A greve dos trabalhadores dos Correios chega nesta segunda-feira (21) a uma nova etapa, com a análise do dissídio coletivo pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). A paralisação começou em 10 de setembro, depois que as negociações sobre o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027 terminaram sem consenso.
A discussão no tribunal ocorre depois de a empresa recorrer à mediação do TST para tentar chegar a um acordo com as entidades sindicais. Em agosto, os Correios informaram que haviam solicitado a mediação para definir as condições do novo acordo coletivo, após a rejeição da proposta apresentada aos trabalhadores.
O principal ponto de divergência envolve o plano de saúde dos empregados, mas a negociação também inclui questões salariais, benefícios, jornada e mudanças propostas pela estatal como parte do processo de reestruturação.
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A paralisação foi deflagrada após o fracasso das negociações entre a empresa e os representantes dos trabalhadores. Segundo os Correios, a direção busca adequar despesas à situação financeira da estatal e preservar a capacidade de manter suas operações.
Em agosto, a empresa informou ao TST que pretendia manter integralmente 56 cláusulas do acordo anterior e fazer ajustes em outras 21. A estatal também afirmou que algumas garantias trabalhistas representam mais de R$ 60 milhões anuais.
Os sindicatos, por outro lado, contestam mudanças propostas pela empresa e apontam especialmente o plano de saúde como um dos principais obstáculos à conclusão do acordo.
Com o impasse, o caso passou à esfera judicial. Em 12 de setembro, o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, determinou que os Correios mantivessem pelo menos 80% do efetivo durante a paralisação. A decisão considerou o caráter essencial das atividades postais e os possíveis impactos do movimento no período eleitoral de 2026.
O que está em discussão no dissídio
A disputa não se resume ao reajuste salarial. Embora o índice de 4,35% pelo INPC, retroativo a 1º de agosto, esteja entre os pontos discutidos na negociação, existem diferenças importantes sobre benefícios e regras de trabalho.
Entre as propostas atribuídas à direção dos Correios estão alterações no adicional de férias, nas regras de pagamento de horas extras, no abono concedido aos empregados e no sistema de controle de jornada.
A empresa também defende mudanças na forma de dimensionar as unidades, considerando a relação entre demanda e capacidade operacional, além do retorno do registro eletrônico de ponto.
Outro ponto sensível é o plano de saúde. A proposta discutida prevê mudanças na participação dos Correios como mantenedora do benefício, mantendo subsídios aos empregados, mas reduzindo a exposição da empresa aos riscos financeiros e atuariais do plano.
O tema é especialmente relevante porque o benefício alcança trabalhadores, aposentados e familiares e está entre as questões apontadas pela representação sindical como centrais para a negociação.
Situação financeira pesa nas negociações
A discussão trabalhista acontece enquanto os Correios executam um plano de reestruturação financeira e operacional.
No segundo trimestre de 2026, a estatal registrou prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões. O resultado representou uma redução de 24,4% em relação ao prejuízo de R$ 3,16 bilhões registrado no primeiro trimestre. A receita líquida, por sua vez, passou de R$ 3,86 bilhões para R$ 4,01 bilhões entre os dois períodos.
Os Correios também informaram que uma operação de crédito de R$ 12 bilhões, com garantia da União, contribuiu para melhorar as condições de liquidez e alongar o perfil do endividamento da companhia.
Esse cenário explica por que a redução de despesas aparece como elemento central na estratégia apresentada pela direção da estatal.
A empresa afirma que o plano de reestruturação inclui revisão de despesas e contratos, reorganização da companhia, aumento da eficiência operacional e medidas para ampliar a geração de receitas.
Como a greve afeta as entregas
A paralisação pode provocar reflexos na postagem, tratamento, distribuição e entrega de encomendas, embora os Correios tenham adotado medidas para manter o funcionamento da operação.
A estatal informou que ativou seu plano de continuidade de negócios, incluindo o remanejamento de veículos, mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais e realização de mutirões para preservar o fluxo logístico.
A determinação do TST para manter 80% do efetivo também busca assegurar um nível mínimo de funcionamento durante a greve.
Para quem tem encomendas em trânsito, portanto, a existência da greve não significa necessariamente paralisação total dos serviços. O efeito pode variar conforme a região, o volume de objetos e a capacidade operacional de cada unidade.
O que pode acontecer após a decisão do TST

O julgamento do dissídio pode estabelecer regras para o período de paralisação e para as condições do acordo coletivo, caso não seja alcançada uma solução negociada.
Entre os pontos que podem ser analisados estão reajustes, benefícios, jornada, plano de saúde e demais cláusulas trabalhistas que permanecem em disputa.
A decisão também poderá influenciar a retomada das atividades pelos empregados. Até que haja uma definição, a greve continua sujeita às determinações judiciais já estabelecidas, incluindo a manutenção do percentual mínimo de trabalhadores.
É importante destacar que o julgamento do dissídio não representa apenas uma discussão sobre salários. O processo está inserido em um momento de profunda reorganização dos Correios, que tenta equilibrar as obrigações trabalhistas com a necessidade de recuperação financeira e manutenção da rede de serviços.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
