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Ibovespa sobe enquanto dólar cai com foco em tarifas de Trump e dados de emprego nos EUA

Ibovespa sobe e dólar recua nesta sexta (1º) após anúncio de tarifas por Trump e dados fracos de emprego nos EUA.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Tensões EUA-Brasil movimentam dólar; Ibovespa fecha em queda nesta sexta

O mercado financeiro brasileiro operou em alta nesta sexta-feira (1º), reagindo à combinação entre a imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos e a divulgação de dados econômicos que indicam enfraquecimento da economia norte-americana. O Ibovespa subia 0,69%, aos 133.988 pontos, enquanto o dólar recuava 0,94%, cotado a R$ 5,5483, por volta das 11h10.

Mercado reage ao tarifaço de Trump

Tarifaço ibovespa
Imagem: Evan El-Amin / shutterstock.com

Novas tarifas visam diversos países

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quinta-feira (31) uma ordem executiva que amplia as tarifas recíprocas aplicadas a vários países, com alíquotas que variam entre 10% e 41%. A medida entra em vigor em 7 de agosto e tem como justificativa proteger os interesses econômicos e estratégicos dos EUA.

Leia mais: Tarifaço de Trump pressiona dólar para alta enquanto Ibovespa recua

Reação do governo brasileiro

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil não pretende retaliar os EUA no curto prazo. Em vez disso, as ações estarão focadas em medidas de proteção à indústria nacional e ao agronegócio.

Dólar em queda reflete cautela com economia dos EUA

Moeda inverte sinal após abertura positiva

O dólar iniciou o dia em alta, mas inverteu o sinal conforme os investidores reagiram aos indicadores divulgados nos Estados Unidos. A moeda americana passou a cair quase 1%, refletindo uma perspectiva de menor crescimento econômico no país e possível corte de juros pelo Federal Reserve (Fed).

Indicadores fracos pressionam o dólar

Entre os principais dados divulgados está o relatório Payroll, que revelou a criação de apenas 73 mil vagas fora do setor agrícola em julho — número bem abaixo da expectativa de 110 mil. A surpresa negativa aumentou as apostas de que o Fed poderá reduzir os juros ainda em setembro.

Outro dado relevante foi a queda de 0,4% nos gastos com construção em junho, além da contração do setor manufatureiro pelo quinto mês consecutivo. Segundo o Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM), o emprego nas fábricas atingiu o menor patamar em cinco anos.

Críticas de Trump ao Fed

Donald Trump voltou a pressionar o presidente do Fed, Jerome Powell, exigindo uma redução imediata das taxas de juros. Em publicação nas redes sociais, o ex-presidente afirmou que, caso Powell se recuse a agir, a diretoria da instituição deveria intervir.

Ibovespa avança com menor aversão ao risco

Balanços corporativos também influenciam

Além do ambiente macroeconômico, os investidores acompanharam a divulgação de resultados trimestrais de grandes empresas brasileiras, o que ajudou a sustentar o desempenho positivo do índice. Empresas ligadas a commodities e bancos lideraram os ganhos.

Tarifaço global: quem foi mais afetado?

Brasil lidera lista de países tarifados

Entre os países atingidos pela nova rodada de tarifas dos EUA, o Brasil teve a maior alíquota: 50%. A medida foi justificada pela Casa Branca como resposta a ações do governo brasileiro que “ameaçam” a economia e a segurança americana.

Outros países também foram fortemente impactados:

  • Síria: 41%
  • Laos e Mianmar: 40%
  • China: 35%
  • Rússia: 30%

Já Reino Unido e Ilhas Malvinas receberam tarifas de apenas 10%, o mínimo estipulado na ordem executiva.

União Europeia busca acordo

O chefe de comércio da União Europeia, Maros Sefcovic, afirmou nesta sexta que os exportadores do bloco estão em melhor posição competitiva após o recente avanço nas negociações com os EUA.

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O que esperar nos próximos dias?

Ibovespa
Imagem: Bro Crock / shutterstock.com

Agenda econômica continuará intensa

A próxima semana também será marcada por indicadores relevantes, tanto no Brasil quanto no exterior. No foco do mercado estarão:

  • Ata da última reunião do Fed
  • Inflação ao produtor nos EUA
  • Produção industrial no Brasil
  • Balanços de grandes empresas nacionais

FAQ — Perguntas frequentes

O que motivou o tarifaço de Trump?
Segundo a Casa Branca, o Brasil representa uma ameaça à economia e segurança nacional dos EUA. A medida também visa fortalecer o setor produtivo norte-americano.

Quais produtos brasileiros ficaram de fora das tarifas?
Mais de 700 itens foram excluídos, incluindo suco de laranja, veículos, aeronaves e certos metais.

O governo brasileiro vai retaliar os EUA?
Por ora, o governo indica que tomará apenas medidas de proteção à indústria e ao agronegócio, descartando retaliação direta.

Por que o dólar caiu nesta sexta?
A queda da moeda está ligada a dados fracos de emprego nos EUA, que aumentam a probabilidade de corte de juros pelo Fed.

Como o Ibovespa foi impactado?
O índice subiu com menor aversão ao risco e expectativa de juros mais baixos nos EUA, além de bons balanços corporativos no Brasil.

Considerações finais

A sexta-feira foi marcada por um alívio nos mercados, com o dólar recuando e o Ibovespa subindo em meio à tensão comercial gerada pelas novas tarifas impostas por Donald Trump. Embora o Brasil tenha sido duramente atingido, a lista de exceções e a ausência de medidas retaliatórias imediatas ajudaram a conter os ânimos.

Ao mesmo tempo, os dados de emprego mais fracos nos Estados Unidos reforçam a expectativa de que o Fed poderá iniciar um ciclo de cortes de juros. Essa combinação, embora envolta em incertezas, trouxe algum otimismo aos investidores brasileiros, ao menos no curto prazo.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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