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Mercado em alta: Ibovespa resiste à queda das exportadoras

Ibovespa sobe levemente após pacote para mitigar tarifaço de Trump, enquanto dados de inflação nos EUA elevam cautela sobre juros. Veja destaques do mercado.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
Ibovespa

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), operava em leve alta de 0,08%, aos 136.800 pontos, por volta das 14h25 desta quinta-feira (14).

A sessão marcou uma tentativa de recuperação após a forte queda registrada na véspera, motivada pelo anúncio do pacote econômico do governo para compensar os efeitos do tarifaço de Donald Trump sobre produtos brasileiros.

No câmbio, o dólar à vista avançava levemente, negociado próximo a R$ 5,41, refletindo a cautela dos investidores diante de novos dados econômicos vindos dos Estados Unidos.

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Altas e baixas do pregão

Ibovespa
Imagem: Bro Crock / shutterstock.com

Principais altas

Entre os papéis que mais se valorizavam, destaque para:

  • Hapvida (HAPV3): +6,57%
  • Ultrapar (UGPA3): +4,01%
  • Natura (NATU3): +3,66%
  • MRV (MRVE3): +4,62%
  • Banco do Brasil (BBAS3): +2,70%

Essas empresas se beneficiaram de movimentos específicos, desde percepções positivas sobre resultados e perspectivas até ajustes técnicos após quedas recentes.

Maiores quedas

Na ponta negativa do índice:

  • Raízen (RAIZ4): -14,70%
  • Cosan (CSAN3): -6,06%
  • CSN (CSNA3): -4,99%
  • Usiminas (USIM5): -5,34%
  • Vamos (VAMO3): -3,50%

O desempenho negativo foi intensificado por fatores setoriais, como a queda do minério de ferro, que pressionou empresas de siderurgia e mineração.


Pressão das gigantes da bolsa

A performance do Ibovespa foi limitada pela queda de empresas de grande peso no índice. A Petrobras recuava 0,82% (PETR4) e 0,73% (PETR3), refletindo oscilações no preço do petróleo e movimentos de realização de lucros. A Vale (VALE3) cedia 1,44%, acompanhando a retração nos preços internacionais do minério de ferro.


Surpresa inflacionária nos EUA

O dado mais relevante do dia para os mercados globais veio dos Estados Unidos. O índice de inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) apresentou alta de 0,9% em julho, contra expectativa de apenas 0,2%. A leitura acima do previsto sugere maiores custos na etapa inicial da produção, o que pode levar a repasses para o consumidor e, por consequência, a uma inflação mais persistente.

Impacto nas expectativas de juros

Para o Federal Reserve (Fed), banco central americano, o cenário indica que a meta de inflação de 2% ao ano pode demorar mais para ser alcançada. Isso reduziu o otimismo sobre cortes rápidos na taxa de juros. Segundo a plataforma CME FedWatch, a probabilidade de manutenção da taxa em 4,50% subiu de 5% para 7%, enquanto 93% ainda apostam em um corte de 0,25 ponto percentual.


Tarifaço de Trump e pacote econômico no radar

No cenário doméstico, os investidores continuaram avaliando os desdobramentos do pacote econômico anunciado para compensar o tarifaço de 50% aplicado pelos EUA sobre determinados produtos brasileiros.

Detalhes do pacote

O programa prevê:

  • R$ 4,5 bilhões em fundos garantidores para financiamento das exportações
  • R$ 5 bilhões para ampliação do programa Reintegra
  • Linha de crédito de R$ 30 bilhões com juros mais baixos
  • Inclusão de empresas de todos os portes nas medidas de apoio

O pacote, no entanto, excluiu R$ 9,5 bilhões do arcabouço fiscal, decisão que gerou incômodo em parte do mercado.


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Reação do mercado ao pacote

Especialistas dividem opiniões sobre o impacto do plano nas contas públicas:

  • Visão otimista: o valor excluído é relativamente pequeno diante da urgência, não comprometendo o cumprimento da meta fiscal de 2025.
  • Visão crítica: a medida cria um precedente ruim ao abrir exceções no arcabouço, enfraquecendo a credibilidade da política fiscal.

Risco fiscal e confiança do investidor

A percepção de risco fiscal permanece como fator de atenção. Embora o pacote seja visto como necessário para apoiar empresas prejudicadas pelo tarifaço, o aumento de gastos sem compensações claras levanta dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas no médio prazo.

Essa incerteza tende a influenciar a curva de juros e a demanda por ativos de renda fixa, ao mesmo tempo que afeta a confiança do investidor estrangeiro na economia brasileira.


Perspectivas para o Ibovespa

Ibovespa
Imagem: TAW4 / Shutterstock.com

A trajetória do Ibovespa no curto prazo deve continuar sensível a:

  • Dados econômicos dos EUA e sinais sobre a política monetária do Fed
  • Oscilações nas commodities, especialmente petróleo e minério de ferro
  • Notícias sobre a execução do pacote econômico brasileiro e evolução das contas públicas
  • Fluxo de capital estrangeiro, que tende a reagir a mudanças nas expectativas de juros globais

Considerações finais

O pregão desta quinta-feira (14) ilustra bem a dinâmica atual do mercado: o Ibovespa tenta se recuperar, mas enfrenta obstáculos externos e internos. O pacote econômico para mitigar os efeitos do tarifaço de Trump trouxe algum alívio, mas o cenário fiscal e a surpresa inflacionária nos EUA mantêm a cautela elevada.

Para os investidores, o momento exige acompanhamento próximo dos indicadores e notícias, além de estratégias diversificadas para lidar com a volatilidade.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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