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Greve dos Correios chega ao TST nesta segunda após impasse entre empresa e trabalhadores

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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A greve dos trabalhadores dos Correios chega nesta segunda-feira (21) a uma nova etapa, com a análise do dissídio coletivo pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). A paralisação começou em 10 de setembro, depois que as negociações sobre o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027 terminaram sem consenso.

A discussão no tribunal ocorre depois de a empresa recorrer à mediação do TST para tentar chegar a um acordo com as entidades sindicais. Em agosto, os Correios informaram que haviam solicitado a mediação para definir as condições do novo acordo coletivo, após a rejeição da proposta apresentada aos trabalhadores.

O principal ponto de divergência envolve o plano de saúde dos empregados, mas a negociação também inclui questões salariais, benefícios, jornada e mudanças propostas pela estatal como parte do processo de reestruturação.

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A paralisação foi deflagrada após o fracasso das negociações entre a empresa e os representantes dos trabalhadores. Segundo os Correios, a direção busca adequar despesas à situação financeira da estatal e preservar a capacidade de manter suas operações.

Em agosto, a empresa informou ao TST que pretendia manter integralmente 56 cláusulas do acordo anterior e fazer ajustes em outras 21. A estatal também afirmou que algumas garantias trabalhistas representam mais de R$ 60 milhões anuais.

Os sindicatos, por outro lado, contestam mudanças propostas pela empresa e apontam especialmente o plano de saúde como um dos principais obstáculos à conclusão do acordo.

Com o impasse, o caso passou à esfera judicial. Em 12 de setembro, o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, determinou que os Correios mantivessem pelo menos 80% do efetivo durante a paralisação. A decisão considerou o caráter essencial das atividades postais e os possíveis impactos do movimento no período eleitoral de 2026.

O que está em discussão no dissídio

A disputa não se resume ao reajuste salarial. Embora o índice de 4,35% pelo INPC, retroativo a 1º de agosto, esteja entre os pontos discutidos na negociação, existem diferenças importantes sobre benefícios e regras de trabalho.

Entre as propostas atribuídas à direção dos Correios estão alterações no adicional de férias, nas regras de pagamento de horas extras, no abono concedido aos empregados e no sistema de controle de jornada.

A empresa também defende mudanças na forma de dimensionar as unidades, considerando a relação entre demanda e capacidade operacional, além do retorno do registro eletrônico de ponto.

Outro ponto sensível é o plano de saúde. A proposta discutida prevê mudanças na participação dos Correios como mantenedora do benefício, mantendo subsídios aos empregados, mas reduzindo a exposição da empresa aos riscos financeiros e atuariais do plano.

O tema é especialmente relevante porque o benefício alcança trabalhadores, aposentados e familiares e está entre as questões apontadas pela representação sindical como centrais para a negociação.

Situação financeira pesa nas negociações

A discussão trabalhista acontece enquanto os Correios executam um plano de reestruturação financeira e operacional.

No segundo trimestre de 2026, a estatal registrou prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões. O resultado representou uma redução de 24,4% em relação ao prejuízo de R$ 3,16 bilhões registrado no primeiro trimestre. A receita líquida, por sua vez, passou de R$ 3,86 bilhões para R$ 4,01 bilhões entre os dois períodos.

Os Correios também informaram que uma operação de crédito de R$ 12 bilhões, com garantia da União, contribuiu para melhorar as condições de liquidez e alongar o perfil do endividamento da companhia.

Esse cenário explica por que a redução de despesas aparece como elemento central na estratégia apresentada pela direção da estatal.

A empresa afirma que o plano de reestruturação inclui revisão de despesas e contratos, reorganização da companhia, aumento da eficiência operacional e medidas para ampliar a geração de receitas.

Como a greve afeta as entregas

A paralisação pode provocar reflexos na postagem, tratamento, distribuição e entrega de encomendas, embora os Correios tenham adotado medidas para manter o funcionamento da operação.

A estatal informou que ativou seu plano de continuidade de negócios, incluindo o remanejamento de veículos, mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais e realização de mutirões para preservar o fluxo logístico.

A determinação do TST para manter 80% do efetivo também busca assegurar um nível mínimo de funcionamento durante a greve.

Para quem tem encomendas em trânsito, portanto, a existência da greve não significa necessariamente paralisação total dos serviços. O efeito pode variar conforme a região, o volume de objetos e a capacidade operacional de cada unidade.

O que pode acontecer após a decisão do TST

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O julgamento do dissídio pode estabelecer regras para o período de paralisação e para as condições do acordo coletivo, caso não seja alcançada uma solução negociada.

Entre os pontos que podem ser analisados estão reajustes, benefícios, jornada, plano de saúde e demais cláusulas trabalhistas que permanecem em disputa.

A decisão também poderá influenciar a retomada das atividades pelos empregados. Até que haja uma definição, a greve continua sujeita às determinações judiciais já estabelecidas, incluindo a manutenção do percentual mínimo de trabalhadores.

É importante destacar que o julgamento do dissídio não representa apenas uma discussão sobre salários. O processo está inserido em um momento de profunda reorganização dos Correios, que tenta equilibrar as obrigações trabalhistas com a necessidade de recuperação financeira e manutenção da rede de serviços.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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