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Governo anuncia pacote com imposto zerado e crédito para aéreas

MP zera PIS/Cofins do QAV e libera crédito bilionário para aéreas. Veja impactos nas passagens e economia.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
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O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (6), um novo pacote de medidas voltado ao setor aéreo brasileiro, com foco na redução de custos operacionais e no fortalecimento financeiro das empresas. A iniciativa foi formalizada por meio de uma Medida Provisória (MP), que já passa a valer imediatamente após sua publicação.

O pacote inclui duas linhas de crédito bilionárias e a isenção de tributos sobre o combustível de aviação — um dos principais custos das companhias. A decisão ocorre em meio à pressão causada pela alta nos preços internacionais de combustíveis, que impactam diretamente o valor das passagens aéreas no Brasil.

Linhas de crédito bilionárias para o setor aéreo

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Crédito para reestruturação financeira

A primeira linha de crédito será estruturada com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). O limite poderá chegar a até R$ 2,5 bilhões por empresa, com foco na reestruturação financeira das companhias aéreas.

Esse tipo de crédito é essencial em momentos de pressão de caixa, permitindo que empresas renegociem dívidas, reorganizem suas operações e evitem problemas de liquidez.

Capital de giro com garantia da União

A segunda linha terá como objetivo garantir capital de giro para um período de até seis meses. O montante inicial previsto é de R$ 1 bilhão, e as condições ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Um dos pontos mais relevantes é que essa linha contará com risco assumido pela União, o que tende a facilitar o acesso ao crédito e reduzir custos financeiros para as empresas.

Operação via BNDES

Os financiamentos serão operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou por instituições financeiras habilitadas. O banco público tem histórico de atuação em momentos de crise, oferecendo crédito estruturado para setores estratégicos da economia.

Isenção de impostos sobre combustível de aviação

Outro ponto central da MP é a redução do custo do querosene de aviação (QAV), principal insumo das companhias aéreas.

O governo decidiu zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível, o que deve gerar uma economia estimada de R$ 0,07 por litro.

Impacto direto nos custos operacionais

O combustível representa cerca de 30% a 40% dos custos totais de uma companhia aérea. Portanto, mesmo uma redução aparentemente pequena por litro pode gerar impacto relevante no caixa das empresas, especialmente em operações de grande escala.

A expectativa é que essa medida contribua, ao menos parcialmente, para conter a alta no preço das passagens aéreas, embora isso dependa também de outros fatores, como câmbio e demanda.

Compensação fiscal: aumento do IPI

Para equilibrar a renúncia fiscal gerada pela isenção do PIS/Cofins, o governo anunciou um aumento no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A alíquota passará de R$ 2,25 para R$ 3,50 por unidade, com previsão de arrecadação adicional de aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

Além disso, o preço mínimo do produto afetado pelo IPI será reajustado de R$ 6,50 para R$ 7,50.

Estratégia de compensação

Esse tipo de compensação é comum em políticas fiscais, permitindo que o governo estimule setores específicos sem comprometer totalmente a arrecadação.

No entanto, a medida pode gerar impactos indiretos em outros segmentos da economia, dependendo de como o aumento do IPI será absorvido pelo mercado.

Alívio no fluxo de caixa com adiamento de tarifas

Outro ponto relevante do pacote é o adiamento do pagamento das tarifas de navegação aérea cobradas pela Força Aérea Brasileira (FAB).

As companhias poderão pagar apenas em dezembro os valores referentes aos meses de abril, maio e junho.

Benefício imediato para as empresas

Na prática, essa medida melhora o fluxo de caixa no curto prazo, permitindo que as empresas priorizem despesas mais urgentes, como manutenção, combustível e folha de pagamento.

Esse tipo de flexibilização já foi adotado em momentos anteriores, como durante a pandemia de Covid-19, quando o setor aéreo enfrentou forte retração.

Possíveis impactos para o consumidor

Embora o pacote seja direcionado às companhias aéreas, seus efeitos podem chegar ao consumidor final.

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Passagens podem ficar mais baratas?

A redução de custos operacionais tende a aliviar a pressão sobre os preços das passagens. No entanto, especialistas apontam que o repasse ao consumidor não é automático.

Fatores como:

  • Cotação do dólar
  • Preço internacional do petróleo
  • Nível de concorrência
  • Demanda por voos

também influenciam diretamente o valor das tarifas.

Maior estabilidade no setor

Outro efeito esperado é a maior estabilidade financeira das companhias aéreas, reduzindo o risco de cancelamentos, cortes de rotas e até falências.

Isso pode contribuir para um ambiente mais previsível para o consumidor e para o turismo nacional.

Medida reforça papel estratégico do setor aéreo

O pacote anunciado reforça o entendimento do governo de que o setor aéreo é estratégico para o desenvolvimento econômico do país.

Além de conectar regiões, a aviação impulsiona o turismo, o comércio e a geração de empregos diretos e indiretos.

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) indicam que o setor movimenta bilhões de reais anualmente e tem forte efeito multiplicador na economia.

Considerações finais

O novo pacote de medidas para o setor aéreo combina crédito facilitado, redução de impostos e alívio temporário de obrigações financeiras. A estratégia busca garantir fôlego às companhias diante da alta nos custos, especialmente do combustível.

Embora os impactos para o consumidor ainda dependam de variáveis externas, o movimento sinaliza uma tentativa de estabilizar o setor e evitar efeitos mais severos, como aumento expressivo das passagens ou redução da oferta de voos.

Nos próximos meses, será possível avaliar com mais clareza a efetividade das medidas e seus reflexos tanto para as empresas quanto para os passageiros.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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