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Bolsa recua pouco e se mantém nos 134 mil pontos apesar do desempenho da Vale

Bolsa do Ibovespa recua 0,1% e fecha perto dos 134 mil pontos com alta da Vale e queda da Embraer após anúncio de tarifas.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Bolsas

A Bolsa de Valores brasileira terminou o pregão desta terça-feira (22) praticamente estável, refletindo a mistura de fatores positivos e negativos que impactaram as ações das principais companhias. O Ibovespa recuou 0,1% e encerrou aos 134 mil pontos, segundo dados oficiais da B3. O resultado surpreende por ter ocorrido mesmo com a forte valorização das ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR3; PETR4), que costumam puxar o índice para cima.

A leve retração do mercado foi atribuída, sobretudo, ao mau humor dos investidores com as perspectivas para a Embraer (EMBR3), após a imposição de tarifas norte-americanas sobre exportações brasileiras, o que ameaça os negócios da fabricante de aeronaves no exterior.

Leia mais: Vale sobe com minério acima de US$ 100 e analistas atentos

Vale puxa o índice com quase 3% de alta

Vale
Imagem: Adobe Stock

A mineradora Vale, uma das empresas mais pesadas do Ibovespa, teve um desempenho expressivo e ajudou a limitar perdas maiores no índice. Suas ações subiram cerca de 2,9%, em linha com a recuperação nos preços internacionais do minério de ferro e expectativas positivas para o setor de commodities.

A alta da Vale é significativa porque, junto com Petrobras, suas ações representam grande fatia do índice. Isso faz com que qualquer oscilação nos papéis dessas gigantes tenha impacto direto no desempenho geral da bolsa.

Petrobras também avança

Outro destaque positivo do pregão desta terça-feira foi a Petrobras, cujas ações também apresentaram ganhos. As ações ordinárias e preferenciais da petroleira avançaram, beneficiadas pelo cenário de estabilidade nos preços do petróleo no mercado internacional.

Esse movimento reforça a importância das companhias de energia e mineração para o mercado brasileiro e para a saúde do Ibovespa, que costuma acompanhar o humor dos investidores nessas commodities.

Embraer decepciona mesmo com bons resultados

Do outro lado, a Embraer (EMBR3) destoou do otimismo ao recuar cerca de 0,4%, mesmo após divulgar números robustos referentes ao segundo trimestre. A fabricante anunciou que a carteira de pedidos para aviação comercial atingiu US$ 13,1 bilhões, o melhor resultado em oito anos.

Em condições normais, os investidores teriam reagido com entusiasmo a esse desempenho. Porém, o anúncio recente do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a aplicação de tarifas de 50% nas exportações brasileiras gerou insegurança no mercado.

Tarifas americanas pesam sobre expectativas

A preocupação com as tarifas foi explicitada por Francisco Gomes Neto, presidente da Embraer. Ele estima que a nova taxa pode custar cerca de US$ 20 bilhões à empresa até 2030, comprometendo seriamente sua receita em um dos mercados mais relevantes.

“Os Estados Unidos são de longe o principal destino dos aviões da Embraer. Uma fatia significativa do faturamento vem de vendas para clientes americanos. Para se ter uma ideia, mais de 70% dos jatos executivos da Embraer são comprados por clientes dos EUA”, explicou o especialista em investimentos Gustavo Moreira.

O banco BTG Pactual também destacou em relatório que, embora os números do trimestre sejam animadores, o risco das tarifas é um fator que prejudica a visibilidade da companhia para os próximos anos.

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O equilíbrio frágil do mercado

tarifas - zona do euro bolsa
Imagem: Freepik

O pregão desta terça-feira ilustra bem o momento delicado do mercado brasileiro. Por um lado, há fatores macroeconômicos globais favoráveis para empresas como Vale e Petrobras, sustentando um desempenho sólido. Por outro, incertezas políticas e comerciais, como a questão das tarifas impostas pelos EUA, afetam setores estratégicos, como o da aviação.

Essa combinação acabou neutralizando o impacto positivo dos grandes players e manteve o Ibovespa praticamente no mesmo patamar.

Expectativas para os próximos dias

Analistas de mercado seguem monitorando os desdobramentos das políticas comerciais norte-americanas e os efeitos nos contratos da Embraer. Ao mesmo tempo, esperam que a alta das commodities continue favorecendo os papéis da Vale e Petrobras, o que pode ajudar o índice a ganhar fôlego para superar os 134 mil pontos.

Para os investidores, a recomendação geral tem sido de cautela, evitando grandes apostas antes que se tenha clareza sobre o impacto das tarifas nos resultados de empresas exportadoras brasileiras.

Com informações de: VEJA

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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