistema de alimentação, bomba de combustível, injetores, materiais de vedação, mangueiras, tanque e outros elementos que permanecem em contato com o combustível.

Em motores antigos com carburador, a análise também precisa considerar a compatibilidade dos componentes e a necessidade de eventuais ajustes.

Já em veículos com injeção eletrônica, uma eventual alteração de funcionamento pode aparecer por meio de sintomas como marcha lenta irregular, falhas de ignição ou aumento do consumo. Esses sinais, porém, não comprovam que o combustível seja a causa. Manutenção atrasada, velas desgastadas, bicos sujos e problemas de sensores também podem produzir sintomas semelhantes.

E35 vai chegar aos postos?

Governo etanol brasil
Imagem: prakob/Shutterstock

Ainda não há autorização para substituir o E32 pelo E35 na gasolina comercializada normalmente.

A legislação permite que a mistura de etanol anidro chegue a até 35%, mas exige comprovação de viabilidade técnica antes de uma eventual mudança. O Conselho Nacional de Política Energética é responsável pela decisão regulatória sobre o percentual.

O projeto de pesquisa que envolve a avaliação de misturas maiores foi estruturado para produzir dados sobre desempenho, motores, consumo, eficiência energética, emissões e qualidade dos combustíveis. A iniciativa conta com participação de órgãos públicos, instituições de pesquisa e representantes do setor.

Portanto, a realização dos testes não significa que a gasolina E35 será obrigatoriamente adotada. O resultado das avaliações será um dos elementos utilizados para uma decisão posterior.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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