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Pacientes do SUS receberão até R$ 300 por dia para transporte e hospedagem durante radioterapia

Governo cria auxílio de R$ 300 para transporte, alimentação e hospedagem de pacientes com câncer em radioterapia pelo SUS.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O Ministério da Saúde anunciou, na quarta-feira (22), um pacote de medidas voltado a melhorar o acesso ao tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco especial na radioterapia. Entre as principais ações, está a criação de um auxílio financeiro de R$ 300 por dia para pacientes que precisam se deslocar para outra cidade ou região para receber o tratamento.

Segundo dados do próprio ministério, cerca de 40% dos pacientes atendidos pelo SUS em radioterapia precisam sair de sua localidade de origem para ter acesso ao tratamento. Esse deslocamento representa um custo elevado para pessoas em situação de vulnerabilidade, muitas vezes impedindo o acesso ao cuidado contínuo. Com o novo programa, o governo visa reduzir essa barreira geográfica e econômica.

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Imagem: Freepik

Auxílio de R$ 300 por dia para pacientes com câncer

Divisão dos valores por categoria

O pacote prevê a liberação de até R$ 300 por dia por paciente, divididos da seguinte forma:

  • R$ 150 para transporte
  • R$ 150 para alimentação e hospedagem

O objetivo é garantir conforto e dignidade aos usuários do SUS que, além de lidar com o impacto físico e emocional do câncer, ainda enfrentam desafios logísticos para obter tratamento. O benefício será concedido aos pacientes que comprovarem a necessidade de deslocamento interestadual ou intermunicipal.

Benefício será contínuo durante o tratamento

O valor será pago diariamente enquanto durar o tratamento, respeitando os agendamentos médicos e a frequência de sessões. Segundo o governo, a ideia é não penalizar o paciente pelo local onde mora, mas sim garantir o mesmo acesso a todos, independentemente da região.

Centralização da compra de medicamentos oncológicos

Outra frente do pacote anunciado é a centralização da aquisição de medicamentos oncológicos pela União, medida que pretende otimizar recursos, eliminar desperdícios e garantir equidade na distribuição de insumos essenciais para o tratamento do câncer.

Redução de até 60% nos custos

A previsão é que, com a compra centralizada em escala nacional, os preços dos medicamentos possam ser reduzidos em até 60%, de acordo com estimativas técnicas. O modelo permitirá que o Ministério da Saúde negocie diretamente com os laboratórios, utilizando o poder de compra do governo federal para obter valores mais vantajosos.

“A centralização permite controle maior sobre o fornecimento, menor risco de desabastecimento e racionalização dos custos”, declarou uma fonte da pasta à Agência Brasil.

Melhoria na regularidade dos estoques

Nos últimos anos, diversos hospitais relataram falta de medicamentos essenciais para quimioterapia e radioterapia, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos. Com a centralização, o Ministério espera uniformizar os estoques e reduzir a desigualdade regional no acesso a tratamentos oncológicos.

Aporte de R$ 156 milhões por ano para fortalecer a radioterapia

Além dos auxílios e da mudança na política de compras, o governo também anunciou que fará um aporte anual de R$ 156 milhões para fortalecer a infraestrutura e a rede de atendimento em radioterapia no SUS.

Expansão de equipamentos e centros especializados

Com esse recurso, será possível:

  • Ampliar o número de aceleradores lineares (equipamentos essenciais na radioterapia)
  • Reformar ou equipar centros de tratamento oncológico já existentes
  • Capacitar profissionais da área oncológica
  • Informatizar sistemas de agendamento e gestão de sessões

Redução nas filas e nos deslocamentos

Um dos principais gargalos da radioterapia no Brasil é a falta de centros especializados em cidades pequenas e médias, obrigando os pacientes a longas viagens. O investimento visa, justamente, descentralizar o atendimento e criar polos regionais com capacidade suficiente para atender à demanda local.

Radioterapia no Brasil: o desafio da desigualdade regional

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

40% dos pacientes precisam viajar para se tratar

Segundo dados do Ministério da Saúde, quatro em cada dez pacientes com câncer atendidos pelo SUS precisam viajar para fora de sua cidade para fazer radioterapia. Em muitos casos, são jornadas de centenas de quilômetros, realizadas diariamente ou com longas estadias, dependendo da frequência do tratamento.

Regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas

Essas dificuldades se concentram especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde há menor concentração de centros de oncologia. Em estados como Acre, Roraima, Maranhão e Piauí, é comum que pacientes tenham que ser encaminhados para outras unidades da federação, gerando custos altos e atraso no início do tratamento.

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“A demora no início da radioterapia pode comprometer o sucesso do tratamento e afetar a sobrevida do paciente”, alertam especialistas da área oncológica.

Como funcionará a concessão do novo auxílio

Critérios para ter direito ao benefício

Para receber o auxílio de R$ 300, o paciente precisará:

  • Estar em tratamento oncológico via SUS
  • Ter indicação médica de radioterapia
  • Comprovar a necessidade de deslocamento intermunicipal ou interestadual
  • Ter agendamento confirmado de sessões

Procedimento será simplificado

O Ministério da Saúde informou que o processo será digitalizado e integrado ao sistema SUS, facilitando o acesso ao benefício. Os valores poderão ser creditados em conta bancária ou cartão social, de acordo com o perfil do paciente.

Repercussão positiva entre especialistas e entidades de saúde

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Uma política de acolhimento

Entidades como a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) e o Instituto Oncoguia elogiaram a iniciativa do governo, classificando-a como um avanço importante na humanização do tratamento do câncer no Brasil.

“O apoio financeiro é fundamental. O paciente com câncer já enfrenta muito sofrimento. Eliminar as barreiras econômicas e logísticas é uma forma de garantir acesso digno à saúde”, afirmou a presidente do Oncoguia, Luciana Holtz.

Fortalecimento do SUS

A medida também foi bem recebida por defensores do SUS, que veem no programa uma demonstração de comprometimento com a equidade e o acesso universal à saúde.

“É um passo importante para reafirmar o caráter público e integrador do SUS. O tratamento não pode depender do CEP do paciente”, comentou o pesquisador e sanitarista Pedro Borel.

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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