Na quarta-feira (9 de julho de 2025), a GMX, exchange descentralizada (DEX) especializada em futuros perpétuos entre blockchains, anunciou ter sido vítima de um grave ataque de reentrada em uma versão inicial (V1) da plataforma.
Exploração na GMX: DEX perde R$ 220 milhões em ataque de reentrada e anuncia recompensa
A GMX, exchange descentralizada, teve uma versão inicial explorada por ataque de reentrada, perdendo cerca de R$ 220 milhões em BTC, ETH e stablecoins.
O explorador desviou aproximadamente US$ 40 milhões (cerca de R$ 220 milhões) em ativos, incluindo Bitcoin, Ethereum, stablecoins e tokens como Uniswap e Chainlink. Em resposta, a GMX desativou negociações V1 e funções de cunhagem e resgate de GLP, o token de liquidez do sistema.
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O que ocorreu: ataque de “reentrada” no GMX V1
Conversão dos fundos e desativação imediata
O investimento foi executado através de um ataque clássico de reentrada, uma vulnerabilidade onde o invasor consegue enganar contratos inteligentes para cunhar tokens repetidamente sem débito efetivo de ativos.
Conforme levantamento da GMX e da firma de segurança PeckShield, o criminoso pode ter manipulado o contrato via múltiplas chamadas dentro de um único bloco, ignorando saques e inflando artificialmente o saldo do pool GLP.
Principais ativos levados no golpe
Os valores desviados englobam:
- US$ 10 milhões em Bitcoin;
- US$ 10 milhões em USDC;
- US$ 8,5 milhões em Ethereum;
- US$ 1 milhão em USDT;
- Tokens como Uniswap e Chainlink.
Após o evento, a oferta de GLP subiu drasticamente, mas o valor em real dos fundos desapareceu do pool.
Mecanismo técnico e contexto

Falha de lógica que permitiu múltiplas cunhagens
Conforme detalha Suhail Kakar (TAC), o invasor explorou a lógica de GLP que não validava saques anteriores dentro da mesma transação:
“O invasor poderia enganar o contrato, fazendo-o pensar que não havia sacado nada — e cunhar mais tokens repetidamente, usando os mesmos fundos base.”
Além disso, a carteira envolvida foi financiada via Tornado Cash, ferramenta de mistura de ETH que dificulta rastreamento e já é alvo de sanções nos EUA.
Vulnerabilidade histórica na DeFi
Ataques deste tipo não são inéditos. O mais icônico foi o hack da DAO em 2016, que resultou em perda de US$ 55 milhões via falha semelhante de reentrada.
Reações da GMX e medidas emergenciais
Suspensão de funcionalidades para mitigar danos
A equipe da GMX desativou de imediato:
- Negociações de GMX V1;
- Cunhagem e resgate de tokens GLP nas redes Arbitrum e Avalanche.
O intuito é impedir novas emissões fraudulentas e conter a perda de liquidez.
Recompensa e oferta de retorno ético
A GMX publicou no X (Twitter) uma oferta possivelmente inédita: recompensa white‑hat de 10% do valor capturado, equivalente a R$ 22 milhões. O valor seria devolvido em até 48 horas, sem ações judiciais adicionais, se o invasor colaborar.
Comunidade reage e alertas de segurança
Recomendações de cautela
PeckShield destaca que a vulnerabilidade pode afetar forks da plataforma e recomenda atenção redobrada. A GMX orientou os usuários a:
- Desabilitar alavancagem no V1;
- Parar de cunhar tokens GLP.
Enquanto isso, usuários em grupos no Telegram questionam sobre possíveis reembolsos e informações sobre a investigação, que será divulgada assim que concluída.
Impacto no token GMX e no mercado
Queda de 30% no preço do token GMX
O valor do token GMX caiu quase 30%, sendo negociado por volta de US$ 11 após o ataque, refletindo o choque entre o mercado.
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Reflexão sobre segurança no DeFi
Apesar de a GMX ter robustez comparável aos protocolos mais consolidados da cadeia Arbitrum e Avalanche, esse incidente acende um alerta sobre como falhas no design lógico de contratos podem causar perdas massivas, mesmo sem invasão de código propriamente dito.
Comparativo com outros ataques a protocolos GMX
Exploits anteriores de menor porte
Em 2022, uma exploração de US$ 565 mil ocorreu em GMX no par AVAX/USD via Avalanche, atribuída a manipulação de oráculos com spreads zero.
Já em março de 2025, um incidente envolvendo $v13 milhões em ETH (6.260 ETH) ocorreu em Abracadabra/Spell, que usa pools da GMX V2. Nesse caso, a GMX destacou que seu smart contract não foi comprometido, sendo o problema isolado ao protocolo Abracadabra.
Próximos passos da GMX e do setor DeFi
Auditoria e correção de segurança
A GMX já iniciou investigação técnica profunda e planeja relatório público detalhado assim que o processo for concluído.
Implementações essenciais
Espera-se que sejam adotadas:
- Correções nos contratos para evitar reentrância;
- Testes de auditoria extensivos em V1 e forks;
- Revisão da lógica de cunhagem e resgate de GLP.
O que devem fazer os usuários agora
- Evitar negociar ou usar GLP V1;
- Monitorar canais oficiais para atualizações;
- Habilitar alertas em aplicativos (guardar notícias);
- Ficar atentos às versões V2, que aparentemente não foram afetadas.
Considerações finais

O ataque à GMX V1 expõe novamente os riscos operacionais na DeFi: embora os contratos inteligentes sejam seguros, a lógica financeira subjacente também precisa de rigor. A detecção rápida, bloqueio da exploração, oferta de recompensa white‑hat e investigação completa mostram maturidade e comprometimento da GMX.
Fica o alerta: no universo cripto, as falhas podem custar milhões, mas a reação proporcional — como a oferecida pela GMX — pode ajudar a preservar confiança e segurança nesse ecossistema.
