Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Correios encerram greve de 15 dias e trabalhadores voltam ao serviço nesta sexta

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 4 min de leitura
Correios 3

A greve dos Correios chegou ao fim após 15 dias de paralisação. A categoria decidiu encerrar o movimento na noite de quinta-feira (24), depois que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) concluiu o julgamento do dissídio coletivo e definiu as regras que passam a orientar a relação trabalhista entre a estatal e seus empregados.

A paralisação havia começado em 10 de setembro e terminou após o tribunal considerar que o movimento não foi abusivo. Entre as principais decisões estão reajuste salarial de 4,09%, retorno ao trabalho e compensação do período de paralisação.

Leia mais:

Trabalhadores dos Correios aprovam greve

O que o TST decidiu sobre a greve dos Correios

tst 2
Imagem gerada por IA

A Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST rejeitou o pedido dos Correios para classificar a paralisação como abusiva. A empresa havia defendido essa medida durante o processo judicial.

Na avaliação apresentada no julgamento, houve negociação entre as partes antes da greve, com reuniões, propostas e contrapropostas acompanhadas também por mediação da Vice-Presidência do TST. O tribunal entendeu que as tratativas não chegaram a um consenso sobre questões relevantes da campanha salarial.

O que significa uma greve não abusiva?

Na prática, o reconhecimento de que a greve não foi abusiva significa que o TST não identificou fundamento para aplicar a classificação jurídica de abusividade ao movimento. Isso é diferente de dizer que todas as reivindicações dos trabalhadores foram aceitas.

O julgamento tratou simultaneamente da validade da paralisação e das condições de trabalho que deverão ser observadas pela categoria e pela empresa durante a vigência da decisão.

Reajuste dos trabalhadores será de 4,09%

Outro ponto definido pelo TST foi o reajuste salarial de 4,09%, com referência à data-base de 1º de agosto de 2026. O percentual também alcança parcelas de natureza salarial previstas na decisão.

Entre os valores que podem acompanhar o reajuste estão benefícios como vale-refeição ou alimentação, vale-transporte e determinados auxílios e reembolsos vinculados às condições estabelecidas no acordo.

O efeito retroativo à data-base é relevante porque permite que as diferenças correspondentes ao período desde agosto sejam consideradas na aplicação da decisão.

Como ficará a compensação dos dias parados

Os dias em que os funcionários permaneceram em greve não deverão simplesmente resultar em desconto salarial. O TST autorizou a compensação do período de paralisação.

A decisão prevê mecanismos para recuperar as horas não trabalhadas, inclusive com possibilidade de realização de mutirões e atividades em fins de semana para ajudar a reduzir o volume de objetos acumulados durante a greve.

Esse ponto terá impacto direto na rotina dos trabalhadores, já que a compensação dependerá da organização operacional definida a partir da decisão judicial.

Em São Paulo, por exemplo, o sindicato orientou os funcionários a retomarem as atividades ainda na noite de quinta-feira, enquanto aguardava a publicação do acórdão para esclarecer os critérios completos de reposição.

Plano de saúde foi um dos principais conflitos

O plano de saúde esteve entre os principais motivos de divergência durante a campanha salarial. Os trabalhadores questionavam mudanças no modelo de assistência oferecido pela empresa a empregados, aposentados e dependentes.

Segundo informações divulgadas após o julgamento, o novo modelo prevê que os Correios deixem de atuar diretamente como mantenedores do plano, passando a oferecer subsídio empresarial para o Benefício de Assistência à Saúde. Até a implantação das novas regras, permanece o modelo atualmente vigente.

Como a redação integral da decisão ainda precisava ser analisada pelas entidades sindicais, detalhes sobre a aplicação prática do novo formato dependem da publicação oficial do acórdão e das normas correspondentes.

Quando os Correios voltam a funcionar normalmente?

correios
Correios (Crédito editorial: SERGIO V S RANGEL / Shutterstock.com)

O retorno dos empregados foi determinado para 25 de setembro. Em algumas localidades, a retomada começou ainda na noite de quinta-feira, após as assembleias que aprovaram o encerramento da greve.

Isso, porém, não significa que encomendas e correspondências acumuladas durante a paralisação serão entregues imediatamente. A tendência operacional é que a empresa precise de um período para reorganizar o fluxo, especialmente nos locais que tiveram maior impacto.

Os próprios termos da decisão mencionam a necessidade de esforço adicional para reduzir o passivo logístico formado durante a paralisação.

O que o consumidor deve fazer se uma encomenda estiver atrasada?

Quem tem uma encomenda em atraso deve acompanhar o rastreamento pelos canais oficiais dos Correios. A retomada gradual das operações pode fazer com que os prazos sejam normalizados de forma diferente entre regiões.

Também é importante guardar comprovantes de postagem, códigos de rastreamento e registros de atendimento caso o atraso provoque algum problema comercial ou financeiro.

Além da greve, os Correios informaram recentemente que determinados fluxos também sofreram impactos relacionados a restrições no transporte aéreo, com prazos diferentes conforme as faixas de CEP atingidas.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Compartilhar