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VALE3 sobe com minério acima de US$ 100: veja se é hora de investir na ação

O segundo semestre de 2025 começou de forma positiva para a Vale (VALE3), com as ações da companhia registrando ganhos superiores a 6% apenas em julho, mesmo em um contexto em que o Ibovespa acumula queda de cerca de 3% no mesmo período. A alta do minério de ferro, que superou os US$ 100 por tonelada e atingiu as máximas em cinco meses, contribuiu diretamente para esse desempenho.

Apesar de um primeiro semestre apagado, com os papéis encerrando praticamente estáveis, o novo cenário reacende o debate entre analistas e investidores sobre o potencial de valorização dos ativos da mineradora.

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Mercado dividido sobre a ação da Vale

Vale
Imagem: Adobe Stock

Recomendação dos analistas

Uma compilação de análises feita pela Reuters mostra um mercado indeciso: entre os analistas acompanhados, 8 recomendam a compra das ações da Vale, enquanto outros 9 têm visão neutra. Ainda assim, o preço-alvo médio apontado é de R$ 75,40, o que representa um potencial de valorização de 34,5% em relação ao fechamento de segunda-feira (21).

O interesse dos investidores tem aumentado, tanto pelos ganhos de curto prazo com o minério quanto por movimentos estruturais que podem beneficiar a empresa no médio e longo prazos.

Visão do Itaú BBA

Em relatório temático intitulado “Quais os próximos passos para a Vale?”, o Itaú BBA reiterou sua recomendação de outperform para as ações, equivalente à compra. O preço-alvo é de R$ 74 para VALE3 (32% de upside) e US$ 13 para os ADRs negociados em Nova York (28% de upside).

Os analistas Daniel Sasson e sua equipe destacam que, apesar dos últimos 18 meses desafiadores, a Vale começa a recuperar espaço. Eles ressaltam que, mesmo com um ambiente macroeconômico complicado para commodities, a empresa está em uma posição estratégica diferenciada em relação aos concorrentes australianos.

Vale vs. gigantes australianas: diferenças estratégicas

Posição competitiva

Os analistas do BBA destacam que a Vale tem uma vantagem competitiva importante: seus projetos de expansão são de porte médio, exigem menor capital e apresentam melhor custo por tonelada produzida. Essa característica coloca a empresa em uma posição mais favorável que suas rivais Rio Tinto e BHP, que apostam em projetos maiores e mais custosos.

Mix de vendas e volatilidade

Outro ponto ressaltado é o alto percentual de minério de ferro no mix de vendas da Vale (90% a 100%), semelhante ao da australiana Fortescue Metals Group (FMG). Em contrapartida, Rio Tinto e BHP têm mix mais diversificado (60% a 70%). Isso torna os resultados da Vale mais sensíveis à volatilidade dos preços do minério, mas também garante maior exposição em momentos de alta.

Pressão nos custos e margens

As mineradoras globais enfrentaram aumento estrutural nos custos operacionais, impactadas por pressões inflacionárias. A BHP, por exemplo, viu o custo por tonelada crescer em US$ 8 de 2020 a 2024. Embora os custos da Vale também tenham subido, a empresa mantém uma posição relativamente eficiente em comparação aos pares.

Transição energética e novo ciclo de investimentos

Foco em sustentabilidade

O novo ciclo de investimentos nas gigantes da mineração não mira apenas volume, mas sustentabilidade. Projetos focados em cobre e minério de ferro de maior teor de pureza dominam a agenda das mineradoras, de olho na transição energética e na descarbonização. Vale, BHP e Rio Tinto estão alocando bilhões de dólares para atender essa nova demanda.

Menor intensidade de capital na Vale

A vantagem da Vale nesse cenário é clara: sua expansão moderada, com menor exigência de capital por tonelada, torna seus investimentos mais eficientes e menos arriscados. Ao evitar grandes projetos com elevado custo e risco de execução, a empresa preserva sua capacidade de geração de caixa.

