A inteligência artificial generativa mudou a forma como pessoas trabalham, estudam e interagem no ambiente digital. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude ampliaram o acesso à produção de textos, imagens e até áudios sintéticos, trazendo ganhos de produtividade para empresas e consumidores.
Fraudes com inteligência artificial preocupam empresas do setor de seguros
Entenda como a inteligência artificial está transformando as fraudes em seguros e quais medidas o mercado adota para combater os golpes.
Ao mesmo tempo, a popularização dessas plataformas abriu espaço para um problema crescente: o uso da tecnologia em fraudes. No mercado de seguros, criminosos já utilizam inteligência artificial para criar documentos falsos, adulterar fotografias, manipular gravações e simular acidentes, impondo novos desafios às seguradoras e às autoridades.
O avanço desse tipo de golpe afeta diretamente consumidores, empresas e órgãos reguladores. Ao longo deste artigo, você entenderá como a inteligência artificial está sendo usada em fraudes de seguros, quais são os impactos financeiros desse fenômeno, quais medidas estão sendo adotadas para combatê-lo e o que a legislação brasileira prevê sobre o tema.
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Como a inteligência artificial passou a ser usada em fraudes de seguros

A expansão das ferramentas de inteligência artificial permitiu que tarefas antes complexas fossem executadas em poucos segundos. O que exigia conhecimentos avançados de edição de imagem ou softwares especializados agora pode ser produzido por meio de comandos simples.
Na prática, fraudadores conseguem:
- criar documentos falsificados;
- adulterar fotografias;
- produzir áudios sintéticos;
- alterar vídeos;
- simular acidentes;
- modificar informações de vistorias;
- gerar comprovantes fraudulentos.
No setor de seguros, esses recursos são utilizados principalmente para aumentar valores de indenização, inventar prejuízos inexistentes ou direcionar pagamentos indevidos.
O problema não está restrito ao Brasil. Em diversos países, seguradoras já registram aumento nas tentativas de fraude envolvendo inteligência artificial e conteúdos manipulados digitalmente.
Os números das fraudes no mercado segurador
Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSEG) mostram a dimensão do problema. Apenas no primeiro trimestre de 2025, os sinistros com fraudes comprovadas somaram R$ 734 milhões.
Quando entram na conta os casos considerados suspeitos, o valor ultrapassa R$ 3,36 bilhões.
Esses números revelam que as fraudes não prejudicam apenas as empresas. Como o setor de seguros opera em um modelo mutualista — no qual os custos são compartilhados entre todos os segurados — perdas bilionárias podem impactar preços, coberturas e condições oferecidas aos consumidores.
Por que a inteligência artificial tornou os golpes mais sofisticados
A principal diferença em relação às fraudes tradicionais está no nível de realismo alcançado pelas novas ferramentas.
Até poucos anos atrás, documentos adulterados ou montagens fotográficas frequentemente apresentavam falhas visíveis. Hoje, imagens criadas por inteligência artificial conseguem reproduzir detalhes de iluminação, textura e profundidade com alto grau de precisão.
Entre os golpes mais comuns estão:
Manipulação de imagens
Fraudadores podem gerar fotografias falsas de veículos danificados, alterar placas, remover avarias antigas e criar cenários inexistentes.
Falsificação documental
Laudos médicos, recibos, comprovantes e documentos pessoais podem ser produzidos digitalmente em questão de minutos.
Clonagem de voz
Ferramentas de síntese vocal conseguem reproduzir vozes humanas com grande fidelidade, aumentando os riscos de golpes envolvendo confirmações telefônicas e autorizações fraudulentas.
Deepfakes
Vídeos manipulados por inteligência artificial também começam a preocupar investigadores, especialmente em processos que dependem da análise audiovisual.
Vistorias digitais se tornaram um dos principais alvos
O crescimento das vistorias online no setor automotivo trouxe praticidade para consumidores e seguradoras, mas também abriu novas oportunidades para criminosos.
Com aplicativos que permitem o envio remoto de fotos e vídeos, golpistas passaram a apresentar materiais produzidos integralmente por inteligência artificial para simular acidentes ou esconder danos anteriores.
Um caso identificado pela empresa especializada Infocar ilustra a complexidade do problema. Uma vistoria falsa só foi descoberta porque os dados de geolocalização indicavam que o material havia sido enviado de um endereço localizado na China, incompatível com a localização declarada pelo segurado.
O episódio mostra que, muitas vezes, a descoberta da fraude depende menos da análise visual e mais da investigação técnica dos rastros digitais.
O que diz a legislação brasileira sobre fraudes com inteligência artificial
O Brasil ainda não possui um crime específico para punir, de forma ampla, a criação de deepfakes voltados à fraude patrimonial.
Hoje, a principal base jurídica utilizada é o artigo 171 do Código Penal, que tipifica o crime de estelionato. Nesse contexto, documentos, imagens e áudios gerados por inteligência artificial funcionam como instrumentos para induzir terceiros ao erro.
Ao mesmo tempo, novas propostas legislativas tentam preencher lacunas existentes.
Projeto de lei sobre deepfakes
O Projeto de Lei nº 1.272/2023, em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe a criação do artigo 308-A no Código Penal para criminalizar especificamente a adulteração maliciosa de vídeos e áudios.
Marco Legal da Inteligência Artificial
Outro debate relevante envolve o Projeto de Lei nº 2.338/2023, conhecido como Marco Legal da IA.
A proposta, aprovada pelo Senado e ainda em análise pela Câmara, prevê a criação de mecanismos de governança, avaliações de risco e regras específicas para sistemas de inteligência artificial generativa.
Novas regras para o setor de seguros
A Lei nº 15.040/2024, conhecida como Nova Lei de Seguros, ampliou as exigências de transparência na regulação de sinistros e determinou que negativas de cobertura sejam devidamente fundamentadas.
Na prática, isso aumenta a responsabilidade das seguradoras quando a recusa estiver baseada em suspeitas de fraude envolvendo inteligência artificial.
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O maior desafio está na produção de provas
A evolução tecnológica criou um problema adicional para seguradoras e autoridades: a dificuldade em comprovar a manipulação digital.
Métodos tradicionais, como a simples análise visual de imagens ou a conferência manual de documentos, já não são suficientes para detectar conteúdos sintéticos sofisticados.
Atualmente, as investigações dependem de técnicas especializadas, como:
- análise de metadados;
- verificação de geolocalização;
- identificação de inconsistências em sombras e iluminação;
- análise espectral de áudios;
- validação biométrica;
- sistemas de detecção de vivacidade;
- cruzamento de evidências digitais.
Especialistas defendem que a investigação moderna precisa combinar diferentes fontes de informação para garantir conclusões tecnicamente fundamentadas.
Como as seguradoras estão reagindo: a IA contra a própria IA
Diante da sofisticação dos golpes, o mercado segurador passou a investir em tecnologias capazes de identificar padrões suspeitos automaticamente.
Os sistemas mais modernos utilizam inteligência artificial para detectar:
- datas incompatíveis em arquivos;
- alterações em imagens;
- custos fora do padrão regional;
- inconsistências em documentos;
- padrões incomuns de comportamento;
- tentativas repetidas de fraude.
Apesar do uso crescente dessas ferramentas, a decisão final continua dependendo da atuação humana. Analistas especializados avaliam os indícios apontados pelos sistemas antes de confirmar qualquer irregularidade.
Além disso, seguradoras vêm ampliando o uso de autenticação biométrica, reconhecimento facial e mecanismos de validação em tempo real.
O que muda para os consumidores

Embora as fraudes sejam praticadas por uma minoria, seus efeitos atingem todo o mercado.
Quanto maiores forem as perdas financeiras das seguradoras, maior tende a ser a pressão sobre preços, processos internos e exigências documentais.
Para consumidores, alguns cuidados se tornam cada vez mais importantes:
- guardar comprovantes e registros originais;
- evitar compartilhar documentos em plataformas desconhecidas;
- conferir atentamente contratos e comunicações;
- desconfiar de pedidos incomuns enviados por aplicativos;
- preservar fotos e registros do sinistro;
- utilizar apenas canais oficiais da seguradora.
A tendência é que a contratação e a regulação de seguros se tornem cada vez mais digitais, exigindo mecanismos de segurança igualmente sofisticados.
Conclusão
A inteligência artificial trouxe avanços importantes para a sociedade, mas também transformou a dinâmica das fraudes no mercado de seguros. Documentos, imagens e áudios manipulados elevaram o grau de complexidade dos golpes e obrigaram seguradoras, reguladores e autoridades a modernizar seus métodos de investigação.
Enquanto novas regras ainda são discutidas no Congresso Nacional, o setor aposta em tecnologias capazes de identificar irregularidades e preservar a confiança dos consumidores.
Para quem possui um seguro, a principal recomendação é manter registros organizados, utilizar apenas canais oficiais e acompanhar as mudanças tecnológicas que já começam a redefinir a forma como sinistros são analisados no Brasil.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
