O mercado financeiro brasileiro operou em alta nesta sexta-feira (1º), reagindo à combinação entre a imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos e a divulgação de dados econômicos que indicam enfraquecimento da economia norte-americana. O Ibovespa subia 0,69%, aos 133.988 pontos, enquanto o dólar recuava 0,94%, cotado a R$ 5,5483, por volta das 11h10.
Ibovespa sobe enquanto dólar cai com foco em tarifas de Trump e dados de emprego nos EUA
Ibovespa sobe e dólar recua nesta sexta (1º) após anúncio de tarifas por Trump e dados fracos de emprego nos EUA.
Mercado reage ao tarifaço de Trump

Novas tarifas visam diversos países
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quinta-feira (31) uma ordem executiva que amplia as tarifas recíprocas aplicadas a vários países, com alíquotas que variam entre 10% e 41%. A medida entra em vigor em 7 de agosto e tem como justificativa proteger os interesses econômicos e estratégicos dos EUA.
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Reação do governo brasileiro
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil não pretende retaliar os EUA no curto prazo. Em vez disso, as ações estarão focadas em medidas de proteção à indústria nacional e ao agronegócio.
Dólar em queda reflete cautela com economia dos EUA
Moeda inverte sinal após abertura positiva
O dólar iniciou o dia em alta, mas inverteu o sinal conforme os investidores reagiram aos indicadores divulgados nos Estados Unidos. A moeda americana passou a cair quase 1%, refletindo uma perspectiva de menor crescimento econômico no país e possível corte de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Indicadores fracos pressionam o dólar
Entre os principais dados divulgados está o relatório Payroll, que revelou a criação de apenas 73 mil vagas fora do setor agrícola em julho — número bem abaixo da expectativa de 110 mil. A surpresa negativa aumentou as apostas de que o Fed poderá reduzir os juros ainda em setembro.
Outro dado relevante foi a queda de 0,4% nos gastos com construção em junho, além da contração do setor manufatureiro pelo quinto mês consecutivo. Segundo o Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM), o emprego nas fábricas atingiu o menor patamar em cinco anos.
Críticas de Trump ao Fed
Donald Trump voltou a pressionar o presidente do Fed, Jerome Powell, exigindo uma redução imediata das taxas de juros. Em publicação nas redes sociais, o ex-presidente afirmou que, caso Powell se recuse a agir, a diretoria da instituição deveria intervir.
Ibovespa avança com menor aversão ao risco
Balanços corporativos também influenciam
Além do ambiente macroeconômico, os investidores acompanharam a divulgação de resultados trimestrais de grandes empresas brasileiras, o que ajudou a sustentar o desempenho positivo do índice. Empresas ligadas a commodities e bancos lideraram os ganhos.
Tarifaço global: quem foi mais afetado?
Brasil lidera lista de países tarifados
Entre os países atingidos pela nova rodada de tarifas dos EUA, o Brasil teve a maior alíquota: 50%. A medida foi justificada pela Casa Branca como resposta a ações do governo brasileiro que “ameaçam” a economia e a segurança americana.
Outros países também foram fortemente impactados:
- Síria: 41%
- Laos e Mianmar: 40%
- China: 35%
- Rússia: 30%
Já Reino Unido e Ilhas Malvinas receberam tarifas de apenas 10%, o mínimo estipulado na ordem executiva.
União Europeia busca acordo
O chefe de comércio da União Europeia, Maros Sefcovic, afirmou nesta sexta que os exportadores do bloco estão em melhor posição competitiva após o recente avanço nas negociações com os EUA.
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O que esperar nos próximos dias?

Agenda econômica continuará intensa
A próxima semana também será marcada por indicadores relevantes, tanto no Brasil quanto no exterior. No foco do mercado estarão:
- Ata da última reunião do Fed
- Inflação ao produtor nos EUA
- Produção industrial no Brasil
- Balanços de grandes empresas nacionais
FAQ — Perguntas frequentes
O que motivou o tarifaço de Trump?
Segundo a Casa Branca, o Brasil representa uma ameaça à economia e segurança nacional dos EUA. A medida também visa fortalecer o setor produtivo norte-americano.
Quais produtos brasileiros ficaram de fora das tarifas?
Mais de 700 itens foram excluídos, incluindo suco de laranja, veículos, aeronaves e certos metais.
O governo brasileiro vai retaliar os EUA?
Por ora, o governo indica que tomará apenas medidas de proteção à indústria e ao agronegócio, descartando retaliação direta.
Por que o dólar caiu nesta sexta?
A queda da moeda está ligada a dados fracos de emprego nos EUA, que aumentam a probabilidade de corte de juros pelo Fed.
Como o Ibovespa foi impactado?
O índice subiu com menor aversão ao risco e expectativa de juros mais baixos nos EUA, além de bons balanços corporativos no Brasil.
Considerações finais
A sexta-feira foi marcada por um alívio nos mercados, com o dólar recuando e o Ibovespa subindo em meio à tensão comercial gerada pelas novas tarifas impostas por Donald Trump. Embora o Brasil tenha sido duramente atingido, a lista de exceções e a ausência de medidas retaliatórias imediatas ajudaram a conter os ânimos.
Ao mesmo tempo, os dados de emprego mais fracos nos Estados Unidos reforçam a expectativa de que o Fed poderá iniciar um ciclo de cortes de juros. Essa combinação, embora envolta em incertezas, trouxe algum otimismo aos investidores brasileiros, ao menos no curto prazo.
