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OAB emite alerta contra golpes de IA que simulam autoridades

Saiba como se proteger dos golpes de IA que simulam autoridades. Veja alerta da OAB e adote medidas preventivas. Leia mais!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Imagem de prédio da OAB entre arvores

Nos últimos anos, a tecnologia tem proporcionado avanços significativos na comunicação e na automação de processos. No entanto, o mesmo progresso que trouxe benefícios também abriu espaço para novas formas de golpes cada vez mais sofisticados.

No Brasil, um dos esquemas mais recentes e preocupantes é o chamado golpe do falso advogado, que ganhou notoriedade após a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) emitir um alerta nacional.

Essas fraudes utilizam recursos de inteligência artificial (IA) para simular vozes, rostos e até gestos de autoridades jurídicas, como advogados, promotores e juízes. A estratégia é simples, mas perigosa: criar uma aparência de legitimidade para enganar vítimas e extorquir dinheiro.

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Como funciona o golpe do falso advogado

Imagem: Freepik

Estratégia inicial dos criminosos

O golpe geralmente começa com uma ligação telefônica ou mensagem de texto. Os criminosos se apresentam como advogados, muitas vezes citando nomes reais de profissionais registrados na OAB. Em seguida, relatam supostos processos judiciais envolvendo a vítima ou algum parente próximo.

Simulação de autoridades

Para dar mais credibilidade, os golpistas expandem a farsa, fingindo ser promotores de Justiça ou até juízes. Em alguns casos, os criminosos chegam a organizar “audiências virtuais falsas”, com vídeos manipulados por tecnologia deepfake, para convencer a vítima de que está diante de uma autoridade real.

Pressão psicológica

Uma característica marcante desses golpes é a pressão psicológica. O criminoso cria um senso de urgência, alegando que a vítima precisa realizar pagamentos imediatos para evitar multas, prisões ou bloqueios de bens. O medo e a ansiedade tornam a vítima mais vulnerável à manipulação.

Papel da inteligência artificial nesses golpes

Deepfakes cada vez mais realistas

A IA tem ampliado a capacidade dos criminosos de criar áudios e vídeos falsos altamente convincentes. Com softwares disponíveis até mesmo em versões gratuitas, é possível clonar vozes de advogados reais e gerar vídeos que imitam expressões faciais de autoridades.

Dificuldade de identificação

O grande desafio é que essas manipulações se tornam quase imperceptíveis para o cidadão comum. Uma ligação com a voz de um suposto juiz, por exemplo, pode parecer legítima, principalmente quando acompanhada de dados pessoais da vítima obtidos em vazamentos.

Riscos éticos e legais

Além de expor a população, esse fenômeno levanta debates sobre ética na tecnologia e a necessidade de regulamentação mais rígida. O uso indevido da IA para fins criminosos coloca em xeque a confiança em instituições e autoridades.

Alerta da OAB e a preocupação das autoridades

A OAB tem acompanhado o avanço desses golpes e reforça que nenhum advogado ou autoridade judicial solicita pagamentos ou transferências bancárias diretamente por telefone ou aplicativos de mensagem. O alerta serve como orientação tanto para a população quanto para os próprios profissionais do direito, que também podem ter suas identidades falsamente usadas.

A entidade defende maior cooperação entre órgãos de segurança pública, empresas de tecnologia e o Judiciário para combater o uso criminoso da inteligência artificial.

Como se proteger contra o golpe do falso advogado

Medidas de prevenção para cidadãos

  1. Verifique a identidade: confirme sempre quem está fazendo contato. Busque o número oficial do escritório ou tribunal antes de acreditar em qualquer narrativa.
  2. Não forneça dados pessoais: desconfie de pedidos de informações como CPF, endereço ou contas bancárias.
  3. Evite transferências imediatas: nenhum processo judicial legítimo exige depósitos emergenciais por telefone.
  4. Cheque canais oficiais: utilize os sites dos tribunais e órgãos públicos para confirmar eventuais processos.
  5. Mantenha a calma: golpistas exploram o medo e a urgência. Desconfie de pressões para agir rapidamente.

Boas práticas para advogados e profissionais do direito

  • Divulgar apenas contatos oficiais nos canais institucionais.
  • Orientar clientes sobre os canais corretos de comunicação.
  • Monitorar possíveis usos indevidos do nome ou da imagem em redes sociais.

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Papel das autoridades no combate ao crime

Além da conscientização, as autoridades públicas têm a responsabilidade de intensificar o monitoramento de crimes digitais. Investimentos em cibersegurança, campanhas educativas e fortalecimento de leis contra o uso criminoso da IA são medidas essenciais.

A Polícia Federal e a Polícia Civil já investigam diversos casos, mas a velocidade de adaptação dos criminosos exige respostas cada vez mais ágeis.

Impacto social e econômico dos golpes digitais

Esses golpes não afetam apenas as vítimas diretamente lesadas. O fenômeno gera perda de confiança nas instituições jurídicas e financeiras, além de movimentar milhões de reais em fraudes por ano.

Outro ponto preocupante é o impacto psicológico nas vítimas, que muitas vezes enfrentam ansiedade, vergonha e até depressão após caírem em golpes digitais.

Caminhos para uma cultura de segurança digital

Criminosos criam site falso do IPVA e aplicam golpes em contribuintes
Imagem: Canva

O combate a esses crimes passa pela construção de uma cultura de segurança digital. Isso envolve:

  • Educação continuada: escolas, empresas e órgãos públicos devem incluir a segurança cibernética em suas pautas.
  • Parcerias público-privadas: união entre Estado e empresas de tecnologia para detectar deepfakes e desinformação.
  • Regulamentação tecnológica: leis que responsabilizem quem cria ou distribui conteúdos falsificados de forma criminosa.

Conclusão

O golpe do falso advogado mostra como a inteligência artificial, quando mal utilizada, pode se transformar em uma arma poderosa nas mãos de criminosos. O alerta da OAB é um chamado para que cidadãos, autoridades e profissionais do direito redobrem a atenção.

Mais do que nunca, é necessário unir educação, tecnologia e fiscalização para que a IA seja usada como ferramenta de progresso, e não de fraude.

Imagem: Diego Grandi / Shutterstock

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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