A rede de lojas Havan, conhecida por sua imponente presença em diversas regiões do Brasil e por seu dono, o empresário Luciano Hang, iniciou uma ação controversa para lidar com furtos em suas unidades. A empresa utiliza as redes sociais para divulgar imagens de suspeitos flagrados furtando mercadorias, estratégia que rapidamente viralizou e gerou debates acalorados sobre sua eficácia e ética.
Um dos vídeos publicados nas plataformas, como o TikTok e X (antigo Twitter), alcançou milhões de visualizações em poucos dias, gerando tanto apoio quanto críticas. Os vídeos têm mostrado indivíduos supostamente cometendo furtos em diversas lojas da rede, com a Havan justificando a exposição como uma forma de coibir o comportamento criminoso.
O “Amostradinho do Mês”: uma abordagem de exposição pública

Luciano Hang batizou essa iniciativa de “amostradinhos do mês”, em uma referência irônica ao tradicional conceito de “funcionário do mês”. O empresário explicou que o objetivo é expor mensalmente os casos de furtos mais emblemáticos que acontecem nas unidades da Havan espalhadas pelo país. A escolha dos vídeos é feita com base na clareza das imagens e na gravidade dos casos.
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Segundo a Havan, essa prática teve início em agosto, mas os vídeos divulgados não necessariamente representam eventos ocorridos apenas naquele mês. A seleção é feita com o intuito de tornar público os casos mais evidentes, na tentativa de desestimular futuros furtos.
Hang afirmou em uma publicação nas redes sociais que quem cometer furto na Havan será identificado e ainda ganhará notoriedade, destacando a intenção de usar a exposição pública como forma de punição.
A viralização nas redes sociais
A estratégia parece estar funcionando no que se refere à visibilidade. Em setembro, um vídeo publicado na conta oficial da Havan no TikTok já acumulava mais de 16 milhões de visualizações. A repercussão nas redes sociais gerou uma polarização de opiniões: enquanto alguns internautas apoiam a iniciativa, argumentando que criminosos merecem ser expostos, outros acreditam que a prática pode gerar injustiças e expor indivíduos a riscos, sem um devido processo legal.
A divulgação dessas imagens também levantou questionamentos sobre a privacidade e os direitos dos suspeitos. Muitos defendem que, apesar de os furtos serem um problema real, a exposição pública nas redes sociais pode ser uma forma inadequada de lidar com a situação. Além disso, há preocupações quanto à possibilidade de erros, como a identificação equivocada de uma pessoa inocente, o que poderia resultar em graves consequências para o indivíduo envolvido.
Por que a Havan adotou essa prática?
Após a pandemia de COVID-19, a Havan observou um aumento expressivo nos casos de furtos em suas unidades. Mesmo com um sistema de segurança sofisticado, que inclui monitoramento 24 horas por dia e o uso de inteligência artificial para identificar possíveis suspeitos, a empresa não conseguiu reduzir significativamente a quantidade de incidentes.
De acordo com Luciano Hang, as medidas convencionais, como o acionamento da Polícia Militar e o registro de boletins de ocorrência, não trouxeram os resultados esperados. “A única forma de inibir é a vergonha”, afirmou o empresário em comunicado, defendendo a exposição como uma medida preventiva para reduzir a reincidência dos crimes. Hang argumenta que a divulgação dos vídeos serve como uma mensagem clara: quem furtar na Havan será exposto publicamente.
A rede Havan não se limita à exposição nas redes sociais. A empresa investiu significativamente em sistemas de segurança que utilizam tecnologia de ponta para monitorar seus estabelecimentos. As lojas contam com câmeras de alta definição que cobrem toda a área de vendas e sistemas de reconhecimento facial que cruzam os dados dos clientes com os registros de incidentes.
O papel das autoridades e a questão legal
A prática de divulgar imagens de suspeitos levanta discussões sobre a legalidade e a ética dessa ação. De um lado, há quem veja a exposição como um meio eficaz para dissuadir a criminalidade. De outro, advogados e especialistas em direito alertam para os riscos de violar os direitos dos indivíduos e as normas legais, que garantem a presunção de inocência.
No Brasil, a legislação prevê que uma pessoa só pode ser considerada culpada após uma sentença judicial. Ao expor os suspeitos antes mesmo de um julgamento, a Havan poderia estar infringindo o direito à privacidade e à honra dessas pessoas.
Impacto nas vendas e na imagem da Havan
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+311 mil seguidores
Embora a estratégia tenha gerado controvérsias, a Havan relatou que houve um impacto positivo na redução dos furtos após o início das divulgações. A empresa afirma que o número de incidentes diminuiu consideravelmente desde agosto, quando começou a postar os vídeos. Esse resultado sugere que a ameaça de exposição pública pode estar funcionando como um dissuasor.
No entanto, a iniciativa também gerou um impacto significativo na imagem da Havan. O debate sobre a ética e a legalidade da prática dividiu a opinião pública, com muitos criticando o que consideram ser uma “justiça pelas próprias mãos”. Por outro lado, a rede também conquistou apoio de clientes que acreditam que medidas mais duras são necessárias para combater a criminalidade.
Repercussões nas redes sociais e entre influenciadores

A viralização dos vídeos não passou despercebida por influenciadores digitais e formadores de opinião. Alguns elogiaram a “coragem” de Luciano Hang em expor os criminosos, enquanto outros apontaram os riscos de adotar uma abordagem tão agressiva e potencialmente prejudicial.
Debates sobre privacidade, justiça e criminalidade se tornaram comuns nas redes sociais, levando a uma reflexão mais ampla sobre os limites do uso da tecnologia para combater o crime.
Considerações finais
A decisão da Havan de expor vídeos de furtos em suas lojas é um exemplo claro de como a tecnologia e as redes sociais estão sendo usadas para enfrentar problemas tradicionais, como o roubo. Embora a prática tenha gerado resultados positivos na redução de incidentes, também revisitou discussões importantes sobre ética, privacidade e legalidade.
