O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou que o governo conseguiu bloquear articulações de bancos que buscavam diminuir o impacto do IOF por meio de estratégias tributárias. Em entrevista divulgada pelo Jornal da Record, Haddad defendeu que o debate sobre a carga tributária precisa considerar quem efetivamente será onerado.
Ele elogiou o processo de aprovação das medidas fiscais no Congresso, sinalizando que, mesmo enfrentando resistência inicial, as propostas foram amplamente aprovadas e recebem ajustes sob o crivo legislativo — o que, para o ministro, reforça a dinâmica democrática do país. O posicionamento foi registrado no site R7, com a íntegra exibida na programação da Record News.
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Esquema alegado: os bancos e a tentativa de evitar o IOF

O que estariam os bancos tentando?
Segundo Haddad, algumas instituições financeiras tentaram estruturar operações para esvaziar ou redirecionar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), reduzindo a carga tributária sem ferir a lei. O ministro não citou exemplos específicos, mas destacou que o governo agiu para interromper essas práticas.
“A luz acesa”: quem de fato paga os impostos?
Haddad argumentou que a discussão sobre carga tributária deve se concentrar no impacto real para os contribuintes:
“Quando se fala aumento da carga tributária ou baixa da carga tributária, a pergunta que tem que acender uma luz na cabeça de todo mundo é: para quem está aumentando? Se eu estou aumentando a carga tributária de quem não paga nada e é rico, eu não estou aumentando a carga tributária”
Em suas palavras, tributar os que não contribuem pouco ou nada não representa sobrecarga para os que já cumprem suas obrigações fiscais.
Parlamento e MP 1.303/2025: ida, volta e ajustes
Legislação em pauta
A Medida Provisória 1.303/2025, que inclui dispositivos sobre o IOF, enfrentou resistência inicial no Congresso. Segundo Haddad, isso era previsto e natural:
“De dois anos e meio para cá, qual tem sido o padrão do Congresso Nacional? O Congresso faz lá as observações que ele deve fazer, até porque são 513 deputados e 81 senadores, mas no final das contas, o que tem acontecido? Mediante negociação, nós temos aprovado praticamente todas as medidas”
O ministro destacou que, por meio do processo democrático, houve emendas, recalibragens e aprovação consensual dos dispositivos.
Democracia em funcionamento
Complementando a ideia, Haddad ressaltou:
“E é assim que funciona uma democracia em todo lugar do mundo”
Ou seja, os ajustes promovidos pelas lideranças legislativas são parte do jogo democrático, e não sinal de desgaste do governo.
Detalhes da MP 1.303/2025 e medidas associadas
A MP tocou em pontos sensíveis da tributação, incluindo o IOF. Entre os mecanismos discutidos estão:
- Ajustes na alíquota cobrada sobre operações financeiras;
- Controle sobre o uso de instrumentos fiscais preferenciais por instituições bancárias;
- Regras de transição para garantir segurança jurídica e respeito ao teto de gastos.
O diálogo entre Executivo e Legislativo resultou em um texto amadurecido durante a tramitação.
Por que o governo não poupou críticas à briga tributária
Haddad reforçou que o objetivo não é tributar aleatoriamente, mas promover justiça fiscal, com enfoque em:
- Redistribuição de carga tributária: tributar mais quem tem base contributiva elevada;
- Fechar brechas legais que permitam que bancos reduzam seu ônus fiscal;
- Manter disciplina fiscal sem ampliar gastos ou gerar desequilíbrios.
Para o ministro, essa combinação fortalece a robustez do sistema sem prejudicar os contribuintes que já pagam impostos.
Reação de bancos e setores financeiros
Embora Haddad não tenha citado bancos diretamente, instituições do setor podem repertir o argumento de que a tributação elevada afeta o custo do crédito e pode impactar o custo de serviços bancários aos clientes. No entanto, o ministro repetiu que qualquer medida será submetida ao Congresso, que poderá atuar com vigor democrático.
Importância da transparência e do debate público
A fala do ministro reforça a importância de manter a sociedade envolvida no debate: a participação ativa de parlamentares e a imprensa garante que tais medidas sejam avaliadas à luz do interesse público, sob critérios técnicos e éticos.
Próximos passos no Congresso e na execução
- A íntegra da entrevista será um instrumento para o governo reforçar a narrativa ao público;
- Congressistas deverão analisar o relatório final da MP nas próximas sessões;
- Se aprovado, o texto seguirá para sanção, podendo sofrer vetos ou ajustes pelo presidente da República.
Conclusão: balanço entre defesa fiscal e democracia

A declaração de Haddad serve de alerta para a existência de tentativas de driblar o IOF pelas grandes instituições, e celebra a ação do governo em obstruir essas manobras. Além disso, reforça o funcionamento da democracia, com negociações, recalibrações e aprovação em série de medidas complexas, indicando validade do processo institucional. O filtro democrático aplicado à MP 1.303/2025, afirma, garante legalidade, justiça e equilíbrio tributário.
Com informações de: InfoMoney
