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Ibovespa pode registrar o pior 4º trimestre em 10 anos

O Ibovespa deve registrar o pior desempenho do quarto trimestre desde 2014, com uma queda acumulada de 6,26%

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins6 min de leitura
Ibovespa 4º trimestre

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), está caminhando para registrar o pior quarto trimestre desde 2014, o que surpreende analistas e investidores que, no último ciclo de anos, haviam presenciado índices de crescimento bastante expressivos. 

Até o fechamento da última segunda-feira, 16 de dezembro de 2024, o índice acumulava uma queda de 6,26%, superando o declínio de 5,55% observado no mesmo período de 2021 e aproximando-se de uma forte retração registrada em 2014, quando a queda foi de 7,59%.

Esse desempenho negativo, que ameaça ser o pior em uma década, chama atenção por se contrastar com os trimestres finais de outros anos, que foram marcados por ganhos substanciais.

Leia mais: Ibovespa cai 2,46% após alta da Selic para 12,25%: Entenda os impactos no mercado

O Que Explica o Desempenho Fraco do Ibovespa em 2024?

Segundo o levantamento feito por Einar Riveiro, sócio da consultoria Elos Ayta, o cenário atual combina fatores internos e externos que explicam a desaceleração do mercado brasileiro. Com um olhar atento sobre o comportamento do Ibovespa e a conjuntura econômica global, Riveiro destaca algumas das principais razões para esse desempenho desapontador.

Entrada da sede da B3, Bolsa de Valores brasileira, com quatro pessoas na frente
Imagem: Alf Ribeiro/shutterstock.com

Fatores Externos: O Impacto da Política Monetária dos EUA

Um dos principais fatores responsáveis pela queda do Ibovespa neste final de 2024 é o fortalecimento do dólar, impulsionado pela política monetária restritiva do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. O aumento da taxa de juros norte-americana tem afetado o fluxo de capital para mercados emergentes, como o Brasil.

Os investidores, em busca de maior segurança, acabam redirecionando seus investimentos para ativos denominados em dólares, considerados mais seguros, em detrimento de mercados de maior risco, como o Brasil. Isso reflete diretamente no enfraquecimento do Ibovespa, uma vez que a alta do dólar reduz o apetite por risco nos mercados brasileiros.

Desafios Fiscais e Econômicos Internos

Além dos fatores externos, o cenário econômico doméstico também tem contribuído para a pressão sobre o mercado de ações brasileiro. O Brasil enfrenta um quadro fiscal desafiador, com elevado endividamento público e necessidade de ajustes fiscais que ainda não foram plenamente resolvidos. 

A falta de clareza em relação às políticas fiscais, além da lenta recuperação da economia interna, acaba gerando incertezas que impactam negativamente a confiança dos investidores.

Esses fatores internos são agravados pela alta taxa de juros que o Banco Central tem mantido para combater a inflação. Embora essa política tenha sido eficaz para controlar o aumento dos preços, ela também dificulta o crescimento econômico e contribui para uma menor disposição dos investidores em arriscar seu capital no Brasil.

O Peso da Incerteza Política

Outro fator que não pode ser ignorado é o ambiente político, que frequentemente gera volatilidade no mercado brasileiro. Decisões políticas, incertezas quanto à continuidade de reformas econômicas essenciais e debates sobre a condução da política fiscal adicionam um grau de complexidade ao cenário, afastando investidores que preferem mercados mais estáveis.

A Comparação com o Passado: Desempenhos de Trimestres Anteriores

Para entender melhor a magnitude da queda do Ibovespa em 2024, é importante analisar o desempenho do índice nos últimos 15 anos. Desde 2010, o índice registrou 8 trimestres positivos e 7 negativos. 

Os trimestres positivos geralmente se correlacionam com momentos de recuperação econômica mundial ou interna, enquanto os negativos são reflexos de crises, como em 2014 e 2024.

O Quarto Trimestre de 2020: O Maior Salto

Em 2020, o Ibovespa registrou um crescimento impressionante de 25,81%, o maior salto entre os trimestres do índice nos últimos anos. Esse desempenho foi impulsionado pela recuperação econômica global após o impacto inicial da pandemia de Covid-19. 

A injeção de estímulos fiscais e monetários nos principais países e a expectativa de um retorno rápido à normalidade ajudaram o mercado a recuperar as perdas iniciais e a superar as expectativas.

O Quarto Trimestre de 2023: Um Bom Desempenho

Em 2023, o Ibovespa também obteve um desempenho positivo, com uma alta de 15,12%. Esse crescimento pode ser atribuído à melhoria do cenário econômico global, com uma desaceleração das tensões geopolíticas e o fortalecimento da economia brasileira, que começou a se recuperar após as dificuldades impostas pela pandemia. 

Além disso, o ano de 2023 foi marcado por um otimismo nas bolsas globais, que impulsionaram o desempenho do índice brasileiro.

O Quarto Trimestre de 2014: A Maior Queda

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O quarto trimestre de 2014 foi o mais negativo da série histórica recente, com uma queda de 7,59%. Esse desempenho refletiu a crise econômica e política enfrentada pelo Brasil, com a desaceleração econômica interna e o aumento da desconfiança dos investidores no governo federal. 

A instabilidade política, combinada com a alta da inflação e a deterioração das contas públicas, fez com que o mercado brasileiro enfrentasse um dos piores períodos de sua história recente.

O Que Esperar para o Futuro?

Com a queda de 6,26% acumulada até o momento, o quarto trimestre de 2024 pode se tornar o pior desempenho do Ibovespa desde 2014, mas o futuro próximo ainda pode trazer algumas surpresas.  O mercado financeiro é altamente sensível a mudanças de expectativas, e a recuperação de fatores externos e internos poderia melhorar o desempenho do índice nos próximos meses.

Ibovespa queda
Imagem: TAW4 / Shutterstock.com

O Papel das Reformas Econômicas

Se o Brasil conseguir avançar nas reformas fiscais e na agenda de crescimento, o mercado pode reagir positivamente, impulsionando a recuperação do Ibovespa. A aprovação de reformas estruturais, como a tributária e a administrativa, pode aumentar a confiança dos investidores, trazendo mais estabilidade e perspectivas de longo prazo para a economia brasileira.

O Impacto das Eleições e do Cenário Político

As eleições presidenciais e a política interna também terão grande impacto no desempenho do mercado. A definição de um projeto claro para o país, com foco em crescimento econômico sustentável e redução da incerteza política, pode ser determinante para a recuperação do Ibovespa nos próximos trimestres.

O Papel da Política Monetária

Se o Banco Central decidir reduzir a taxa de juros no futuro, isso poderá estimular o crescimento econômico e melhorar a percepção dos investidores sobre o Brasil. 

A taxa de juros elevada, atualmente em níveis altos, tem dificultado o acesso a crédito e a expansão da atividade econômica. A redução dessa taxa, caso ocorra, pode ajudar o mercado financeiro a se recuperar e a impulsionar o Ibovespa.

Imagem: Divulgação/ Ibovespa

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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