O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou oficialmente nesta terça-feira, 24 de junho de 2025, que 16 países retiraram as restrições à importação de carne de aves do Brasil, após o cumprimento do protocolo sanitário internacional referente ao surto isolado de influenza aviária registrado no estado do Rio Grande do Sul.
Gripe aviária no Brasil: 16 países suspendem restrição à carne
Após cumprir protocolos internacionais, Brasil retoma exportações de carne de frango para 16 países que haviam imposto restrições por causa da gripe aviária.
A decisão reforça a confiança sanitária internacional no controle adotado pelo Brasil diante do episódio e sinaliza a retomada gradual da normalidade nas exportações, setor crucial para a balança comercial brasileira.
Leia mais:
Brasil livre da gripe aviária: veja os próximos passos após a declaração oficial
Países que voltaram a importar carne de frango do Brasil

Segundo a nota divulgada pelo Mapa, os países que revogaram o embargo à carne de frango brasileira foram:
- Argélia
- Bolívia
- Bósnia e Herzegovina
- Egito
- El Salvador
- Iraque
- Lesoto
- Líbia
- Marrocos
- Mianmar
- Montenegro
- Paraguai
- República Dominicana
- Sri Lanka
- Vanuatu
- Vietnã
Esses mercados reabriram suas portas após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer que o Brasil voltou a ser um território livre de gripe aviária de alta patogenicidade em granjas comerciais.
O que motivou o embargo
Surto isolado em granja comercial
No dia 16 de maio, um foco da doença foi identificado em uma granja do município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. A confirmação laboratorial ocorreu no dia 22 de maio, e imediatamente foram iniciadas as ações de contenção, incluindo o abate sanitário, desinfecção do local e bloqueio do foco.
Reação dos países importadores
Mesmo sendo um caso isolado, vários países adotaram medidas cautelares e suspenderam temporariamente a importação da carne de aves brasileira, com o objetivo de preservar seus próprios estoques e garantir segurança sanitária.
Fim do surto e reabilitação do status sanitário
Cumprimento dos 28 dias sem novos casos
Para retomar o status de país livre de influenza aviária, o Brasil precisou cumprir o protocolo internacional estabelecido pela OMSA: um período de 28 dias sem novos registros da doença em granjas comerciais, além da comprovação de desinfecção e vigilância ativa em torno da área afetada.
Esse prazo foi cumprido com sucesso, o que permitiu ao país retomar suas exportações para os mercados que haviam suspendido o comércio temporariamente.
Nota oficial do Mapa
O Ministério destacou que “as ações adotadas visam garantir a segurança sanitária e a retomada segura das exportações o mais breve possível”. A nota ressalta o comprometimento com a transparência e a comunicação com as autoridades sanitárias internacionais.
Países que ainda mantêm restrições
Apesar do avanço, 14 países e a União Europeia ainda mantêm embargo total à carne brasileira de frango, aguardando informações adicionais ou estendendo o período de precaução.
Restrições parciais
Outros 19 países e o Reino Unido mantêm suspensão apenas da carne oriunda do estado do Rio Grande do Sul, o que permite a continuidade das exportações de outras regiões brasileiras.
Além disso, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia impõem restrições apenas à carne oriunda do município de Montenegro, local do foco isolado.
Impacto econômico e diplomático
Importância da avicultura para o Brasil
O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, sendo responsável por cerca de 35% das exportações globais do produto. Qualquer interrupção nos embarques representa perdas econômicas e pressões sobre o setor produtivo.
Reação do mercado
Com o anúncio da liberação de restrições por 16 países, as ações de frigoríficos brasileiros registraram leve alta na Bolsa de Valores, e o mercado projeta recuperação gradual dos contratos de exportação.
O que é a gripe aviária?
Doença viral de alta transmissão
A influenza aviária é uma doença infecciosa causada por vírus do tipo A, que afeta principalmente aves, mas também pode ser transmitida a mamíferos.
Formas de contaminação
A principal forma de disseminação ocorre por meio de:
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
- Contato direto com aves contaminadas
- Água, ração e objetos infectados
- Fezes de aves migratórias
Embora rara em humanos, a gripe aviária pode representar risco à saúde pública, especialmente em casos de mutações mais agressivas.
Riscos ao consumidor e segurança alimentar
Consumo de carne e ovos está liberado
O Ministério da Agricultura reforça que a carne de frango e ovos podem ser consumidos com segurança, desde que respeitados os cuidados de preparo:
- Cozinhar bem a carne
- Evitar o consumo cru de ovos
- Lavar mãos e utensílios após o manuseio de alimentos crus
Não há transmissão por consumo
Até o momento, não há evidência de transmissão da gripe aviária por ingestão de carne ou ovos cozidos, o que significa que o consumo doméstico está liberado, mesmo em regiões afetadas.
Próximos passos do governo brasileiro

Articulação internacional
O Mapa segue em diálogo com as autoridades sanitárias dos países que ainda mantêm o embargo, apresentando relatórios técnicos, certificados de desinfecção e laudos laboratoriais que comprovam a erradicação do foco.
Fortalecimento da vigilância
O governo deve intensificar ações de vigilância sanitária em regiões produtoras e reforçar a capacitação de equipes estaduais para evitar novos episódios.
Considerações finais
A retomada da exportação de carne de frango para 16 países marca uma importante vitória diplomática e sanitária para o Brasil, que conseguiu controlar rapidamente um foco isolado de gripe aviária e recuperar parte de sua credibilidade internacional no comércio de produtos avícolas.
Embora ainda existam países com restrições, a reabertura parcial do mercado já representa um alívio para os frigoríficos e produtores rurais brasileiros, especialmente no Sul do país.
A situação reforça a necessidade contínua de monitoramento epidemiológico rigoroso, transparência nas comunicações sanitárias e respostas rápidas diante de surtos, para garantir o fornecimento seguro de alimentos e a continuidade das exportações — peça-chave da economia nacional.
