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Governo mantém plano ativo, mas espera recuo dos EUA, afirma Tebet

Ministra afirma que pacote de apoio a exportadores está pronto, mas governo ainda espera recuo dos EUA.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Ministra do Planejamento, Simone Tebet, falando sobre a necessidade de baixar a Selic

Na véspera da entrada em vigor da tarifa de 50% sobre determinados produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, o governo federal segue com seu plano de contingência para proteger os setores afetados, mas ainda aguarda um possível recuo da administração norte-americana.

A afirmação foi feita nesta terça-feira (5) pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, durante evento no Palácio do Planalto. De acordo com a ministra, embora as novas tarifas estejam prestes a entrar em vigor, o governo brasileiro acredita que a reação interna nos EUA, especialmente os efeitos inflacionários, pode levar o presidente Donald Trump a rever ou suavizar as medidas.

Leia mais: Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros gera alerta global

Esperança de recuo diante do impacto nos EUA

Tarifa EUA boicote
Imagem: Freepik

Os produtos mais atingidos pelo tarifaço são alimentos amplamente exportados para os Estados Unidos, como carne bovina, café e frutas. Esses itens não estão incluídos na lista de 694 exceções publicada recentemente e, portanto, serão taxados com alíquota cheia de 50% (sendo 10% de taxa base e 40% adicionais).

A ministra afirmou:

“Nós acreditamos que, na hora em que eles [governo americano] olharem os números inflacionários desses produtos, a hora que fizerem a pesquisa de opinião pública — e, obviamente, que eles fazem —, eles vão reposicionar esses produtos no mercado”.

Tebet reconheceu que a reversão não deve acontecer imediatamente, no dia 6 de agosto, quando a tarifa entra em vigor, mas disse estar confiante em um possível reposicionamento por parte da Casa Branca em até 15 ou 30 dias.

Plano de contingência em desenvolvimento

Mesmo com a expectativa de recuo, o governo brasileiro mantém a elaboração do plano emergencial. Tebet declarou que as equipes estão “finalizando o cardápio” de medidas, que serão adaptadas conforme o grau de impacto de cada setor.

Segundo a ministra, o pacote poderá incluir instrumentos já utilizados durante a pandemia de Covid-19, com apoio do Congresso Nacional, como:

  • Alongamento de prazos para pagamento de dívidas;
  • Carência para novos financiamentos;
  • Juros subsidiados ou diferenciados;
  • Participação de bancos públicos, como BNDES e Banco do Brasil.

Ela reforçou que o governo não pretende adotar medidas improvisadas ou sem sustentação fiscal:

“Não vamos tirar nada da cartola”.

Efeito fiscal será limitado, afirma Tebet

Em relação ao impacto fiscal das ações, Tebet minimizou os efeitos no curto prazo. Ela disse que as medidas prioritárias não devem afetar de forma relevante as contas públicas, mas admitiu que algum reflexo poderá ocorrer, a depender da extensão e da duração do pacote.

“Pode até ter algum impacto fiscal. Mas as medidas prioritárias e mais emergenciais agora — alongamento de prazo, carência, juros diferenciados, subsídios, participação dos bancos públicos — não necessariamente passam pelo fiscal.”

Ainda segundo a ministra, não há um valor total definido para o plano emergencial, já que algumas decisões dependem da aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN) ou das diretorias dos bancos públicos. O BNDES, por exemplo, está entre as instituições envolvidas na formulação das soluções setoriais.

Expectativa econômica e cenário político

A adoção da tarifa de 50% pelos Estados Unidos gerou ampla reação no meio empresarial e político brasileiro. Segundo entidades da indústria e do agronegócio, o impacto pode ser significativo, tanto para as exportações quanto para o PIB nacional, além de comprometer empregos em setores estratégicos.

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Ao mesmo tempo, há um claro componente político por trás da medida. A administração Trump tem citado a política comercial brasileira como um entrave à reciprocidade entre os países, além de criticar decisões internas do governo Lula, especialmente no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar do contexto, o governo brasileiro tenta manter o diálogo diplomático, enquanto prepara respostas no campo econômico e jurídico — incluindo a possibilidade de acionar a OMC (Organização Mundial do Comércio).

Medidas equilibradas, sem romper o teto fiscal

Ministra Simone Tebet em discurso político
Imagem: Instagram / Reprodução

A ministra reforçou que, mesmo diante de um cenário adverso, o governo Lula não pretende romper com as regras fiscais vigentes. Qualquer medida com impacto orçamentário será avaliada com responsabilidade, garantindo que o pacote emergencial seja sustentável.

Tebet lembrou que durante a pandemia o Brasil já utilizou mecanismos semelhantes sem comprometer de forma crítica o equilíbrio fiscal. O modelo pode, portanto, ser replicado com ajustes para o atual contexto comercial.

Próximos passos

Ainda que o tarifaço entre em vigor imediatamente, o plano de contingência brasileiro seguirá em ritmo acelerado nas próximas semanas. A expectativa do governo é que o impacto nos preços dos produtos nos EUA — especialmente alimentos — gere pressão interna suficiente para que o presidente Trump reveja a medida.

Enquanto isso, o governo prepara uma resposta estratégica que busca mitigar os danos à economia brasileira e demonstrar ao setor produtivo que há um plano ativo de proteção aos exportadores.

Com informações de: CNN Brasil

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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