Projeções otimistas do Itaú BBA

Vale
Imagem: Pilar Olivares/Reuters

O Itaú BBA acredita em quatro fatores que podem fortalecer a posição da Vale:

  1. Aumento de volumes e flexibilidade nos teores de minério, gerando ganhos operacionais e financeiros.
  2. Expansões controladas, que aumentam a capacidade produtiva sem comprometer a geração de caixa.
  3. Taxas de esgotamento menores que as dos concorrentes australianos, o que implica menor necessidade de reinvestimentos no futuro próximo.
  4. Retorno gradual de investidores, principalmente após a resolução do acordo de Mariana, o que pode gerar maior liquidez nas ações.

Curto prazo: minério acima de US$ 100 impulsiona ação

Análise do Bradesco BBI

O Bradesco BBI também mantém recomendação de compra para VALE3. A casa destacou a recente alta no preço do minério de ferro como fator determinante para o bom desempenho das ações. O minério subiu US$ 4/t em poucos dias e rompeu a barreira dos US$ 100/t, impulsionado por dados mais fortes da indústria siderúrgica chinesa.

Estímulo chinês e demanda por materiais

O mercado foi influenciado positivamente por medidas do governo chinês, como o anúncio de um projeto hidrelétrico no Tibete com cinco grandes barragens. O projeto, orçado em US$ 170 bilhões, deverá impulsionar fortemente a demanda por materiais de construção, elevando o apetite por minério.

Ações da Vale: ainda baratas?

Indicadores atrativos

Leonardo Araújo, sócio da GT Capital, aponta que os múltiplos da ação da Vale estão bastante atrativos. Ele destaca:

  • P/L (preço/lucro): 7,96
  • P/VP (preço/valor patrimonial): 1,24
  • Dividend yield (últimos 12 meses): 8,62%

Segundo ele, esses dados mostram que a ação está “muito barata” para quem busca uma alocação de médio a longo prazo. O recente movimento de valorização sugere uma tentativa do ativo de se recuperar após um longo período pressionado.

Cautela com especulação

Apesar do otimismo, Araújo alerta que parte do movimento pode ter caráter especulativo, já que o minério é fortemente influenciado pela demanda da China, que segue com fundamentos instáveis. Ainda assim, o megaprojeto anunciado e a postura mais firme de Pequim aumentam as apostas em estímulos mais clássicos, como os fiscais.

Prévia operacional da Vale

Vale
Imagem: Stock.com/CUHRIG/Empiricus | Edição CanvaPro

Expectativas para produção e vendas

Nesta terça-feira (22), a Vale divulga sua prévia operacional do segundo trimestre. A expectativa do Bradesco BBI é de que a produção de minério de ferro chegue a 82 milhões de toneladas — 2% acima do ano passado e 22% a mais que o trimestre anterior.

Por outro lado, as vendas devem cair 3% em relação a 2024, somando 77 milhões de toneladas, reflexo da estratégia da empresa de direcionar mais produção à China.

Custos e margens

Os preços realizados devem recuar para US$ 85/t, queda de 14% em relação ao ano anterior. Já o custo C1, métrica importante no setor, deve cair 9% na comparação anual, para US$ 22,6/t — um sinal positivo de controle operacional, embora ainda 8% acima do trimestre anterior.

Desempenho de metais básicos

No segmento de Metais Básicos, o Ebitda estimado é de US$ 515 milhões, abaixo dos US$ 554 milhões do primeiro trimestre. O recuo é atribuído principalmente ao aumento de custos, mesmo com melhora na produção.

A Vale divulga seus resultados financeiros no próximo dia 31 de julho — um evento-chave para avaliar a consolidação de sua recuperação e testar o apetite dos investidores por suas ações.

Conclusão: espaço para otimismo, mas com ressalvas

A combinação de minério em alta, múltiplos atrativos e reestruturação estratégica dá força à tese de valorização da Vale. No entanto, a volatilidade das commodities, o peso da China no setor e o histórico recente da mineradora recomendam uma abordagem ponderada. Analistas seguem divididos, mas há indícios de que a empresa possa estar se reposicionando para um novo ciclo positivo.