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Banco do Brasil (BBAS3): Goldman Sachs revisa preço-alvo para R$ 23 diante de desafios no crédito rural

Goldman Sachs reduz preço-alvo e estimativas de lucro do Banco do Brasil após aumento da inadimplência no agro.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
dividendos

O Banco do Brasil (BBAS3) segue enfrentando um dos cenários mais desafiadores dos últimos anos. Após a divulgação dos resultados abaixo do esperado no primeiro trimestre de 2025, a deterioração da carteira de crédito rural acendeu o sinal de alerta em casas de análise nacionais e internacionais. O mais recente movimento veio do Goldman Sachs, que rebaixou o preço-alvo das ações de R$ 25 para R$ 23 e fez cortes expressivos nas projeções de lucro e dividendos.

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Imagem: Freepik e Canva

Reação do Goldman Sachs: queda nas projeções de lucro

Nova avaliação do BBAS3

Em linha com outras instituições financeiras, o Goldman Sachs manteve recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil, mas reduziu o preço-alvo para R$ 23, o que ainda representa um potencial de valorização de 8% em relação às cotações atuais, além de um dividend yield projetado de 6%.

Motivos para o corte nas projeções

O principal motivo da revisão negativa é o agravamento da inadimplência na carteira de crédito rural, que vem aumentando de forma consistente:

  • De 0,5% no 4T22 para 3,0% no 1T25
  • Tendência de alta também prevista para o segundo trimestre

Além disso, o banco americano destaca que as provisões para perdas com crédito (PCLD) seguem defasadas em relação ao aumento da inadimplência, exigindo ajustes significativos nos próximos trimestres.

Impacto nas expectativas de lucro e ROE

Queda generalizada nas estimativas

O Goldman Sachs reduziu suas projeções de lucro líquido recorrente para o BB em:

  • 22% para 2025
  • 12% para 2026
  • 4% para 2027

Com isso, o lucro projetado para 2025 caiu para R$ 25,6 bilhões, valor 31% abaixo da faixa inferior do guidance anterior, que está em revisão pela administração do banco.

Expectativa para o ROE

A expectativa é que o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) atinja o fundo do poço no 2T25, em 11,9%, recuperando-se gradualmente nos anos seguintes:

  • 13,6% em 2025
  • 16,4% em 2026
  • 17,3% em 2027

Esses números ficam abaixo da média de mercado para os dois primeiros anos, mas superam ligeiramente o consenso para 2027, segundo dados da Bloomberg.

Pressão sobre os dividendos: o risco de um payout menor

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Revisão da política de distribuição

Diante da redução da lucratividade e da pressão sobre o capital regulatório, o Goldman Sachs projeta que o payout do Banco do Brasil cairá para 30% em 2025, com uma possível recuperação gradual nos anos seguintes.

Cenário atual x projeção do Goldman

  • Payout atual: Entre 40% e 45%, conforme orientação da administração.
  • Nova projeção do Goldman: 30%, para garantir preservação de capital.

Motivo da mudança

O principal motivo para a expectativa de corte nos dividendos é a necessidade de o banco reforçar sua base de capital, mantendo o índice de capital CET1, atualmente em 11,0%, em um nível considerado adequado, porém modesto, para enfrentar os desafios da carteira de crédito.

Efeitos no dividend yield

Caso a previsão do Goldman se concretize, o dividend yield (DY) da ação BBAS3 pode recuar de 9,6% para cerca de 7,2%, segundo simulações feitas por analistas de mercado.

Inadimplência rural: o calcanhar de Aquiles do Banco do Brasil

Exposição acima da média dos pares

O Banco do Brasil possui 33% de sua carteira de crédito voltada ao agronegócio, contra apenas 7% no Bradesco e 3% no Santander Brasil. O Itaú, por sua vez, não divulga o percentual exato, mas é estimado que o valor seja próximo aos dos pares privados.

Perfil da carteira agro

Outro agravante é o perfil da carteira agrícola do BB:

  • 96% da carteira é composta por produtores individuais, um público historicamente mais exposto a variações climáticas e de mercado.
  • Em comparação, os bancos privados têm aproximadamente 50% de exposição a produtores individuais.

Formação de NPLs

No 1T25, a formação de créditos inadimplentes (NPLs) atingiu R$ 14,3 bilhões, o que representa 5,2% da carteira média de crédito. A deterioração é atribuída a uma combinação de fatores:

  • Safras excessivas entre 2021 e 2022
  • Flutuações nos preços das commodities após a guerra na Ucrânia
  • Eventos climáticos extremos entre 2023 e 2024
  • Crescente número de pedidos de recuperação judicial por parte de produtores rurais

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Expectativas de mercado: desancoradas e em compasso de espera

Visão do JPMorgan

Segundo relatório recente do JPMorgan, as expectativas do mercado em relação ao Banco do Brasil estão desancoradas, com investidores ainda aguardando maior clareza sobre os lucros futuros e o ciclo de deterioração da qualidade dos ativos.

A instituição também destacou preocupações com:

  • Desaceleração da concessão de crédito
  • Incertezas quanto ao novo Plano Safra
  • Capacidade efetiva de recuperação de garantias
  • Pressões políticas, com o governo tentando ampliar sua aprovação antes das eleições

Comparações com o ciclo de recuperação do Bradesco

O JPMorgan fez uma analogia com o ciclo de deterioração e recuperação vivido pelo Bradesco, que levou cerca de dois anos para voltar a patamares considerados saudáveis.

Posição dos investidores institucionais

Mesmo com o valuation atrativo, muitos investidores seguem com posição underweight (venda) para o Banco do Brasil, preferindo esperar sinais mais consistentes de recuperação.

Destaque para os pares: Nubank, Bradesco e Itaú

Nubank: assimetria positiva na América Latina

O JPMorgan avalia que o Nubank continua sendo uma das melhores assimetrias positivas entre os bancos da América Latina, com:

  • Crescimento acelerado de crédito no Brasil e México
  • Expansão da margem financeira (NII)
  • Projeção de crescimento do lucro por ação (CAGR) de 30%

Bradesco: desconto atrativo e recuperação de ROE

O Bradesco (BBDC4) segue como favorito entre investidores europeus, com destaque para:

  • Grande desconto no P/VPA frente ao Itaú
  • Projeção de ROE acima de 18% no médio prazo
  • Melhoras operacionais com uso de ativos fiscais diferidos (DTAs)
  • Meta de redução do índice de eficiência (cost-to-income) para 40% até 2028

Itaú: foco no crescimento de receita

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

No caso do Itaú, a aposta de investidores está mais voltada ao crescimento de receita e eventuais surpresas positivas no controle de custos, com expectativa de aumento do lucro por ação nos próximos trimestres.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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