O governo federal anunciou, na quinta-feira (10), duas medidas estratégicas para incentivar a produção e venda de veículos sustentáveis no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou o decreto que regulamenta o programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação) e cria o inédito programa Carro Sustentável, zerando a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos de carros compactos com alta eficiência energética produzidos em território nacional.
Motivos por trás da exclusão das motos na isenção de IPI do governo
Governo lança programas que zeram o IPI de carros populares sustentáveis, mas motocicletas ficam de fora por já contarem com isenção na ZFM.
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Mover e Carro Sustentável: o que muda?

Estímulo à indústria automotiva sustentável
O programa Mover, já em tramitação desde 2023, foi estruturado para impulsionar a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias que colaborem para a descarbonização da frota nacional. Com ele, o governo pretende modernizar a indústria automotiva brasileira, alinhando-a às diretrizes globais de sustentabilidade e inovação tecnológica.
Com a assinatura do decreto, o programa Carro Sustentável passa a integrar o pacote como um braço direto de incentivos ao consumidor final. A principal novidade é a isenção total do IPI para carros compactos com alta eficiência ambiental e energética, desde que fabricados no Brasil.
Benefícios já anunciados pelas montadoras
Montadoras com forte presença no país, como Volkswagen, Hyundai, Stellantis e Renault, já começaram a aplicar a nova política em seus modelos populares. Veículos como o Fiat Mobi, o Renault Kwid e o Hyundai HB20, por exemplo, podem passar a custar até R$ 10 mil a menos, conforme estimativas iniciais do mercado.
Essa redução impacta diretamente a classe média e os consumidores de menor renda, que dependem dos carros de entrada para mobilidade urbana e trabalho.
Motocicletas ficam de fora dos incentivos
Abraciclo explica exclusão do setor
Apesar da abrangência dos programas, as motocicletas foram excluídas dos benefícios. A decisão se baseia em critérios técnicos e tributários, conforme esclareceu a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo). A entidade afirmou que as motos já gozam de isenção de IPI por serem majoritariamente produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM), sob o regime da Zona Franca de Manaus (ZFM).
“Há incompatibilidade entre o Mover e a Política Industrial da Zona Franca de Manaus, que possui legislação tributária própria”, declarou a associação.
Isenção já garantida pela Constituição
A Abraciclo destacou que a isenção de IPI para motocicletas é um direito constitucional e foi resguardado pela recente reforma tributária. Atualmente, 92% das motos fabricadas no país vêm do PIM, garantindo a continuidade do benefício para os consumidores.
A Honda, maior montadora do segmento, também reforçou essa posição. Em nota, afirmou que seus clientes “já contam com esse benefício”, indicando que a ausência no programa não traz prejuízo direto.
Especialistas apontam limitações e oportunidades

Desafios para inovação no setor de duas rodas
Para Milad Kalume Neto, especialista da consultoria automotiva JATO Dynamics, a exclusão das motos do Mover não surpreende, mas levanta questões sobre o estímulo à inovação tecnológica nesse mercado.
“As motos já têm isenção, poluem menos que carros e possuem baixo valor agregado. O custo para incorporar tecnologias verdes nelas é proporcionalmente mais alto. Mas o setor ainda carece de incentivos à inovação, o que é um erro estratégico”, pontua.
Emissões e eficiência energética
Segundo Kalume, uma motocicleta popular de 150 cilindradas emite significativamente menos que um carro 1.0 movido a combustão, o que justifica a ausência de medidas adicionais. No entanto, a tendência mundial é que todos os segmentos passem por transições energéticas, inclusive o de duas rodas.
Zona Franca de Manaus como diferencial competitivo
Papel socioeconômico e ambiental do polo
O Polo Industrial de Manaus não é apenas um centro produtivo: ele desempenha papel crucial no equilíbrio socioeconômico da região Norte. Com mais de 14 mil empregos gerados diretamente pelas fabricantes de motocicletas, o PIM contribui para a fixação da população local e para a proteção da floresta.
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“A presença da indústria ajuda a inibir o desmatamento e promove o desenvolvimento sustentável da região”, defende a Abraciclo.
Investimentos contínuos das montadoras
As montadoras também reiteram seus esforços em pesquisa, desenvolvimento e qualidade. Produtos com alto nível tecnológico e baixo impacto ambiental vêm sendo lançados com frequência, mesmo fora dos programas federais. Essa prática é vista como uma estratégia de longo prazo para garantir competitividade frente aos modelos internacionais.
Futuro do setor automotivo com os novos programas

Possíveis expansões do Mover
O governo sinalizou que poderá ampliar o alcance do Mover em etapas futuras, incluindo veículos leves comerciais elétricos, ônibus e até mesmo motocicletas, caso haja viabilidade técnica e financeira. No entanto, não há previsão imediata para isso.
Expectativa de aumento nas vendas
A redução de IPI deve provocar uma reanimação no mercado de carros populares, que vinha sofrendo com alta de preços e juros elevados. Especialistas projetam crescimento nas vendas já no segundo semestre de 2025, especialmente para os modelos mais acessíveis.
Consumo consciente e mobilidade verde
A isenção fiscal tende a estimular a busca por veículos mais eficientes e menos poluentes. Com a ampliação da malha de carros sustentáveis, o Brasil dá um passo importante rumo a uma mobilidade urbana mais limpa e consciente.
Conclusão
A medida do governo federal que zera o IPI para carros compactos de alta eficiência representa um marco na política automotiva brasileira, com foco em sustentabilidade, inovação e estímulo ao mercado interno. Embora motocicletas tenham ficado de fora do programa Mover, o setor continua amparado por incentivos próprios da Zona Franca de Manaus.
Com uma estratégia clara de incentivo à indústria verde, o país dá início a uma nova fase na mobilidade urbana e posiciona-se para disputar mercados internacionais com tecnologias limpas e acessíveis.
