A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), voltou a chamar a atenção para um problema estrutural que afeta milhões de brasileiros: o custo elevado da energia elétrica para as camadas mais pobres da população.
Governadora alerta que população pobre paga mais caro pela energia
Raquel Lyra diz que população pobre paga mais caro pela energia e defende revisão do sistema tarifário para maior justiça social.
Segundo a gestora, o modelo atual de tarifação no Brasil penaliza justamente quem consome menos energia, gerando uma cobrança proporcionalmente mais alta para famílias de baixa renda.
Em entrevista recente, Lyra defendeu uma revisão urgente do sistema elétrico brasileiro, especialmente da forma como as tarifas são calculadas e aplicadas, para promover maior equidade e garantir o acesso justo a um serviço básico essencial.
A declaração da governadora Raquel Lyra

Raquel Lyra destacou que o problema não é apenas local, mas nacional. Segundo ela, o atual sistema de cobrança faz com que as pessoas em situação de vulnerabilidade social paguem mais caro pela energia elétrica em relação ao consumo, em comparação com famílias que possuem maior capacidade financeira e consomem mais.
Entre os principais pontos levantados pela governadora estão:
- A necessidade de “reestudar o sistema elétrico brasileiro”
- A urgência em “rever a forma de cobrança da energia”
- O impacto desproporcional nas famílias pobres, que “pagam mais caro”
Lyra enfatizou que é fundamental implementar políticas públicas e alterações regulatórias que corrijam essa distorção para garantir a justiça social no acesso à energia elétrica.
Como funciona o sistema de cobrança de energia no Brasil
O sistema tarifário brasileiro é complexo e envolve diversas variáveis que influenciam o valor final pago pelo consumidor. As tarifas de energia são reguladas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que estabelece as regras para distribuição, transmissão e comercialização.
Componentes da conta de luz
A conta de luz do consumidor é composta por:
- Tarifa de energia: valor cobrado pelo consumo de energia medido em quilowatt-hora (kWh)
- Tarifa de uso dos sistemas de distribuição e transmissão: custos para levar a energia da usina até a residência ou empresa
- Encargos setoriais: fundos para financiar programas sociais, subsídios, e manutenção do sistema elétrico
- Impostos: ICMS, PIS, Cofins e outros tributos
Esses componentes fazem com que a conta de luz tenha uma parcela fixa e uma variável, ligada ao consumo.
Tarifas por faixa de consumo
A maioria das distribuidoras adota um sistema progressivo, no qual a tarifa por kWh aumenta conforme o consumo sobe. No entanto, existe uma tarifa mínima, que é cobrada independentemente do consumo real. Para famílias que consomem pouco, especialmente as de baixa renda, essa tarifa mínima pode representar um valor fixo relativamente alto, elevando o custo proporcional da energia.
Além disso, os encargos e impostos incidem sobre o total da conta, muitas vezes aumentando o valor final de forma significativa.
Tarifa social de energia elétrica
O governo federal mantém a Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), que concede descontos para famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) que tenham consumo mensal de até 220 kWh. A redução pode chegar a até 65%.
Porém, críticos apontam que:
- Nem todas as famílias de baixa renda estão cadastradas e conseguem o benefício
- O desconto pode não ser suficiente para compensar todos os encargos e custos fixos
- Em algumas regiões, o sistema tarifário continua onerando excessivamente os mais pobres
Por que a população pobre paga mais caro?

A explicação para esse fenômeno envolve aspectos técnicos e sociais do sistema elétrico e tarifário brasileiro.
Custo fixo proporcionalmente mais alto
- Famílias com baixo consumo pagam uma tarifa mínima que pode ser alta em relação ao que consomem
- Impostos e encargos setoriais elevam o valor da conta independentemente do consumo
Injustiça na distribuição dos encargos
- Os encargos setoriais são distribuídos de forma uniforme e impactam mais quem consome menos
- O custo da manutenção do sistema é rateado, o que onera desproporcionalmente os pequenos consumidores
Falta de universalização da tarifa social
- Muitas famílias vulneráveis não conseguem acesso ao desconto da Tarifa Social por falta de cadastro ou informação
- A tarifa social é limitada a um consumo máximo, e ultrapassagens podem levar a custos elevados
Impactos sociais e econômicos para famílias vulneráveis
A situação descrita por Raquel Lyra tem repercussões diretas no cotidiano de milhões de brasileiros, especialmente nas regiões mais pobres do país:
- Risco de inadimplência: o valor elevado das contas gera dificuldades para pagar, aumentando o risco de cortes no fornecimento
- Corte de energia: o desligamento pode ocorrer devido à falta de pagamento, agravando a exclusão social e impactando saúde e educação
- Redução do consumo: famílias limitam o uso de aparelhos essenciais, como geladeira e iluminação, comprometendo qualidade de vida
- Endividamento: busca por crédito para pagar contas de luz pode aumentar o endividamento das famílias
Esses fatores evidenciam a necessidade de soluções que combinem justiça tarifária e inclusão social.
O que está sendo discutido para mudar esse cenário?
O tema tem ganhado espaço em debates públicos, fóruns técnicos e no Congresso Nacional. Algumas das propostas e discussões incluem:
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Revisão tarifária
- Análise para diminuir a tarifa mínima e adequar a cobrança proporcional ao consumo
- Modificações nos encargos setoriais para reduzir o impacto sobre consumidores de baixa renda
Ampliação da tarifa social
- Facilitar o acesso à Tarifa Social de Energia para mais famílias vulneráveis
- Elevar o limite de consumo para receber desconto, ampliando o benefício
Políticas públicas e subsídios
- Criação de fundos para subsidiar consumidores em situação de vulnerabilidade
- Programas de eficiência energética para residências de baixa renda, reduzindo o consumo
Investimento em energias renováveis e descentralizadas
- Incentivo ao uso de energia solar residencial para reduzir dependência da rede pública
- Projetos comunitários para geração e distribuição de energia em regiões pobres
Reações do setor energético e do governo

Representantes do setor elétrico e autoridades regulatórias indicam que mudanças no sistema tarifário devem ser feitas com cautela para preservar a sustentabilidade financeira do setor. Algumas das declarações recentes:
- A ANEEL informou que está aberta a dialogar e estudar propostas para melhorar o sistema tarifário, sem comprometer a qualidade do serviço
- Especialistas alertam que cortes abruptos podem afetar investimentos em infraestrutura e a estabilidade do fornecimento
- Parlamentares sinalizam interesse em apresentar projetos de lei para promover justiça tarifária e maior proteção social
O papel dos consumidores e da sociedade civil
Além das decisões governamentais e regulatórias, a pressão da sociedade civil, movimentos sociais e dos próprios consumidores é fundamental para pressionar por mudanças. Algumas iniciativas em andamento são:
- Campanhas de conscientização sobre a tarifa social e direitos do consumidor
- Demandas judiciais para revisão das tarifas e combate a cobranças abusivas
- Projetos comunitários para instalação de sistemas de energia solar em comunidades vulneráveis
Considerações finais
A fala da governadora Raquel Lyra reacende um debate crucial para o Brasil: o acesso justo e acessível à energia elétrica para todos. Enquanto o país avança em investimentos e ampliação do setor elétrico, é imprescindível que as tarifas sejam pensadas para não penalizar quem menos pode pagar.
Garantir energia a preços justos é investir em dignidade, saúde, educação e desenvolvimento social, especialmente para as populações mais vulneráveis. A discussão continuará nas próximas semanas, com expectativas de novas medidas e ações que promovam a equidade no setor.
Imagem: www.slon.pics / Freepik
