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Google vai desativar ferramentas de inteligência artificial para estudantes por padrão

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 4 min de leitura
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O Google anunciou uma mudança importante na forma como estudantes poderão acessar suas ferramentas de inteligência artificial (IA) em ambientes escolares. A partir de uma nova configuração, recursos como Gemini, NotebookLM e funcionalidades de IA integradas ao Google Classroom e ao mecanismo de busca ficarão desativados por padrão para alunos do ensino fundamental e médio.

A decisão ocorre em meio ao crescimento das discussões sobre os impactos da inteligência artificial na educação. Enquanto a tecnologia oferece possibilidades de personalização do ensino e apoio às atividades escolares, também levanta preocupações sobre dependência tecnológica, trabalhos feitos automaticamente e possíveis prejuízos ao desenvolvimento do pensamento crítico.

Com a alteração, as instituições de ensino terão mais autonomia para decidir se permitem ou não o acesso dos estudantes às ferramentas. Os administradores escolares poderão modificar as configurações e liberar os recursos conforme suas políticas pedagógicas.

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Quais ferramentas do Google serão afetadas pela mudança?

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Imagem: Linda Parton/Shutterstock)

A nova política envolve diferentes serviços utilizados diariamente por estudantes e professores. Entre eles está o Gemini, assistente de inteligência artificial capaz de responder perguntas, produzir textos, resumir conteúdos e auxiliar em pesquisas.

O NotebookLM, ferramenta que utiliza documentos e materiais fornecidos pelo usuário para organizar informações e responder perguntas, também estará sujeito às novas configurações. O mesmo vale para os recursos de inteligência artificial incorporados ao Google Classroom.

Outro ponto importante envolve o Google Search. A empresa reconheceu que não é possível separar completamente o mecanismo de pesquisa das funcionalidades de inteligência artificial, já que diferentes recursos tecnológicos estão cada vez mais integrados à experiência de busca.

Na prática, isso significa que as escolas não poderão simplesmente oferecer aos alunos uma versão do Google Search totalmente desvinculada dos recursos de IA incorporados pela empresa.

Escolas terão autonomia para liberar o Gemini

A mudança não representa uma proibição definitiva da inteligência artificial nas instituições de ensino. O objetivo anunciado pelo Google é transferir às escolas a decisão sobre quais funcionalidades estarão disponíveis para os estudantes.

A implementação será global, começando pelos Estados Unidos, mas a empresa ainda não estabeleceu uma data específica para a chegada dos novos controles a todos os países.

Segundo Chris Phillips, vice-presidente de Educação do Google, a integração entre pesquisa e inteligência artificial tornou-se profunda, o que dificulta manter as duas experiências completamente separadas.

A companhia também afirmou que recebeu manifestações de instituições preocupadas com a utilização dessas ferramentas em atividades escolares. Por isso, decidiu ampliar as possibilidades de controle oferecidas aos administradores.

Por que o uso de inteligência artificial preocupa educadores?

A popularização de ferramentas como Gemini e ChatGPT modificou a maneira como estudantes acessam informações e realizam tarefas. Com poucos comandos, é possível produzir redações, resolver exercícios, resumir livros e elaborar pesquisas que anteriormente exigiam mais tempo e participação individual.

O problema aparece quando a tecnologia deixa de funcionar como apoio e passa a substituir o processo de aprendizagem.

Um estudante pode, por exemplo, solicitar que uma ferramenta produza uma redação completa sem compreender o assunto ou desenvolver suas próprias habilidades de escrita. Em atividades de matemática, pode obter respostas prontas sem aprender os cálculos envolvidos.

Por outro lado, quando utilizada com orientação adequada, a IA pode ajudar a explicar conteúdos difíceis, apresentar exemplos adicionais e adaptar explicações às necessidades de cada aluno.

O desafio das escolas é estabelecer limites que permitam aproveitar os benefícios da tecnologia sem comprometer a autonomia intelectual dos estudantes.

Nova York e Los Angeles também discutem restrições à IA

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O debate sobre a presença da inteligência artificial nas escolas ganhou força nos Estados Unidos. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, criticou a iniciativa do Google e afirmou que a empresa estaria utilizando sua posição dominante no mercado para ampliar a presença da tecnologia nas instituições públicas.

Nova York e Los Angeles também anunciaram medidas para restringir o acesso a determinadas ferramentas de inteligência artificial nos dispositivos utilizados pelos alunos.

A discussão envolve ainda a influência das grandes empresas de tecnologia sobre a infraestrutura educacional. O Google possui presença expressiva nas escolas americanas por meio de serviços como Gmail, Google Docs e Classroom, além dos computadores Chromebooks, amplamente utilizados por estudantes.

A dependência dessas plataformas faz com que mudanças nas políticas das empresas tenham consequências diretas sobre a rotina de professores e alunos.

(Foto: Pixabay/Montagem Marcelo Valladão)

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