Golpes com biometria facial crescem 41,6% no Brasil, afetando milhares de brasileiros
A crescente utilização de tecnologias biométricas em instituições bancárias, serviços públicos e transações comerciais tem facilitado o cotidiano dos brasileiros, mas também tem atraído a atenção de criminosos. Golpes envolvendo dados como reconhecimento facial, impressões digitais e voz estão se tornando cada vez mais frequentes, impactando milhares de vítimas em todo o país.
De forma cada vez mais sofisticada, golpistas conseguem driblar sistemas de autenticação e realizar transações em nome de terceiros, o que tem gerado prejuízos financeiros e desafios jurídicos para as vítimas.
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Como os golpistas utilizam dados biométricos?
Técnicas de engenharia social continuam em alta
Criminosos têm se especializado em obter dados biométricos por meio de técnicas de engenharia social. Em muitos casos, os golpistas se passam por funcionários de bancos, empresas de recrutamento ou órgãos públicos, solicitando que a vítima envie uma foto ou vídeo realizando movimentos específicos do rosto. Esse tipo de abordagem permite a simulação de reconhecimento facial em plataformas digitais.
Além disso, há registros de tentativas por mensagens ou ligações telefônicas em que o criminoso já possui parte das informações da vítima, como nome completo ou CPF, e tenta confirmar dados adicionais, como nome da mãe ou endereço. A vítima, acreditando se tratar de uma verificação legítima, acaba fornecendo as peças que faltavam para a montagem de um perfil completo.
Quais os prejuízos causados pelos golpes?
Abertura de contas, empréstimos e financiamentos indevidos
Com o uso fraudulento de dados biométricos, golpistas conseguem abrir contas bancárias digitais, contratar empréstimos consignados e até mesmo financiar veículos. As vítimas geralmente só descobrem a fraude ao receberem cobranças inesperadas ou serem negativadas por dívidas que nunca contraíram.
Essas ocorrências não apenas geram impactos financeiros imediatos, mas também colocam o cidadão em um processo burocrático para provar que foi vítima de um golpe — o que pode levar meses.
Como se proteger contra golpes biométricos?
Cuidados com fotos, vídeos e compartilhamento de informações
A principal medida de prevenção é a atenção redobrada com a exposição de imagens e vídeos em redes sociais ou aplicativos desconhecidos. Evite enviar fotos do rosto em alta resolução para plataformas não verificadas e nunca atenda pedidos de vídeos com movimentos específicos sem confirmar a veracidade do contato.
Além disso, não forneça dados pessoais por telefone ou mensagens, mesmo que o atendente tenha algumas informações sobre você. Empresas sérias raramente solicitam esse tipo de dado por esses meios.
Desconfie de ofertas tentadoras
Golpes também costumam se esconder atrás de falsas promessas de emprego, sorteios ou distribuição de cestas básicas. Esses anúncios têm como principal objetivo atrair vítimas para coletar seus dados e imagens.
Verifique sempre a identidade de atendentes
No caso de abordagens presenciais, como visitas de supostos agentes de saúde, é essencial confirmar se essas pessoas estão devidamente identificadas com crachás e uniformes oficiais. Em caso de dúvida, entre em contato com os canais de atendimento da instituição ou órgão responsável.
O que fazer se for vítima de um golpe?
Passo a passo para agir rapidamente
- Consulte o Registrato – Acesse a plataforma do Banco Central para verificar se há contas, cartões ou empréstimos em seu nome.
- Entre em contato com os bancos – Notifique imediatamente a instituição financeira onde a fraude ocorreu.
- Registre um boletim de ocorrência – Pode ser feito online ou presencialmente em uma delegacia da Polícia Civil.
- Notifique órgãos competentes – É possível formalizar denúncia à Polícia Federal, ao Ministério Público e à SaferNet Brasil.
Essas etapas são essenciais para contestar as movimentações fraudulentas e impedir que novos golpes sejam realizados.
Como o Comprova pode ajudar?
Verificação de conteúdos e denúncias via WhatsApp
O Comprova, iniciativa que reúne veículos jornalísticos para verificar informações, também atua no combate à desinformação e golpes digitais. O grupo monitora conteúdos suspeitos em redes sociais e oferece checagens públicas sobre boatos, fraudes e práticas enganosas.
Os usuários podem enviar denúncias diretamente pelo WhatsApp, ajudando a mapear e desmascarar tentativas de golpes que circulam pela internet. Essa ação colaborativa contribui para a proteção coletiva contra fraudes e crimes virtuais.
Segurança digital é responsabilidade de todos
À medida que a tecnologia avança, também crescem os métodos utilizados pelos criminosos para burlar sistemas e se apropriar de identidades. A prevenção passa por um uso mais consciente das redes sociais, maior atenção ao compartilhar dados pessoais e uma postura crítica diante de contatos não solicitados.
A educação digital, aliada a canais de denúncia e verificação como o Comprova e a SaferNet, desempenha papel fundamental para conter a expansão desses crimes. Proteger os dados biométricos é, hoje, tão essencial quanto proteger o número do CPF ou do cartão de crédito.