O Grupo SBF (CNTO3), controlador da Centauro e da Nike Brasil, recebeu uma sinalização positiva do mercado nesta terça-feira (14), após o Bradesco BBI elevar sua recomendação para as ações da empresa de “neutro” para “compra”. O relatório, assinado pelo analista Pedro Pinto, destaca que a companhia está próxima de um ponto de inflexão nos lucros e no múltiplo, após um período de resultados pressionados por fatores internos e externos.
Bradesco vê oportunidade na Centauro e recomenda ação de compra
Bradesco BBI recomenda compra do Grupo SBF, dono da Centauro e Nike Brasil, com previsão de recuperação de lucros e alta potencial de 45%.
O banco também revisou o preço-alvo da ação para R$ 17, o que representa um potencial de valorização de 45% sobre o preço atual. Na manhã desta terça, os papéis CNTO3 operavam em alta de 2,3%, com o Grupo SBF sendo negociado com um valor de mercado de aproximadamente R$ 2,95 bilhões na B3.
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Valuation atrativo e melhora operacional
Negociação com desconto relevante
Segundo o Bradesco BBI, o Grupo SBF está sendo negociado a 5,9 vezes o lucro estimado para 2026, o que representa um desconto de 30% em relação aos seus pares do setor de varejo. Essa precificação atrativa, somada à expectativa de melhora nos lucros a partir do quarto trimestre de 2025, sustenta a tese de investimento do banco.
“Acreditamos que os níveis de preço atuais não refletem adequadamente a tese de uma melhora dos lucros a partir do 4T,” escreveu o analista Pedro Pinto.
Recuperação da Centauro e da Nike
O relatório destaca que a Centauro vem apresentando melhora de produtividade desde o primeiro trimestre de 2025, tendência que deve continuar. Já a operação da Nike Brasil, que enfrentou desafios nos últimos anos, deve atingir o ponto mais baixo no 3T25, com melhora esperada já no 4T25 e aceleração ao longo de 2026.
Entenda os principais fatores para a virada nos resultados
1. Melhora operacional da Nike Brasil
Nos últimos três anos, a operação da Nike no Brasil foi prejudicada por:
- Excesso de estoque, causado por disfunções na cadeia de suprimentos global;
- Descontos agressivos, para tentar recuperar participação de mercado;
- Desequilíbrio entre canais de venda, com pressão entre atacado e DTC (direct to consumer);
- Desvalorização do real, que corroeu margens.
Apesar disso, o Bradesco vê sinais de estabilização à frente, com destaque para:
- Ponto de inflexão nas vendas do canal atacadista já superado no 2T25;
- Impacto cambial negativo deve atingir o pico no 3T25, com possibilidade de reversão em 2026;
- Melhoria nas margens esperada no 2S26, caso o câmbio favoreça.
“A dinâmica cambial negativa deve se reverter e se tornar um vento a favor no segundo semestre de 2026,” avalia o relatório.
2. Avanços estratégicos sob nova gestão
Desde que Gustavo Furtado assumiu o cargo de CEO em fevereiro de 2025, o Grupo SBF passou por uma reestruturação que mira foco, eficiência e rentabilidade.
As principais medidas incluem:
- Saída de operações não essenciais, como NWB (mídia esportiva) e X3M (eventos esportivos);
- Foco nas marcas principais, Centauro e Nike;
- Revisão no quadro de funcionários, com ajustes em lojas e diretoria;
- Mentalidade mais estratégica, visando aumento da produtividade e maior rentabilidade por metro quadrado.
Segundo o Bradesco, essas mudanças podem gerar pressão temporária sobre as despesas administrativas (SG&A), mas lançam as bases para um modelo de negócios mais enxuto e lucrativo.
Premissas conservadoras, mas upside elevado
Apesar da recomendação otimista, o Bradesco BBI afirma que suas projeções são deliberadamente conservadoras, incluindo:
- Crescimento de vendas de um dígito em 2026;
- Expansão modesta de margem operacional;
- Cautela com variáveis macroeconômicas, como consumo e inflação.
Ainda assim, a avaliação é de que o Grupo SBF possui alavancas mais robustas de crescimento do lucro, principalmente quando comparado a outras empresas domésticas que enfrentam maior risco de revisões negativas de estimativas.
“Isso cria uma assimetria atraente, com mais chances do múltiplo ser reavaliado positivamente, e pouco espaço para aumento do desconto,” conclui o relatório.
Perspectivas para as ações CNTO3

Potencial de valorização
Com o preço-alvo de R$ 17 por ação, o potencial de valorização atual é de 45%, segundo o Bradesco. A expectativa é que a ação vá se beneficiando progressivamente:
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- Da melhora operacional na Centauro;
- Da recuperação gradual da Nike Brasil;
- De eventuais ajustes no múltiplo, à medida que os lucros forem reagindo.
Riscos monitorados
Entre os principais riscos citados pelo banco estão:
- Possível atraso na recuperação da margem da Nike;
- Pressões inflacionárias que afetem o consumo;
- Concorrência crescente no varejo esportivo, com players nativos digitais;
- Volatilidade do câmbio, que afeta diretamente os custos da Nike.
Grupo SBF: breve histórico e estrutura atual
Origem e expansão
O Grupo SBF foi fundado com a operação da Centauro, uma das maiores redes de artigos esportivos da América Latina. Ao longo dos anos, passou por um processo de expansão e diversificação, culminando na aquisição da operação da Nike no Brasil em 2020.
Estrutura atual
- Centauro: mais de 200 lojas em todo o Brasil, com presença física e digital;
- Nike Brasil: operação exclusiva no país, com foco no canal direto ao consumidor e lojas próprias;
- Foco em digitalização e na experiência omnichannel;
- Presença na B3 com o ticker CNTO3.
Varejo esportivo em 2025: contexto setorial

Crescimento da demanda por bem-estar
Mesmo com o cenário macro desafiador, o setor de artigos esportivos tem se beneficiado de uma mudança cultural do consumidor, que busca mais saúde, fitness e bem-estar.
Concorrência e digitalização
O ambiente competitivo tem aumentado com a entrada de novos e-commerces, marcas independentes e a consolidação de marketplaces. A atuação integrada no online e no físico, com foco em experiência de compra e personalização, torna-se diferencial competitivo.
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