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Havanna recorre à recuperação extrajudicial no Brasil; entenda o processo

Havanna Brasil entra em recuperação extrajudicial com dívidas de R$ 127 milhões e afirma que operação segue em expansão.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Havanna recorre à recuperação extrajudicial no Brasil; entenda o processo

A operação brasileira da rede de cafeterias argentina Havanna iniciou um processo de recuperação extrajudicial para reorganizar compromissos financeiros do grupo controlador. O pedido foi apresentado no fim de 2025 e o plano de negociação das dívidas foi protocolado no primeiro semestre de 2026.

O processo tramita na 1ª Vara Regional de Competência Empresarial de São Paulo e envolve seis empresas ligadas ao grupo comandado pelo empresário Marcos Rothenberg. Ao todo, os débitos incluídos na negociação chegam a aproximadamente R$ 127 milhões.

Apesar da recuperação envolver empresas relacionadas à marca, a Havanna afirma que sua operação comercial no Brasil continua saudável e que o procedimento não foi motivado por dificuldades próprias do negócio de cafeterias, lojas e produtos alimentícios.

Segundo a empresa, a medida busca reorganizar obrigações compartilhadas entre companhias do grupo e evitar impactos sobre fornecedores, franqueados e parceiros comerciais.

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Imagem gerada por IA/ Seu Crédito Digital

Entenda o que é uma recuperação extrajudicial

A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que uma empresa negocie diretamente com seus credores uma reorganização das dívidas antes de recorrer a uma recuperação judicial.

Diferentemente da recuperação judicial, em que há maior participação do Judiciário na condução do processo e fiscalização de um administrador judicial, a modalidade extrajudicial costuma envolver acordos privados entre a empresa e determinados grupos de credores.

Após a aprovação do plano pelos credores dentro das regras previstas na legislação, o acordo pode ser levado à Justiça para homologação.

O objetivo principal é permitir que empresas com capacidade operacional preservada consigam reorganizar pagamentos, manter atividades e evitar uma situação de insolvência.

Havanna afirma que crise não está ligada às operações das cafeterias

No pedido apresentado à Justiça, a Café Del Plata, empresa responsável pela operação das lojas Havanna no Brasil, informou que não enfrenta uma crise financeira própria.

De acordo com os documentos apresentados, a companhia teria sido incluída no processo devido à ligação societária e financeira com outras empresas do grupo que enfrentam dificuldades de reorganização.

A empresa destacou que suas atividades continuam em crescimento e que a inclusão no processo ocorre por conta de compromissos assumidos de forma solidária entre companhias relacionadas.

Em comunicado, a Havanna afirmou que a recuperação extrajudicial tem como finalidade preservar a continuidade do negócio e proteger a capacidade operacional da marca no país.

Segundo a companhia, as obrigações financeiras envolvidas não representam problemas relacionados ao funcionamento das cafeterias, franquias ou distribuição dos produtos tradicionais da marca.

Dívidas envolvem empresas do grupo controlador

A principal empresa apontada como responsável pelas dificuldades financeiras seria a Fragrance, companhia ligada ao segmento de perfumes e pertencente ao mesmo grupo econômico.

A estrutura empresarial reúne diferentes negócios sob um mesmo controle acionário, fazendo com que determinadas obrigações financeiras tenham impacto conjunto entre as empresas.

Esse tipo de situação ocorre quando companhias possuem garantias cruzadas, responsabilidades compartilhadas ou relações financeiras entre si. Mesmo que uma determinada unidade de negócio tenha desempenho positivo, ela pode participar de processos de reorganização para preservar o equilíbrio do grupo.

Ação de falência envolvendo dívida com indústria de chocolates

Antes do pedido de recuperação extrajudicial, a Havanna Brasil também enfrentava uma ação de falência movida pela indústria de chocolates Top Cau.

O processo teria como origem valores relacionados a notas fiscais em aberto que somariam cerca de R$ 4,1 milhões.

A existência da ação reforçou a necessidade de negociação dos compromissos financeiros do grupo, levando à busca por uma solução extrajudicial para reorganizar os pagamentos e evitar consequências sobre a operação.

Empresa diz que expansão no Brasil continua

Mesmo com o processo de reorganização financeira, a Havanna afirma que mantém seu plano de crescimento no mercado brasileiro.

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Segundo a companhia, foram abertas mais de 30 novas operações no primeiro semestre de 2026, incluindo diferentes formatos comerciais da marca.

A empresa também informou que pretende alcançar mais de 700 pontos de venda no Brasil até 2030, considerando cafeterias, quiosques, franquias e outros modelos de distribuição.

Além da expansão física, a estratégia inclui ampliar a presença dos produtos Havanna no varejo alimentar, facilitando o acesso dos consumidores a itens como alfajores, chocolates e o tradicional doce de leite argentino.

História da Havanna e presença no Brasil

Fundada em 1947 na Argentina, a Havanna construiu sua identidade principalmente com os alfajores e o doce de leite, produtos que se tornaram símbolos da marca.

A chegada ao mercado brasileiro ocorreu em 2006, inicialmente com foco em lojas próprias e pontos comerciais estratégicos. A partir de 2014, a empresa acelerou sua expansão por meio do sistema de franquias.

O modelo permitiu ampliar a presença nacional e alcançar diferentes regiões do país com cafeterias, quiosques e lojas especializadas.

Atualmente, a rede possui mais de 200 unidades no Brasil, entre cafeterias, quiosques e operações voltadas ao consumo de produtos da marca.

Recuperação extrajudicial pode afetar consumidores?

placa de loja da Havanna
Imagem: Antonio Salaverry / Shutterstock.com

Para clientes da Havanna, a recuperação extrajudicial não significa, necessariamente, fechamento de lojas ou interrupção das atividades.

Como a própria empresa informou, o objetivo do processo é organizar compromissos financeiros do grupo sem prejudicar o funcionamento das operações comerciais.

Na prática, consumidores devem continuar encontrando produtos e serviços normalmente nas unidades da rede, enquanto a companhia negocia suas obrigações com credores.

Para fornecedores e parceiros comerciais, o processo representa uma tentativa de garantir previsibilidade financeira e manter a continuidade das relações empresariais.

(Crédito: Fachada do Café Havanna | Foto: Divulgação)

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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