Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Tebet solta o verbo: ‘gastar mal é pior que gastar muito’ e convoca bancos para pressionar deputados!

Simone Tebet afirma que o governo não fará novos gastos em 2026 e cobra corte de isenções fiscais e planejamento no orçamento.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Tebet Revisão de Gastos

Durante o tradicional almoço de fim de ano da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), realizado na segunda-feira (24), a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, reiterou o compromisso do governo federal com a responsabilidade fiscal. A ministra destacou que, mesmo diante de desafios, o Executivo não pretende criar novos gastos em 2026 e buscará promover cortes, sobretudo em benefícios tributários considerados ineficientes.

A presença da ministra no evento serviu como palco para o governo reforçar o discurso de equilíbrio entre crescimento econômico e controle da inflação. Tebet também fez um apelo ao setor financeiro para colaborar com a pressão sobre o Congresso na aprovação de reformas estruturais que possam conter despesas e melhorar a eficiência dos gastos públicos.

Leia mais:

Simone Tebet assume Ministério do Planejamento

“Andamos mais devagar do que o necessário”, diz ministra

Reforma fiscal travada por lobbies

Em um discurso direto, Simone Tebet reconheceu que o governo enfrentou limitações para avançar em reformas fiscais. Segundo ela, o Executivo se deparou com uma forte resistência de lobbies organizados — tanto dentro quanto fora do Legislativo — que impediram avanços mais expressivos em medidas de controle de gastos.

“No quesito das reformas fiscais, nós andamos muito mais lentamente do que precisávamos. Muitas vezes tivemos lobbies que impediram o Executivo e outros poderes de que pudéssemos avançar mais”, declarou.

Tebet foi enfática ao afirmar que o Executivo tentou cumprir sua parte, mas enfrentou obstáculos que devem ser compartilhados entre os diferentes poderes da República.

O papel do setor financeiro

Ela conclamou os bancos e agentes do mercado a se tornarem parceiros ativos na busca pelo equilíbrio fiscal, contribuindo não apenas com ideias, mas também com articulação política. De acordo com a ministra, o apoio da Febraban e das instituições financeiras pode ajudar a convencer parlamentares sobre a importância de reduzir isenções e reestruturar gastos.

“E aqui entram vocês, agentes do mercado, que vocês possam ser parceiros do Brasil, como muitos já são, levando a palavra não só para dentro do Poder Executivo, mas para dentro do Congresso Nacional”, afirmou.

Crescimento com responsabilidade: a nova diretriz

Sem travar a economia por medo da inflação

A ministra fez questão de refutar a ideia de que o crescimento econômico precisa ser contido para controlar a inflação. Para ela, é possível crescer de maneira sustentável, desde que haja planejamento e qualidade na execução do orçamento.

“Não temos que ter medo de falar em controle dos gastos públicos e responsabilidade fiscal”, disse, destacando que o foco deve ser em um crescimento justo e duradouro.

Planejamento orçamentário é prioridade

Tebet destacou a importância de metas de médio e longo prazo na elaboração do Orçamento. Ela citou os países asiáticos como exemplo de planejamento eficiente, destacando que o Brasil precisa deixar de lado o improviso orçamentário e a prática de “enxugar gelo” para lidar com problemas estruturais.

“Gastar muito é ruim, mas gastar mal é pior ainda”, reforçou, ao defender a priorização de investimentos em ciência, tecnologia e inovação.

O cenário econômico de 2025 e as perspectivas para 2026

O Brasil termina 2025 melhor que o esperado

Apesar de críticas e desafios, como a taxa básica de juros ainda elevada, Simone Tebet afirmou que o Brasil encerra o ano de 2025 em uma situação mais favorável do que se previa no início do ano. Entre os indicadores positivos, ela destacou a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) potencial, que, segundo a ministra, já não se limita mais a 1,5% e precisa ser atualizado para refletir uma economia mais dinâmica.

Essa melhora, segundo Tebet, é reflexo da resiliência econômica, da expansão controlada de investimentos e de políticas públicas que buscaram equilibrar responsabilidade fiscal com justiça social.

2026: corte de gastos, fim de improvisos e foco em resultados

Compromisso com a não criação de novos gastos

De forma clara, Tebet assegurou que não haverá ampliação de gastos públicos em 2026. A meta do governo será conter despesas e otimizar os recursos já disponíveis.

“Para 2026, quero afirmar, não haverá novos gastos públicos”, enfatizou.

Mesmo diante dessa limitação, ela ressaltou a necessidade de continuar promovendo cortes, especialmente no que se refere a isenções e benefícios tributários que não retornam à sociedade em forma de crescimento, empregos ou melhoria de serviços públicos.

Cortes nos benefícios tributários

A ministra reconheceu que a eliminação total de isenções pode ser difícil, mas sugeriu que um corte linear — ainda que não ideal — seria uma alternativa viável diante das restrições atuais. Essa medida, de acordo com ela, pode gerar economia significativa para o Orçamento e permitir maior eficiência no gasto público.

“Ainda que linear, não é o ideal, mas é o possível”, afirmou, ao tratar da revisão dos chamados “gastos tributários”.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

O desafio da má alocação de recursos

Educação como exemplo de gasto ineficaz

Tebet usou a área da educação como um exemplo emblemático da má aplicação de recursos. Embora o Brasil invista valores consideráveis no setor, os resultados são baixos, segundo rankings internacionais. Para a ministra, o problema não é apenas de volume, mas de qualidade no uso do dinheiro público.

“Gastamos muito com educação, mas temos uma das piores educações públicas do mundo”, lamentou.

Ela defendeu uma reestruturação dos investimentos públicos para que eles tenham maior impacto social, priorizando áreas estratégicas e baseando-se em indicadores claros de desempenho.

Um apelo contra o improviso fiscal

Brasil precisa deixar de “enxugar gelo”

A ministra voltou a criticar o improviso orçamentário e a falta de planejamento estratégico no setor público. Ela reforçou que o país precisa adotar práticas mais modernas, com maior previsibilidade e avaliação constante de políticas públicas.

Essa abordagem, segundo Tebet, será essencial para romper o ciclo de gastos ineficientes e permitir que o Brasil avance em áreas fundamentais como infraestrutura, saúde, educação e inovação.

A importância do debate público e da articulação política

Diálogo com o Congresso será essencial

As propostas da ministra não se limitam ao Poder Executivo. Tebet sabe que qualquer mudança significativa nas regras de isenção fiscal, benefícios tributários ou mesmo cortes no Orçamento depende da aprovação do Congresso Nacional.

Por isso, ela voltou a solicitar apoio de entidades como a Febraban e os representantes do mercado financeiro para que também pressionem e dialoguem com os parlamentares, visando à aprovação de reformas estruturantes.

“Precisamos de articulação política e apoio técnico para avançar. O momento exige união em torno de um Brasil mais eficiente”, completou.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados