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Ibovespa opera em alta de 1% enquanto dólar fica estável no mercado

Ibovespa sobe com balanços e plano contra tarifas dos EUA; dólar cai e cenário global segue no radar.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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A Bolsa de Valores brasileira começou esta quinta-feira (7) com viés positivo, impulsionada por uma série de divulgações de resultados corporativos relevantes, incluindo números de empresas como Suzano, Rede D’Or e Eletrobras. O otimismo dos investidores também reflete a expectativa em torno de uma possível resposta do governo brasileiro às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos, ainda que o cenário externo siga carregado de incertezas.

Às 11h14, o Ibovespa — principal índice da bolsa brasileira — subia 0,96%, atingindo 135.835,30 pontos. O dólar, por sua vez, apresentava leve recuo de 0,13%, cotado a R$ 5,464 na venda, dando sequência a um movimento de valorização do real frente à moeda norte-americana observado nos últimos dias.

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Imagem: Bro Crock / shutterstock.com

Resultados corporativos impulsionam o mercado

A atual rodada de balanços trimestrais tem mexido com o humor dos investidores. Empresas com forte peso no índice, como Suzano, Eletrobras e Rede D’Or, divulgaram números que, em geral, vieram dentro ou acima das expectativas.

Destaques do dia:

  • Suzano: os números vieram mais resilientes que o esperado, mesmo com o cenário desafiador para o setor de celulose.
  • Rede D’Or: apresentou crescimento consistente de receita e margens operacionais.
  • Eletrobras: o mercado reagiu positivamente à melhora na eficiência operacional e redução da alavancagem.
  • Petrobras: o balanço sai após o fechamento do pregão e é um dos mais aguardados da temporada.

Os dados das empresas trazem alívio e confiança aos investidores, que seguem atentos aos impactos macroeconômicos e geopolíticos.

Dólar segue em leve queda, apesar das tensões comerciais

Apesar das incertezas no cenário internacional, o dólar mantém baixa volatilidade frente ao real. Desde a quinta-feira anterior, a moeda americana já acumula queda de 2,5%, acompanhando a fraqueza global do dólar, que vem sendo pressionado pela expectativa de corte nos juros pelo Federal Reserve ainda neste ano.

O índice do dólar (DXY), que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,02% nesta manhã, a 98,201 pontos — ainda refletindo um momento de transição no mercado global.

Juros nos EUA no radar

Com a inflação dos Estados Unidos se mantendo sob controle e alguns indicadores econômicos sinalizando desaquecimento, aumentam as apostas de que o Fed poderá começar a reduzir os juros. Esse movimento, se confirmado, tende a beneficiar moedas de países emergentes, como o real.

Impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos

O pano de fundo do mercado segue sendo a crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, após a entrada em vigor de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, imposta pelo governo de Donald Trump.

Entre os produtos afetados estão bens industriais, agrícolas e tecnológicos, com exceções para itens como aeronaves, energia e suco de laranja. A medida acirra tensões diplomáticas e afeta diretamente diversos setores da economia brasileira.

Lula diz que não há espaço para negociação direta

Precatórios
Imagem: Reprodução/Miguel Schincariol/AFP

Em entrevista exclusiva à Reuters, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não vê margem para diálogo direto com Trump, e que o Brasil não adotará retaliações tarifárias neste momento.

“Não vamos entrar em guerra comercial. Não é esse o caminho. Vamos insistir na negociação, mesmo que não haja hoje interlocução direta”, afirmou Lula.

A declaração mostra que o governo opta por uma postura cautelosa, tentando evitar a escalada do conflito, mesmo sob pressão de setores econômicos afetados.

Haddad terá reunião com Tesouro dos EUA

Com a ausência de diálogo direto entre os presidentes, a esperança agora recai sobre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que terá reunião com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, na próxima quarta-feira. A conversa deve abordar formas de atenuar os efeitos da tarifa e possíveis caminhos para retomar a cooperação comercial entre os países.

Plano de contingência em elaboração

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Além do diálogo com os Estados Unidos, o governo brasileiro estuda a criação de um plano de contingência para setores afetados pela medida protecionista. Segundo fontes próximas ao Ministério da Fazenda, o plano poderá envolver:

  • Linhas de crédito com condições facilitadas;
  • Subsídios temporários para exportadores;
  • Incentivos à substituição de mercados internacionais.

“Temos que ficar de olho no que vem nesse plano. Em tese, não deve mexer muito no preço do real, porque não deve ser um plano muito robusto. Mas vale ficar de olho, porque o governo pode usar como desculpa para mais gastos”, comentou Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.

Tensão geopolítica continua no radar

Outro fator que pode gerar volatilidade é o conflito entre Rússia e Ucrânia. Nesta manhã, o Kremlin sinalizou uma possível reunião entre Trump e o presidente russo Vladimir Putin, o que reacende as preocupações sobre os desdobramentos diplomáticos e os efeitos sobre o mercado de energia e commodities.

O cenário externo segue complexo e sujeito a eventos inesperados, o que exige cautela por parte dos investidores.

Expectativas para o restante da semana

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Imagem: jcomp – Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

O mercado brasileiro ainda espera a divulgação de resultados de outras grandes companhias, como Petrobras, Ambev, Itaúsa, Magazine Luiza e Braskem. Além disso, os agentes financeiros estão atentos ao:

  • Desempenho das commodities, especialmente o petróleo e o minério de ferro;
  • Decisões de política monetária nos Estados Unidos e Europa;
  • Anúncios de medidas econômicas por parte do governo brasileiro.

Acompanhar o comportamento do real será fundamental

Com o dólar oscilando levemente e o real acumulando valorização nos últimos dias, os investidores devem observar se a tendência de fortalecimento da moeda brasileira continuará. Caso o governo apresente um plano fiscal crível e a política monetária dos EUA avance para cortes, o real pode seguir ganhando força.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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